As ações da Vale (VALE3) voltaram a chamar atenção após uma forte correção na Bolsa. Negociadas na faixa dos R$ 69, elas seguem abaixo das máximas recentes e levantam uma pergunta importante: a mineradora está barata ou ainda existe espaço para novas quedas?
O cenário combina resultados operacionais fortes, pagamento de proventos e riscos ligados principalmente ao minério de ferro e à economia chinesa.
Vale mantém operação forte
No segundo trimestre de 2026, a Vale registrou EBITDA de US$ 4,1 bilhões, com crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior.
A produção de minério de ferro alcançou 84,3 milhões de toneladas, o melhor resultado da empresa para um segundo trimestre desde 2018.
As vendas chegaram a 79,7 milhões de toneladas, mostrando que a companhia segue com grande capacidade operacional mesmo em um ambiente mais desafiador para as commodities.
A geração de caixa também permaneceu relevante. O fluxo de caixa livre recorrente ficou em aproximadamente US$ 1,5 bilhão, enquanto a dívida líquida expandida encerrou o período em cerca de US$ 16,7 bilhões.
Cobre ganha importância
A Vale também vem aumentando sua exposição a metais importantes para a transição energética.
A produção de cobre chegou a 98,4 mil toneladas no segundo trimestre, enquanto a produção de níquel ficou em aproximadamente 42 mil toneladas.
Esse avanço ajuda a diversificar as receitas da mineradora e reduz, ainda que gradualmente, sua dependência do minério de ferro.
Dividendos continuam sendo atrativo
Outro ponto que mantém VALE3 no radar é a remuneração aos acionistas.
Em uma das distribuições anunciadas em 2026, a Vale aprovou pagamento total de cerca de R$ 2,03 por ação entre dividendos e juros sobre capital próprio.
Além disso, a companhia anunciou aproximadamente US$ 1,7 bilhão em remuneração aos acionistas relacionada aos resultados do primeiro semestre.
A Vale também autorizou um programa de recompra de até 100 milhões de ações, movimento que pode beneficiar os acionistas ao reduzir a quantidade de papéis em circulação.
Minério de ferro preocupa
O principal risco continua sendo o minério de ferro.
A commodity passou a negociar próxima de US$ 91 por tonelada, enquanto no segundo trimestre a Vale havia conseguido um preço médio realizado próximo de US$ 95 por tonelada.
Se o minério permanecer por muito tempo abaixo desses níveis, a empresa pode enfrentar pressão sobre receitas, margens e geração de caixa.
A China também segue como fator decisivo. O país representa uma parcela importante da demanda mundial por minério de ferro, e dificuldades nos setores imobiliário e de construção podem afetar diretamente as mineradoras.
VALE3 está barata?
Com a ação próxima de R$ 69, VALE3 está bem abaixo da máxima de cerca de R$ 92 registrada no período de 52 semanas.
Isso representa uma queda de aproximadamente 25% em relação ao topo.
Estimativas de mercado também apontam preço-alvo médio próximo de R$ 86, o que indicaria um potencial de valorização em torno de 25% sobre os níveis atuais. Vale lembrar que preço-alvo é apenas uma projeção e não representa garantia de retorno.
Vale pode ser uma oportunidade?
A Vale apresenta uma combinação que chama atenção: ação abaixo das máximas, geração de caixa, dividendos, crescimento da produção e maior exposição ao cobre.
Por outro lado, minério de ferro próximo de US$ 90, dependência da China, câmbio e custos operacionais continuam sendo riscos importantes.
Para o investidor de longo prazo, VALE3 voltou a negociar em uma faixa que merece atenção. A grande questão agora é saber se a companhia conseguirá manter resultados fortes mesmo com um cenário menos favorável para o minério de ferro.

