A Petrobras voltou ao centro das atenções na Bolsa após a forte redução do prêmio de risco que havia impulsionado o petróleo durante o conflito no Oriente Médio. Com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã e a retomada parcial do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, o barril do Brent devolveu boa parte da valorização recente e passou a ser negociado próximo de US$ 72.
Esse movimento atingiu diretamente as ações das empresas petrolíferas. Na sessão de 3 de julho de 2026, PETR4 operava ao redor de R$ 37,96, depois de oscilar entre R$ 37,65 e R$ 38,46. Mesmo com a perda de força recente, o papel ainda acumulava valorização relevante em relação aos cerca de R$ 30 observados no início do ano.

O esboço que serviu de base para esta matéria destaca justamente a dúvida dos investidores sobre até onde a Petrobras pode cair com a normalização do petróleo e se os preços próximos de R$ 37 já representariam uma oportunidade de entrada.
Queda do Brent pressiona PETR4
O petróleo Brent era negociado próximo de US$ 71,72 por barril nesta sexta-feira, 3 de julho, com queda de aproximadamente 0,30% na semana. A commodity voltou aos níveis anteriores ao conflito após sinais de retomada da oferta e avanço das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
A redução da tensão geopolítica diminuiu o risco de interrupção das exportações pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o abastecimento mundial. Ao mesmo tempo, produtores do Golfo ampliaram a oferta e parte do tráfego de petroleiros foi restabelecida.
Em apenas um mês, o Brent acumulou queda superior a 26%, depois de ter alcançado níveis próximos de US$ 126 durante o período mais crítico da guerra.
Para a Petrobras, um petróleo mais barato tende a reduzir a receita obtida com a exportação de óleo e pode limitar a geração de caixa do segmento de exploração e produção. O impacto, entretanto, não ocorre de maneira automática ou na mesma proporção da queda da commodity.
Isso acontece porque a companhia possui operações integradas de produção, refino, comercialização, gás e logística. Além disso, os preços domésticos da gasolina e do diesel não são reajustados diariamente de acordo com as oscilações internacionais.
BofA reduz preço-alvo de Petrobras para R$ 55
O Bank of America reduziu o preço-alvo de PETR4 de R$ 65 para R$ 55, uma revisão negativa de aproximadamente 15%. Para os recibos de ações negociados nos Estados Unidos, a projeção caiu de US$ 24,80 para US$ 22.
A revisão considerou a redução das projeções para o petróleo, a normalização gradual do Estreito de Ormuz e a valorização do real. O banco passou a trabalhar com um Brent médio de US$ 82 em 2026 e de US$ 70 em 2027.
Apesar do corte, o BofA manteve recomendação de compra para a Petrobras. A instituição considera que a estatal continua apresentando forte geração de caixa, produção crescente e potencial de retorno aos acionistas.
Considerando PETR4 próxima de R$ 37,96, o preço-alvo de R$ 55 representaria uma valorização potencial de aproximadamente 44,89%.
| Instituição | Preço-alvo de PETR4 | Potencial aproximado |
| Bank of America | R$ 55,00 | 44,89% |
| XP Investimentos | R$ 63,00 | 65,96% |
| Cotação de referência | R$ 37,96 | — |
Os potenciais foram calculados sobre a cotação de referência de R$ 37,96 e não representam garantia de valorização.
XP vê PETR4 chegando a R$ 63
A XP adotou uma projeção ainda mais otimista. Em junho, a instituição elevou o preço-alvo da Petrobras de R$ 47 para R$ 63 e manteve recomendação de compra.
A casa projeta fluxo de caixa livre ao acionista de US$ 6,60 bilhões em 2026, equivalente a um retorno estimado de 8,50%. Para 2027, a expectativa aumenta para US$ 8,20 bilhões, com rendimento potencial de 10,60%.
A projeção considera produção maior, recuperação da geração de caixa e capacidade de manter distribuições relevantes. Entretanto, a XP também elevou suas estimativas de investimentos em aproximadamente 9% para 2026 e 2027, o que reduziu em 14% a previsão de fluxo de caixa livre para 2026.
Isso ajuda a explicar por que o mercado mantém cautela, mesmo diante de preços-alvo elevados. Quanto maior o volume de investimentos, menor tende a ser o dinheiro disponível no curto prazo para dividendos extraordinários.
Dividendos da Petrobras podem diminuir?
A Petrobras encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 15,60 bilhões e anunciou R$ 8,10 bilhões em juros sobre capital próprio. O resultado foi apoiado por exportações recordes e pelo crescimento da produção, que compensaram uma queda anual de 14,70% no preço do Brent.
Esse desempenho mostra que a companhia consegue preservar resultados mesmo em períodos de petróleo mais fraco, principalmente quando eleva a produção e as vendas externas.
Por outro lado, os dividendos deixaram de apresentar os níveis excepcionais registrados entre 2021 e 2023. A atual estratégia da administração prioriza a expansão da produção, a modernização das refinarias e novos projetos de gás, fertilizantes e energia de baixo carbono.

O Plano de Negócios 2026-2030 prevê US$ 69,20 bilhões somente para projetos de exploração e produção. Desse total, 62% serão destinados ao pré-sal, 24% a campos do pós-sal e 10% à exploração de novas áreas.
O investimento elevado pode fortalecer a capacidade de produção no longo prazo, mas também aumenta a competição pelo caixa da companhia.
PETR4 está barata aos R$ 38?
A resposta depende principalmente do perfil e do horizonte do investidor. Aos níveis próximos de R$ 38, PETR4 negocia muito abaixo dos preços-alvo de R$ 55 e R$ 63 estabelecidos pelo BofA e pela XP. Isso, isoladamente, poderia indicar uma margem de valorização expressiva.
Entretanto, o desconto também reflete riscos específicos:
- possibilidade de novas quedas do petróleo;
- aumento do volume de investimentos;
- redução dos dividendos extraordinários;
- defasagem entre combustíveis domésticos e preços internacionais;
- interferência política na administração da companhia;
- mudanças na estratégia após as eleições de 2026.
A XP aponta justamente a queda do petróleo, o consumo de caixa em novos projetos, os riscos operacionais e a possível defasagem dos combustíveis como os principais fatores que podem comprometer a tese de investimento.
O que esperar das ações da Petrobras?
No curto prazo, PETR4 deve continuar acompanhando as negociações no Oriente Médio e o comportamento do Brent. Uma consolidação do petróleo abaixo de US$ 70 poderia aumentar a pressão sobre as ações e reduzir as projeções de geração de caixa.
Por outro lado, uma produção maior, custos competitivos no pré-sal e disciplina financeira podem sustentar os resultados mesmo em um ambiente menos favorável para a commodity.
A faixa entre R$ 37 e R$ 38 pode ser considerada um ponto de entrada gradual por investidores que ainda não possuem exposição à companhia e aceitam sua volatilidade. Isso não significa, porém, que o papel tenha encontrado um piso definitivo.
A estratégia mais prudente pode ser construir a posição em etapas, evitando concentrar todo o investimento em uma única cotação. O próximo balanço será importante para mostrar se o crescimento da produção continuará compensando a queda do petróleo e quanto dinheiro estará disponível para dividendos.
A Petrobras permanece uma das empresas mais lucrativas e relevantes da Bolsa brasileira, mas PETR4 dificilmente será uma ação de trajetória linear. O potencial de valorização continua elevado nas projeções dos bancos, enquanto os riscos políticos, o petróleo mais barato e os investimentos bilionários recomendam cautela.
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