O relatório gerencial de janeiro do GGRC11 trouxe números relevantes para os cotistas e reforçou mudanças estruturais importantes no fundo. Com crescimento expressivo no número de investidores, resultado elevado impulsionado por venda de ativos e desconto relevante frente ao valor patrimonial, o fundo volta ao radar de quem busca renda recorrente com potencial de valorização.
Mesmo com a cota ainda “amassada”, pressionada por emissões recentes — cenário semelhante ao observado em outros FIIs como TRXF11 e GAR11 — o GGRC11 mantém fundamentos sólidos, vacância controlada e geração de caixa consistente.
Estrutura atual do GGRC11
O fundo encerrou janeiro com os seguintes números:
36 imóveis
ABL total de 711 mil m²
41 inquilinos
Prazo médio de contratos: 4,94 anos
290.959 cotistas
Valor patrimonial da cota: R$ 11,22
Cotação de fechamento do mês: R$ 10,50
Patrimônio líquido: R$ 2,403 bilhões
Liquidez média mensal: R$ 8,64 milhões
A cota segue negociando com aproximadamente 10% de desconto sobre o valor patrimonial, o que abre espaço para eventuais ganhos caso a recompra de cotas seja aprovada.
Nos últimos 12 meses, o fundo entregou 11,93% de dividend yield, pagando R$ 0,10 por cota mensalmente.
Resultado de janeiro: impacto da venda de imóveis
O grande destaque do mês foi a venda de dois ativos (Campinas e Covolan), que geraram aproximadamente R$ 165 milhões em receitas, impactando diretamente o resultado.
Resultado por cota:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Resultado total | R$ 34,4 milhões |
| Resultado por cota | R$ 0,16 |
| Distribuído | R$ 0,10 |
| Retido para reserva | R$ 0,06 |
O fundo optou por fortalecer a reserva acumulada, preservando parte do lucro extraordinário, o que contribui para maior previsibilidade futura na distribuição.
Despesas e alavancagem
Janeiro registrou aumento pontual nas despesas, comuns no início do ano:
Despesas totais: R$ 2 milhões
Impostos: R$ 2 milhões
Alavancagem atual: 11,3%
Passivo total: R$ 306 milhões
A estrutura segue controlada. O fluxo de amortização é equilibrado e não representa risco relevante no curto prazo.
O fundo possui aproximadamente R$ 2,7 bilhões em ativos, distribuídos entre:
Imóveis: R$ 2 bilhões
FIIs: R$ 439 milhões
Outras aplicações: R$ 180 milhões
Recebíveis: R$ 74 milhões
Perfil da receita e concentração
Principais inquilinos:
Renault: 12,55%
Americanas: 11,34%
Ambev: 11,11%
Distribuição geográfica:
Sul: 56,5%
São Paulo: 26,6%
Paraná: 24,7%
Minas Gerais: 16,7%
Segmentação por tipo de imóvel:
Logístico: 68%
Industrial: 15%
Híbridos: 15,9%
A vacância permanece praticamente zerada, após venda do imóvel que apresentava desocupação.
Reajustes e contratos
90% dos contratos corrigidos pelo IPCA
Reajuste médio recente: 8,23%
Vencimentos em 2026: 14%
O preço médio de locação caiu de R$ 28,59 para R$ 27,20 após vendas recentes, mas há espaço para recomposição nas próximas renegociações.
Assembleia e possíveis mudanças no regulamento
A Assembleia Geral Extraordinária convocada propõe:
Substituição da administradora para a Vórtx
Mudança de denominação do fundo (ticker permanece GGRC11)
Aprovação de programa de recompra de cotas
Regras adicionais de governança
Limite de 10% para voto em matérias sensíveis
Possibilidade de transações com fundos administrados pela nova administradora
Nenhum ponto apresenta aumento de custo ao cotista. A recompra de cotas, caso aprovada, poderá ocorrer quando houver desconto relevante frente ao VP.
Com desconto atual próximo de 10%, a recompra poderia funcionar como catalisador de valorização no curto prazo.
Programa Renova: modernização dos ativos
O fundo formalizou o programa “Renova”, iniciativa de melhorias físicas e operacionais nos imóveis.
Status atual:
Obras em andamento em unidades como Renault, VW MAN e CD Santa Cruz (Anápolis)
Obras da fase 2 do CD Santa Cruz com 80% concluídas
Conclusões recentes em Guarulhos (Ambev) e Cuiabá
Embora o programa represente essencialmente manutenção ativa dos ativos, a formalização reforça o foco da gestão na preservação e valorização patrimonial.
Crescimento expressivo de cotistas
O número de investidores saltou de 257 mil para 290 mil em um mês — crescimento superior a 13%.
O GGRC11 já figura entre os 12 maiores FIIs em número de cotistas e deve ultrapassar 300 mil investidores em breve.
Performance histórica
Desde o início:
Rentabilidade acumulada: 90,46%
IFIX no período: 89,65%
CDI líquido: inferior ao fundo
IPCA: amplamente superado
Mesmo com a cotação pressionada por emissões, o fundo conseguiu preservar poder de compra e entregar retorno competitivo frente ao mercado.
GGRC11 está barato?
Com:
Vacância praticamente zerada
Alavancagem controlada
Yield próximo de 12%
Crescimento de base de cotistas
Desconto relevante frente ao VP
O fundo apresenta fundamentos sólidos, mas ainda sofre pressão de mercado típica pós-emissões.
A possível recompra de cotas pode ser um divisor de águas, caso seja implementada com disciplina de capital.
O cenário atual coloca o GGRC11 como um FII de tijolo com retorno elevado, governança reforçada e espaço para valorização — especialmente se o mercado reduzir o desconto frente ao valor patrimonial.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.







Deixe o Seu Comentário