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PETR4 cai para R$ 38 e dividendos da Petrobras chamam atenção

Com PETR4 negociada perto de R$ 38, investidores avaliam o potencial de novos proventos, o avanço da produção e as oportunidades da Margem Equatorial.
Luciana RibeiroPor Luciana Ribeiro1 de julho de 20267 minutos lidos
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PETR4 cai para R$ 38 e dividendos da Petrobras chamam atenção
PETR4 cai para R$ 38 e dividendos da Petrobras chamam atenção

A possibilidade de a Petrobras distribuir mais de R$ 10 por ação voltou a ganhar espaço entre investidores após a queda recente de PETR4 e a divulgação das projeções financeiras da companhia para os próximos cinco anos.

Apesar do potencial de geração de caixa da estatal, não existe, até o momento, anúncio oficial de pagamento de R$ 10 por ação em um único exercício. Esse valor deve ser tratado como uma projeção acumulada de longo prazo, condicionada ao preço do petróleo, à produção, aos investimentos, ao endividamento e às decisões do Conselho de Administração.

No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras estima distribuir entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões em dividendos ordinários durante o período. A projeção considera a manutenção da política atual e a capacidade esperada de geração de fluxo de caixa livre.

Convertido para reais e dividido pelo número de ações da companhia, esse intervalo pode representar aproximadamente R$ 18 a R$ 20 por ação ao longo de cinco anos, dependendo da taxa de câmbio e da quantidade de papéis em circulação.

Tem Petrobras (PETR4) na carteira? Estatal turbina provento aos acionistas  após atualização pela Selic - Seu Dinheiro

Na prática, a média ficaria próxima de R$ 3,60 a R$ 4 por ação a cada ano. Entretanto, os pagamentos não devem ocorrer de forma linear. Em períodos de petróleo mais caro e investimentos menores, os dividendos podem aumentar. Em ciclos de baixa do Brent ou de expansão dos investimentos, os valores podem diminuir.

Quanto a Petrobras já anunciou para 2026?

A Petrobras aprovou em maio o pagamento de R$ 9 bilhões em remuneração aos acionistas, correspondente a aproximadamente R$ 0,70 por ação ordinária ou preferencial.

O valor será pago em duas parcelas:

ParcelaData de pagamentoValor bruto por açãoForma
Primeira parcela20 de agosto de 2026R$ 0,35Juros sobre capital próprio
Segunda parcela21 de setembro de 2026R$ 0,35Juros sobre capital próprio

Por se tratar de juros sobre capital próprio, haverá retenção de Imposto de Renda, salvo para investidores legalmente isentos. As ações passaram a ser negociadas sem direito a esses proventos após a data de corte definida pela empresa.

Além desse pagamento, os acionistas receberam em maio e junho parcelas referentes aos resultados do quarto trimestre de 2025, totalizando cerca de R$ 0,63 por ação antes dos ajustes e impostos.

Os números mostram que a estatal continua remunerando seus investidores, mas também evidenciam que a previsão de mais de R$ 10 por ação em apenas um ano exigiria uma geração de caixa extraordinariamente elevada.

Lucro de R$ 32,7 bilhões sustenta pagamento de proventos

A Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,7 bilhões. Desconsiderando eventos considerados não recorrentes, o lucro ficou em R$ 23,8 bilhões, com recuo de 7,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

O EBITDA ajustado, sem eventos exclusivos, alcançou R$ 61,7 bilhões, alta de 4,5% diante do quarto trimestre de 2025. O resultado foi favorecido pelo aumento das vendas de derivados e pela redução de determinadas despesas operacionais.

A produção própria também atingiu um recorde trimestral de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Ao mesmo tempo, o fator de utilização das refinarias chegou a 95%, enquanto a produção de derivados avançou 6,7% na comparação trimestral.

Esses indicadores reforçam a capacidade operacional da companhia. Entretanto, lucro contábil elevado não significa que todo o dinheiro poderá ser distribuído. Parte dos recursos precisa financiar novos projetos, manutenção de plataformas, exploração, refino, transição energética e pagamento de dívidas.

Queda do petróleo pressiona PETR4

As ações preferenciais da Petrobras voltaram a ser negociadas próximas de R$ 38 após a redução dos preços internacionais do petróleo e a diminuição dos riscos imediatos de interrupção no fornecimento global.

No fim de junho, o petróleo Brent caiu para a região de US$ 72 a US$ 73 por barril, após ter alcançado valores muito mais elevados durante o período de tensão no Oriente Médio. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a commodity poderia se estabilizar entre US$ 72 e US$ 75 por barril, embora o mercado ainda apresentasse riscos geopolíticos.

Um Brent mais baixo tende a reduzir a receita obtida com a venda do petróleo produzido pela companhia. Isso pode afetar o lucro, o fluxo de caixa livre e, consequentemente, os dividendos.

