O fundo imobiliário TIGAR11 protagonizou uma das quedas mais expressivas do mercado de FIIs nos últimos anos. Em poucos dias, a cota acumulou recuo próximo de 15%, incluindo uma desvalorização superior a 10% em um único pregão, algo raro dentro do segmento imobiliário.
A movimentação abrupta surpreendeu investidores e levantou dúvidas sobre a real situação do fundo, que até então figurava entre os mais comentados do mercado, com uma base próxima de 100 mil cotistas.
Por que o TIGAR11 caiu tão forte?
A queda não foi aleatória. Ela tem motivação clara e objetiva:
revisão negativa do guidance de rendimentos para o primeiro semestre de 2026.
O fundo informou que a nova expectativa de distribuição passou a ficar no intervalo entre R$ 0,70 e R$ 1,00 por cota, abaixo do patamar histórico recente. O mercado, que precifica FIIs essencialmente pela renda futura, reagiu de forma imediata e intensa.
Na prática, a expectativa predominante passou a ser de rendimentos mais próximos da faixa intermediária, em torno de R$ 0,85 por cota, o que representa queda relevante frente aos pagamentos anteriores.
Entendendo o risco: TIGAR11 é um fundo de desenvolvimento
O TIGAR11 pertence ao segmento de desenvolvimento imobiliário, um dos mais arriscados dentro do universo dos fundos imobiliários.
Diferente dos FIIs de tijolo tradicionais (shoppings, lajes, galpões) ou dos fundos de papel, o fundo de desenvolvimento:
Investe em projetos imobiliários ainda em fase de obra
Depende da venda dos ativos para gerar receita
Sofre forte impacto do ciclo econômico e dos juros
Ou seja, não há previsibilidade mensal de aluguel. A renda depende diretamente da velocidade de vendas dos empreendimentos.
Selic alta trava vendas e afeta o caixa
O principal fator por trás da revisão de rendimentos é o cenário macroeconômico:
Selic em patamar elevado, próxima de 15% ao ano
Financiamentos imobiliários mais caros e restritivos
Menor demanda por compra de imóveis e lotes
Atrasos na liberação de crédito bancário
Esse efeito em cadeia reduz o volume de vendas, atrasa recebimentos e pressiona diretamente o fluxo de caixa do fundo — impactando os rendimentos distribuídos aos cotistas.
Histórico recente já mostrava sinais de alerta
A queda atual não surgiu do nada. Desde 2024, o TIGAR11 vem passando por um processo gradual de redução de renda:
Pagamentos acima de R$ 1,30 no passado
Redução progressiva para a faixa de R$ 1,10
Estabilização em torno de R$ 1,00 ao longo de 2025
Agora, nova projeção inferior para 2026
No mercado de FIIs, a lógica é simples:
📉 renda cai → cota cai.
📈 renda sobe → cota reage positivamente.
A diferença desta vez foi a velocidade da correção, que ocorreu de forma abrupta.
O desconto ficou exagerado?
Com a forte desvalorização recente, o TIGAR11 passou a ser negociado com desconto próximo de 25% sobre o valor patrimonial, algo que naturalmente chama atenção.
Se os rendimentos se estabilizarem em torno de R$ 0,85 por cota, o retorno anualizado gira em torno de 12% a 13%, o que, isoladamente, pode parecer atrativo.
No entanto, esse retorno vem acompanhado de alto risco operacional e macroeconômico.
Comprar, vender ou manter TIGAR11?
A decisão depende diretamente do perfil do investidor:
🔹 Para quem já é cotista
Vender após uma queda tão forte pode significar realizar prejuízo no pior momento
O fundo ainda possui ativos e uma tese que depende do ciclo econômico
A recuperação, se vier, tende a ser lenta e condicionada à queda dos juros
🔹 Para novos investidores
O fundo não é indicado para perfis conservadores
Exige tolerância a volatilidade e entendimento profundo do segmento
Não se encaixa na carteira da maioria dos investidores focados em previsibilidade
Existe luz no fim do túnel?
Sim, mas ela depende de fatores externos:
Queda consistente da Selic
Retomada do crédito imobiliário
Aceleração da atividade econômica
Normalização do fluxo de vendas dos projetos
Esse cenário pode acontecer, mas não é imediato. Pode levar meses ou até mais de um ano para se refletir nos resultados.
A forte queda do TIGAR11 não é fruto de pânico irracional, mas de uma mudança concreta na expectativa de renda. O fundo segue sendo uma aposta de alto risco, altamente sensível ao ciclo econômico.
Para o investidor que busca tranquilidade, previsibilidade e renda estável, o TIGAR11 não é o ativo ideal. Já para perfis mais experientes, que entendem o risco e trabalham com visão tática, o fundo pode ser acompanhado com cautela.
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