A Ferbasa (FESA3/FESA4) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um balanço de forte contraste. A companhia registrou uma recuperação expressiva do Ebitda ajustado na comparação com o trimestre anterior, mas ainda terminou o período com prejuízo líquido de R$ 2,4 milhões, margem líquida negativa de 0,5%.
O Ebitda ajustado somou R$ 44,1 milhões no 1T26, alta de 925,6% em relação ao 4T25, quando havia ficado em apenas R$ 4,3 milhões. Apesar do salto sequencial, o indicador ainda ficou 27,8% abaixo do registrado no 1T25, refletindo queda no volume de vendas, dólar médio menor e custos de produção mais elevados.
Na prática, o resultado mostra que a Ferbasa conseguiu melhorar sua geração operacional em relação ao fim de 2025, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar essa recuperação em lucro líquido consistente.
Receita cai com menor volume de vendas
A receita líquida consolidada da Ferbasa somou R$ 506,4 milhões no primeiro trimestre de 2026. O valor representa queda de 16% em relação ao 4T25 e recuo de 7,9% frente ao 1T25.
Segundo a companhia, a retração em relação ao trimestre anterior foi explicada principalmente pela queda de 13,5% no volume vendido de ferroligas e pela desvalorização de 1,5% no dólar médio praticado. Esses efeitos foram parcialmente compensados por alta de 0,9% no preço médio das ligas em dólar.
A produção de ferroligas também recuou. No 1T26, foram produzidas 72,6 mil toneladas, queda de 2,9% contra o 4T25 e de 4,3% na comparação anual. O desempenho refletiu redução nas ligas de cromo, parcialmente compensada por aumento nas ligas de silício.
Custos seguem como principal desafio
O ponto mais sensível do balanço da Ferbasa está nos custos. O custo sobre a receita chegou a 90,6% no 1T26, acima dos 89,7% registrados no 4T25 e dos 86,5% do 1T25.
Esse dado ajuda a explicar por que a empresa teve melhora relevante no Ebitda, mas ainda fechou o trimestre no prejuízo. A pressão sobre os custos reduziu o espaço para expansão das margens e limitou o impacto positivo da recuperação operacional.
Além disso, o resultado financeiro líquido foi positivo em R$ 18,5 milhões, mas ficou 52,9% abaixo do trimestre anterior. A empresa informou que o desempenho foi afetado pela queda da receita financeira e pela oscilação negativa da variação cambial líquida.
Principais números da Ferbasa no 1T26
| Indicador | 1T26 | 4T25 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 506,4 milhões | R$ 602,6 milhões | -16,0% |
| Ebitda ajustado | R$ 44,1 milhões | R$ 4,3 milhões | +925,6% |
| Margem Ebitda | 8,7% | 0,7% | +8 p.p. |
| Lucro/prejuízo líquido | -R$ 2,4 milhões | R$ 99,8 milhões | Reversão |
| Margem líquida | -0,5% | 16,6% | Queda |
| Capex | R$ 40,6 milhões | R$ 111,8 milhões | -63,7% |
| Caixa líquido | R$ 731 milhões | R$ 718,4 milhões | +R$ 12,6 milhões |
Prejuízo reverte lucro do trimestre anterior
A Ferbasa havia registrado lucro líquido de R$ 99,8 milhões no 4T25. No entanto, a própria companhia destacou que aquele resultado foi beneficiado por efeitos não recorrentes, como o impacto positivo de R$ 50,1 milhões do valor justo do ativo biológico e receita com recuperação de créditos tributários.
No 1T26, sem o mesmo peso desses efeitos extraordinários, o resultado líquido refletiu de forma mais direta a pressão operacional: menor receita, queda de volumes, custos elevados e piora no resultado financeiro.
Outro fator citado pela empresa foi o prejuízo de R$ 14,4 milhões da BW Guirapá no trimestre, acima do prejuízo de R$ 3,6 milhões registrado no 4T25.
Caixa líquido de R$ 731 milhões é o principal ponto positivo
Apesar do prejuízo, a Ferbasa manteve uma posição financeira confortável. A companhia encerrou março de 2026 com reserva financeira consolidada de R$ 1,092 bilhão. Descontada a dívida consolidada de R$ 361,4 milhões, o caixa líquido ficou em R$ 731 milhões.
Esse caixa líquido foi R$ 12,6 milhões superior ao registrado no fim de 2025. Para uma empresa industrial exposta a ciclos de commodities, câmbio e custos de energia, essa posição financeira funciona como uma proteção importante em momentos de margem apertada.
A empresa também reduziu o ritmo de investimentos. O Capex somou R$ 40,6 milhões no 1T26, queda de 63,7% em relação ao 4T25. Os principais aportes foram direcionados a máquinas, equipamentos, ativo biológico e desenvolvimento de minas.
Ferbasa segue relevante no setor de ferroligas
A Ferbasa é líder nacional na produção de ferroligas e a única produtora integrada de ferrocromo nas Américas, com atuação em metalurgia, mineração, recursos florestais e energia renovável.
A companhia atende principalmente o setor siderúrgico e a produção de aços inoxidáveis e especiais, com presença no mercado nacional e exportações para regiões como União Europeia, Japão, China e Estados Unidos.
Esse posicionamento dá relevância estratégica à empresa, mas também aumenta sua exposição a variáveis externas, como preço internacional de ligas metálicas, demanda global por aço, dólar, custo de energia e insumos industriais.
Veredito: balanço neutro, com sinal amarelo nas margens
O resultado da Ferbasa no 1T26 pode ser classificado como neutro. A melhora expressiva do Ebitda em relação ao 4T25 e o caixa líquido robusto são pontos positivos. Porém, o prejuízo líquido, a queda da receita e a pressão dos custos impedem uma leitura claramente favorável.
Para os próximos trimestres, os principais pontos de atenção serão a recuperação dos volumes vendidos, a evolução dos custos de produção, o comportamento do dólar e a capacidade da empresa de converter sua força operacional em lucro líquido.
A Ferbasa continua financeiramente sólida, mas o balanço mostra que a melhora operacional ainda não foi suficiente para afastar os efeitos de um ambiente difícil para margens. O esboço enviado já apontava esse contraste entre salto do Ebitda e prejuízo líquido, mas a leitura atualizada dos dados oficiais mostra que o ponto central do balanço é a pressão persistente dos custos sobre a rentabilidade.
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