O Grupo Casas Bahia (BHIA3) divulgou um balanço de primeiro trimestre de 2026 com sinais importantes de recuperação operacional, mas ainda marcado por forte pressão financeira. A companhia registrou crescimento de receita, avanço no canal online, geração de caixa positiva e queda expressiva da dívida. Mesmo assim, encerrou o período com prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão, acima da perda de R$ 408 milhões registrada um ano antes.
O principal destaque positivo foi a redução da dívida líquida ajustada, que caiu 68% na comparação anual. A alavancagem recuou para 0,5 vez o EBITDA ajustado, ante 1,8 vez no primeiro trimestre de 2025. Além disso, o fluxo de caixa livre ficou positivo em R$ 852 milhões, uma virada relevante frente à queima de caixa observada no mesmo período do ano anterior.
Operação melhora, mas prejuízo ainda chama atenção
A Casas Bahia conseguiu entregar crescimento operacional em um ambiente ainda difícil para o varejo. A receita líquida somou R$ 7,4 bilhões no 1T26, alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025. A margem bruta ficou praticamente estável, em 30,3%, contra 30,2% um ano antes.
O EBITDA ajustado chegou a R$ 597 milhões, avanço de 4,7% na comparação anual. A margem EBITDA ajustada ficou em 8,1%, praticamente em linha com o resultado do ano anterior. Esse desempenho indica que a empresa conseguiu preservar parte da rentabilidade operacional mesmo em meio à disputa por vendas no varejo.
O problema segue concentrado na última linha do balanço. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,171 bilhão, piora de 27% em relação ao 1T25. Segundo dados divulgados com o balanço, o CDI médio subiu de 12,94% para 14,86% no período, elevando o custo da dívida e pressionando o resultado líquido.
Principais números da Casas Bahia no 1T26
| Indicador | Resultado no 1T26 | Comparação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 7,4 bilhões | +6,1% |
| Prejuízo líquido | R$ 1,064 bilhão | piora frente a R$ 408 milhões |
| EBITDA ajustado | R$ 597 milhões | +4,7% |
| Margem bruta | 30,3% | +0,1 p.p. |
| Fluxo de caixa livre | R$ 852 milhões | melhora relevante |
| Dívida líquida ajustada | queda de 68% | forte desalavancagem |
| Alavancagem | 0,5x EBITDA ajustado | ante 1,8x no 1T25 |
| Resultado financeiro líquido | -R$ 1,171 bilhão | piora de 27% |
E-commerce ganha força e ajuda a sustentar crescimento
Um dos pontos mais relevantes do trimestre foi o desempenho do canal digital. O GMV total da Casas Bahia cresceu 5% na comparação anual, enquanto o canal online avançou com mais força. O destaque foi o 1P online, modalidade em que a própria varejista vende diretamente ao consumidor, que cresceu 27,4% em 12 meses.
Esse avanço mostra que a estratégia digital segue no centro da recuperação da companhia. A empresa vem buscando melhorar o mix de vendas, priorizar categorias mais rentáveis e reduzir operações de menor retorno. Esse movimento também ajuda a explicar o fechamento líquido de lojas menos eficientes nos últimos trimestres, dentro de uma estratégia de ajuste da rede física.
Dívida menor é o principal ponto positivo
A queda da dívida foi o dado mais forte do balanço. A redução de 68% da dívida líquida ajustada melhora a estrutura de capital da empresa e reduz a pressão sobre o caixa no médio prazo. Para uma varejista com histórico recente de dificuldades financeiras, esse é um sinal importante de avanço no processo de reestruturação.
A geração de R$ 852 milhões em fluxo de caixa livre também reforça essa leitura. Na prática, a companhia mostrou capacidade de gerar recursos mesmo em um cenário de juros altos, consumo pressionado e competição intensa no varejo.
Por que a Casas Bahia ainda teve prejuízo?
O prejuízo de mais de R$ 1 bilhão não veio da operação em si, mas principalmente do peso financeiro. A empresa ainda carrega despesas elevadas relacionadas ao custo da dívida e ao ambiente de juros altos no Brasil. Com o CDI médio em patamar superior ao do ano anterior, a despesa financeira continuou consumindo boa parte do resultado operacional.
Além disso, analistas apontaram que o resultado final seguiu pressionado por despesas financeiras elevadas e pela ausência de reconhecimento de imposto diferido, apesar de a operação ter surpreendido positivamente em receita e EBITDA.
O balanço foi positivo ou negativo?
O balanço da Casas Bahia no 1T26 pode ser lido como positivo na operação, mas ainda fraco no lucro líquido. A empresa apresentou melhora em pontos essenciais: vendeu mais, preservou margem, gerou caixa, reduziu dívida e diminuiu a alavancagem.
Por outro lado, o prejuízo bilionário mostra que a recuperação ainda não está concluída. Para que o mercado passe a enxergar uma virada mais consistente em BHIA3, a companhia precisará transformar essa melhora operacional em lucro recorrente — algo que depende da continuidade da desalavancagem, de maior eficiência e de um ambiente de juros menos pesado.
Veredito: o resultado do 1T26 da Casas Bahia mostra avanço real na reestruturação, principalmente pela queda da dívida e pela geração de caixa. Mas o prejuízo acima de R$ 1 bilhão mantém o alerta ligado para investidores que acompanham BHIA3.
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