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Início » Últimas Notícias » Ibovespa sobe aos 171 mil pontos, mas dólar dispara para R$ 5,22
Bolsa Hoje

Ibovespa sobe aos 171 mil pontos, mas dólar dispara para R$ 5,22

Bolsa brasileira contrariou a forte queda de Wall Street, impulsionada por bancos, entrada de capital estrangeiro e sinais da ata do Copom sobre os próximos passos da Selic
André JúniorPor André Júnior24 de junho de 20265 minutos lidos
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O mercado financeiro brasileiro encerrou a terça-feira em direções opostas. Enquanto o Ibovespa subiu 0,52% e alcançou 171.258,87 pontos, o dólar avançou quase 1% e terminou o dia cotado a aproximadamente R$ 5,22.

A Bolsa brasileira conseguiu se descolar das fortes perdas registradas em Wall Street. O movimento foi favorecido pela entrada de investidores estrangeiros, pela valorização das ações dos bancos e pela reação do mercado à ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom.

O índice terminou próximo da máxima do pregão, mesmo enfrentando a pressão negativa de empresas importantes, como a Vale, que recuou diante das discussões envolvendo a governança da mineradora.

Bancos ajudam o Ibovespa a contrariar Wall Street

Um dos principais fatores por trás da alta foi o movimento de rotação dos investimentos globais. Após meses de forte valorização das empresas ligadas à tecnologia e à inteligência artificial, investidores reduziram posições no setor nos Estados Unidos e passaram a buscar oportunidades em outros segmentos e mercados.

Parte desse dinheiro foi direcionada para países emergentes, incluindo o Brasil. Na B3, as ações do setor financeiro foram beneficiadas pelo fluxo estrangeiro e ajudaram a sustentar o avanço do Ibovespa.

Papéis mais ligados à economia doméstica também reagiram positivamente ao recuo dos contratos de juros futuros. Taxas menores no mercado costumam favorecer empresas dependentes do consumo, do crédito e da atividade econômica brasileira.

IndicadorFechamentoVariação
Ibovespa171.258,87 pontos+0,52%
DólarR$ 5,22Cerca de +0,90%
S&P 5007.365,47 pontos-1,44%
Nasdaq25.587,04 pontos-2,21%
Dow Jones51.665,49 pontos-0,09%

Ata do Copom mantém possibilidade de novos cortes

A ata divulgada pelo Banco Central trouxe sinais mistos. O documento mostrou preocupação com a inflação, com as expectativas acima da meta e com as incertezas fiscais e internacionais.

Apesar da cautela, o Copom não fechou completamente a porta para novas reduções da Selic. A autoridade monetária indicou que as próximas decisões dependerão da evolução da inflação, da atividade econômica e das expectativas do mercado.

A postura foi interpretada como menos dura do que alguns investidores temiam. O mercado passou a considerar que o Banco Central poderá interromper temporariamente o ciclo de cortes, mas voltar a reduzir os juros caso os dados mostrem uma desaceleração mais consistente dos preços.

O documento, entretanto, ainda deixou dúvidas sobre a ampliação do horizonte relevante da política monetária. Analistas buscam entender se a mudança representa apenas uma adaptação do calendário ou uma alteração na estratégia utilizada para conduzir a inflação até a meta.

Choques de oferta exigem cautela do Banco Central

Outro ponto destacado foi a diferença entre inflação provocada pelo excesso de demanda e inflação causada pela redução da oferta.

Quando famílias e empresas consomem e investem em ritmo muito elevado, o Banco Central pode utilizar os juros para esfriar a economia. O crédito fica mais caro, o consumo perde força e a pressão sobre os preços tende a diminuir.

O efeito dos juros, porém, é mais limitado quando a inflação vem de problemas de oferta, como interrupções no fornecimento de petróleo, conflitos internacionais ou dificuldades logísticas.

Nessas situações, um aumento da Selic não amplia a quantidade disponível do produto e pode apenas enfraquecer a atividade econômica. Por isso, o Copom indicou que pretende observar a duração e os efeitos dos choques externos antes de promover mudanças mais intensas na política monetária.

Dólar sobe e fecha próximo de R$ 5,22

Mesmo com a entrada de capital estrangeiro na Bolsa, o dólar avançou diante do fortalecimento global da moeda norte-americana. A cotação encerrou o pregão próxima de R$ 5,22, acumulando alta de aproximadamente 0,90%.

Investidores acompanharam as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos, as tensões internacionais e a forte correção das ações de tecnologia em Nova York.

Cenários de maior incerteza costumam aumentar a procura pelo dólar, considerado um ativo de proteção. A moeda norte-americana também ganhou força diante das dúvidas sobre o ritmo dos juros nos Estados Unidos e seus efeitos sobre os mercados emergentes.

Tecnologia enfrenta forte correção em Nova York

Wall Street teve um pregão negativo, principalmente no setor de tecnologia. Empresas ligadas a semicondutores, inteligência artificial e computação enfrentaram forte realização de lucros.

O movimento refletiu dúvidas sobre os elevados investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e sobre a capacidade das companhias de transformar esses gastos em crescimento sustentável dos lucros.

A correção mostra uma mudança temporária no comportamento dos investidores. Enquanto as ações de tecnologia enfrentam maior volatilidade, setores tradicionais e mercados emergentes podem receber parte do capital retirado das grandes empresas norte-americanas.

O que esperar do mercado agora

Nos próximos pregões, os investidores devem continuar acompanhando os dados de inflação, as declarações do Banco Central e os sinais sobre o futuro da Selic.

No exterior, o foco permanece nas decisões do Federal Reserve, no desempenho das empresas de tecnologia e nas tensões geopolíticas.

Para o dólar, o ambiente internacional continuará exercendo forte influência. Caso a aversão ao risco aumente, a moeda poderá permanecer pressionada acima de R$ 5,20. Já uma melhora do cenário externo e uma entrada mais intensa de recursos estrangeiros poderão aliviar a cotação.

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André Júnior
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André Júnior é economista e especialista em Finanças e Mercado de Capitais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, juros, economia e mercados. Contextualiza indicadores e resultados corporativos, distingue fatos de projeções e explica seus possíveis efeitos para investidores, sem recomendações individuais.

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