Por outro lado, a Petrobras possui ativos altamente produtivos no pré-sal, que apresentam custos de extração competitivos. Essa característica permite que a empresa continue gerando caixa mesmo em cenários de preços menos favoráveis, embora não a torne imune às oscilações da commodity.

PETR4 está barata?

Com PETR4 perto de R$ 38, alguns indicadores mostram que a ação continua sendo negociada com múltiplos inferiores aos observados em grandes companhias internacionais do setor.

O EV/EBITDA da Petrobras aparece próximo de 3,6 vezes, enquanto empresas globais podem negociar com múltiplos superiores. Esse desconto, contudo, não significa que a ação necessariamente dobrará ou triplicará.

O mercado costuma aplicar um desconto à Petrobras por diferentes fatores:

  • controle acionário do governo federal;
  • risco de interferência na política de combustíveis;
  • necessidade elevada de investimentos;
  • volatilidade do petróleo;
  • exposição ao câmbio;
  • incerteza sobre dividendos extraordinários;
  • riscos ambientais e regulatórios.

Por esse motivo, uma projeção baseada simplesmente no retorno do múltiplo para seis ou oito vezes o EBITDA pode superestimar o preço justo da ação.

Uma reprecificação pode ocorrer caso a empresa mantenha disciplina financeira, amplie a produção e preserve sua política de dividendos. Contudo, afirmar que PETR4 possui valorização garantida de 100%, 300% ou mais não encontra respaldo em uma previsão oficial.

Margem Equatorial pode ser um novo pré-sal?

A Margem Equatorial é considerada uma das principais oportunidades de exploração da Petrobras para as próximas décadas. A região se estende pelo litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte e apresenta características geológicas semelhantes às de áreas produtoras descobertas em países vizinhos.

No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras reservou US$ 2,5 bilhões para a Margem Equatorial e pretende perfurar 15 poços exploratórios durante os próximos cinco anos.

O potencial é relevante, mas ainda não é possível afirmar que a região duplicará a produção ou o lucro da companhia. A exploração ocorre em etapas:

  1. obtenção das licenças ambientais;
  2. perfuração dos poços de pesquisa;
  3. confirmação da existência de petróleo;
  4. avaliação do volume e da qualidade das reservas;
  5. comprovação da viabilidade econômica;
  6. desenvolvimento da infraestrutura de produção.

Mesmo quando uma descoberta é considerada comercial, podem ser necessários vários anos até o início efetivo da extração.

A Petrobras já encontrou petróleo nos poços Pitu Oeste e Anhangá, na Bacia Potiguar, mas informou que estudos adicionais ainda são necessários para determinar a viabilidade econômica das descobertas.

Portanto, a Margem Equatorial representa uma oportunidade estratégica, mas não deve ser incorporada integralmente ao valor da empresa antes da confirmação das reservas e da aprovação dos projetos.

Três cenários possíveis para os dividendos da Petrobras

CenárioCondições principaisPossível efeito
PositivoBrent valorizado, produção crescente e investimentos controladosDividendos maiores e valorização de PETR4
ModeradoPetróleo entre US$ 60 e US$ 75 e execução normal do planoProventos recorrentes, mas sem pagamentos excepcionais
NegativoQueda forte do Brent, aumento do capex ou interferência políticaRedução do fluxo de caixa e dos dividendos

O cenário positivo poderia permitir pagamentos acumulados superiores a R$ 10 por ação durante alguns anos. No entanto, a previsão oficial de US$ 45 bilhões a US$ 50 bilhões em dividendos entre 2026 e 2030 indica uma remuneração mais moderada do que as estimativas extremamente otimistas divulgadas nas redes sociais.

Petrobras ainda pode entregar retorno relevante?

A Petrobras reúne três fatores que continuam atraindo investidores: grande capacidade de produção, ativos competitivos no pré-sal e histórico de distribuição de dividendos.

O retorno futuro, porém, dependerá da combinação entre valorização das ações, pagamentos de proventos e reinvestimento dos valores recebidos. Os ganhos expressivos observados em determinados períodos não devem ser projetados automaticamente para os próximos cinco ou dez anos.

Para o investidor de longo prazo, o ponto central não é apenas saber quanto a Petrobras poderá pagar em um trimestre, mas avaliar se a companhia conseguirá manter produção crescente, controle da dívida, investimentos rentáveis e uma política previsível de remuneração aos acionistas.

PETR4 pode continuar oferecendo dividendos relevantes e até se beneficiar de uma futura reprecificação. Entretanto, projeções de alta de 300%, retorno anual de 40% ou distribuição de R$ 98 por ação devem ser tratadas como cenários altamente especulativos, e não como estimativas confirmadas.

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Luciana Ribeiro
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Luciana Ribeiro é contadora e consultora tributária com mais de 12 anos de experiência no setor fiscal. Especialista em legislação tributária e Imposto de Renda, produz conteúdos práticos que ajudam pessoas e empresas a se manterem em dia com suas obrigações fiscais e evitarem erros na declaração.

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