O Banco do Brasil (BBAS3) está novamente no centro das atenções do mercado financeiro. Após semanas de volatilidade, as ações voltaram a ser tema de debate entre investidores e analistas — divididos entre quem vê uma oportunidade de compra e quem teme novos tombos provocados pelo cenário político.
O analista Luan, do canal Invest Cuts, destacou que a precificação atual do Banco do Brasil — em torno de R$ 21 — não reflete apenas o risco da chamada “Lei Magnitsky”, mas sim uma combinação de fatores como lucros em queda e aumento da inadimplência. Segundo ele, “o medo do mercado brasileiro é exagerado: o que o Lula fala derruba a Bolsa, o que o Tarcísio fala faz subir. Mas essa volatilidade é muito mais política do que fundamentalista”.
Entenda o impacto da Lei Magnitsky
O tema que mais preocupa o mercado é a chamada Lei Magnitsky, que poderia sancionar bancos que operam com instituições públicas em determinadas condições. O medo é de que o Banco do Brasil seja diretamente afetado e, por consequência, Itaú, Bradesco e outras instituições que mantêm transações com ele também sofram bloqueios automáticos.
Luan explica que, na prática, esse risco é improvável. “Todos os CEOs dos grandes bancos já afirmaram que cumprem a legislação e que não há risco de sanção real. O mercado precificou o pânico, não a realidade”, afirma.
Governança e risco político: Itaú ainda é o “porto seguro”
Mesmo sendo o maior banco em participação no agronegócio, o Banco do Brasil enfrenta críticas sobre sua governança. O analista lembra que “o Itaú tem uma gestão mais sólida e previsível, o que reduz o risco para investidores de longo prazo”.
Essa percepção reforça a diferença entre perfis: investidores que buscam segurança tendem a preferir Itaú, mesmo pagando mais caro pelas ações. Já quem aposta em valorização de médio e longo prazo vê o BBAS3 como uma oportunidade de compra, especialmente pelo desconto atual em relação ao valor patrimonial.
Resultados pressionados e perspectivas para 2025
Os resultados recentes reforçam o clima de cautela. O Banco Central apontou lucro mensal de R$ 600 milhões no início do terceiro trimestre — bem abaixo dos R$ 2 bilhões esperados. Essa desaceleração ocorre por causa do crédito rural e da safra passada, que impactam o desempenho atual.
Luan destaca que o banco ainda sente os efeitos de empréstimos concedidos há um ano e que a retomada só deve aparecer entre o fim de 2025 e 2026. “O banco não vai voltar a lucros de R$ 9 bilhões por trimestre tão cedo, mas também não está em prejuízo. É um momento de ajuste, não de colapso”, pondera.
Dividendos e preço justo: oportunidade ou armadilha?
Mesmo com lucros menores, o Banco do Brasil segue atraindo investidores de dividendos. O rendimento pode cair de 10%–12% para cerca de 6% ao ano, mas ainda é considerado competitivo diante da Selic elevada.
Na visão do analista, “até R$ 22 ou R$ 23 a ação segue interessante para aumentar posição, desde que o investidor entenda o risco político e o tempo de maturação da recuperação”. Ele reforça que a instituição, com mais de 200 anos de história, “já sobreviveu a diversas crises e sempre teve o governo como amortecedor em períodos de turbulência”.
BBAS3 x ITUB4: qual faz mais sentido hoje?
Para investidores de perfil conservador, Itaú (ITUB4) segue sendo a escolha mais confortável, com rentabilidade consistente e menor interferência estatal. Já o Banco do Brasil oferece maior margem de valorização no médio prazo — desde que a política não volte a interferir.
Como resume Luan: “Se você quer qualidade e previsibilidade, compre Itaú. Se busca preço e potencial de valorização, o Banco do Brasil é uma oportunidade. Mas é preciso saber ler os resultados e ter paciência”.
O jogo de longo prazo
O futuro do BBAS3 depende menos da política e mais da capacidade de o banco ajustar sua carteira de crédito e reconquistar confiança do mercado. Para investidores atentos ao timing e ao risco, a ação pode ser uma oportunidade de multiplicar ganhos nos próximos anos — especialmente se o ciclo de lucros voltar a crescer a partir de 2026.
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