O mercado de fundos imobiliários atravessa uma fase de correção depois da valorização observada no início do ano. O IFIX, principal índice do setor, encerrou maio com queda de 1,33% e continuou pressionado em junho, movimento que reduziu a cotação de diferentes fundos de tijolo.
Embora a queda possa preocupar quem já está posicionado, ela também abre espaço para encontrar ativos negociados abaixo do valor patrimonial. Entre os fundos que ganharam desconto estão ALZR11, GGRC11 e GARE11, todos com imóveis físicos, contratos de locação e pagamentos mensais de rendimentos.
O desconto, porém, não deve ser analisado isoladamente. Qualidade dos imóveis, ocupação, concentração de inquilinos, vencimento dos contratos e endividamento continuam sendo pontos decisivos.
Três fundos imobiliários negociados com desconto
| Fundo | Segmento predominante | P/VP aproximado | Rendimento recente |
|---|---|---|---|
| ALZR11 | Híbrido | 0,94 | R$ 0,08 por cota |
| GGRC11 | Logístico e industrial | 0,89 | R$ 0,10 por cota |
| GARE11 | Renda urbana e logística | 0,88 | Cerca de R$ 0,08 por cota |
O P/VP abaixo de 1 indica que as cotas estão sendo negociadas por um preço inferior ao valor patrimonial informado pelo fundo. Isso não significa, obrigatoriamente, que o ativo esteja barato, pois o mercado pode estar precificando riscos futuros.
ALZR11 combina diversificação e contratos longos
O ALZR11 é um fundo híbrido com exposição a imóveis logísticos, comerciais, industriais, educacionais, de renda urbana e data centers. Essa diversificação reduz a dependência de apenas um segmento do mercado imobiliário.
O portfólio reúne imóveis alugados para empresas de diferentes setores, com presença de contratos atípicos e prazos longos. Esse tipo de contrato costuma oferecer maior previsibilidade, pois normalmente estabelece multas mais elevadas em caso de saída antecipada do inquilino.
O fundo vem distribuindo aproximadamente R$ 0,08 por cota e apresenta dividend yield acumulado próximo de 10% em 12 meses. O P/VP ao redor de 0,94 mostra um desconto moderado em relação ao patrimônio.
O principal ponto de atenção está nas obrigações financeiras relacionadas a aquisições e operações estruturadas. Mesmo com recursos disponíveis, o investidor deve acompanhar o cronograma de pagamentos e a capacidade da gestão de manter os rendimentos.
GGRC11 paga cerca de 1% ao mês
O GGRC11 concentra seus investimentos em imóveis logísticos e industriais, além de ativos híbridos. O fundo possui contratos com empresas de diferentes setores e apresenta ocupação próxima de 100%.
Em junho, o fundo anunciou rendimento de R$ 0,10 por cota, equivalente a um retorno mensal próximo de 1% considerando o preço utilizado na data-base. Nos últimos 12 meses, o dividend yield permanece acima de 12%.
Outro destaque é o P/VP próximo de 0,89. Na prática, o mercado negocia as cotas com desconto de aproximadamente 11% sobre o valor patrimonial.
Apesar da diversificação, parte relevante da receita está concentrada nos maiores locatários. Por isso, eventuais renegociações, dificuldades financeiras ou saída de uma grande empresa podem afetar o resultado.
GARE11 chama atenção pelo desconto
O GARE11 investe principalmente em imóveis de renda urbana, logística e escritórios. Entre seus locatários estão companhias dos setores varejista, alimentício, imobiliário e de distribuição.
Com P/VP próximo de 0,88, o fundo apresenta o maior desconto entre os três analisados. Seu dividend yield acumulado em 12 meses está ao redor de 12%, enquanto os pagamentos mensais permanecem próximos de R$ 0,08 por cota.
O fundo também possui contratos de longo prazo e elevada participação de contratos atípicos. A ocupação dos imóveis e a qualidade dos inquilinos ajudam a dar previsibilidade às receitas.
A alavancagem, que já foi uma preocupação maior, precisa continuar sendo monitorada. A existência de caixa elevado reduz o risco imediato, mas novas aquisições e compromissos futuros podem alterar essa relação.
Vale a pena investir nesses FIIs?
ALZR11, GGRC11 e GARE11 reúnem características interessantes para quem busca renda mensal e exposição a imóveis físicos. Os descontos patrimoniais podem ampliar o potencial de valorização caso o mercado de FIIs volte a ganhar força.
Por outro lado, não há garantia de recuperação das cotações. Os rendimentos também podem diminuir diante de vacância, inadimplência, venda de imóveis, aumento de despesas ou renegociação de contratos.
Antes de investir, é importante comparar o desconto com os riscos de cada fundo, ler os relatórios gerenciais e avaliar se o ativo combina com a estratégia e o prazo do investidor. Esta análise tem caráter informativo e não representa recomendação de compra.
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