A semana começou com forte otimismo nos mercados internacionais, em clima de “Super Quarta”, quando o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, deve anunciar um corte de 0,25 ponto percentual nos juros. A expectativa é reforçada pela divulgação do gráfico de pontos (dot plot), que deve indicar o ritmo de afrouxamento monetário até 2026.
O pano de fundo é considerado positivo: uma economia americana que, mesmo em desaceleração, segue relativamente saudável, com projeção de crescimento em torno de 1,5% para 2025. Esse cenário fortalece a percepção de que a política monetária pode ser mais flexível sem comprometer a estabilidade.
Bolsas no mundo em máximas históricas
O otimismo é evidente nos índices globais. O S&P 500 avança para novos recordes em 6.613 pontos, enquanto o Nasdaq sobe 0,83%. Já o Dow Jones opera estável, mas sustentado em patamares elevados.
Na Europa, o Euro Stoxx 50 subiu 0,92% e a Alemanha avançou 0,21%, apesar do rebaixamento da nota de crédito da França pela Fitch, o que acende alertas sobre a saúde fiscal do país. Londres encerrou o pregão praticamente estável.
Na América Latina, as bolsas também acompanham o movimento. O México acumula alta de 42% em dólar em 2025, enquanto Brasil e Chile sobem cerca de 39% e 51%, respectivamente.
Real em destaque e fluxo estrangeiro em emergentes
A moeda brasileira continua surpreendendo investidores. O real se fortaleceu para R$ 5,31, mesmo diante da percepção de déficit no fluxo cambial. A atratividade vem dos juros elevados no país, considerados os mais generosos do mundo, e do movimento global em busca de moedas emergentes em meio ao enfraquecimento do dólar.
De acordo com dados de ETFs, só na última semana ingressaram US$ 2,7 bilhões em emergentes, mais do que o dobro do volume da semana anterior. “Quem não está olhando para mercados emergentes está perdendo um belo rally”, avaliam analistas.
China volta ao radar, mas com sinais de fraqueza
A segunda maior economia do mundo divulgou dados decepcionantes: a produção industrial cresceu apenas 5,2% (contra 5,8% esperados), e as vendas no varejo avançaram 3,4%, abaixo das previsões. Além disso, o setor imobiliário segue em retração, com queda de 3,5% nos preços de imóveis usados.
O mercado, no entanto, reage com esperança de novos estímulos por parte do governo chinês e do Banco Popular da China.
Commodities e ouro seguem firmes
O minério de ferro voltou a se aproximar da máxima de um ano, cotado a US$ 107,10 por tonelada. O cobre também subiu 1,63%, beneficiado pelo dólar fraco. Já o ouro, tradicional ativo de proteção, registra valorização de 0,87%, reforçando o apetite por ativos reais em meio ao cenário de corte de juros.
E o Brasil?
O Ibovespa avançou 1% e se aproxima de novas máximas históricas, impulsionado pelo fluxo estrangeiro e pela expectativa de que o corte de juros nos EUA favoreça ativos de risco. Mesmo com a economia brasileira em desaceleração o IBC-Br caiu 0,5% em julho, quinta queda consecutiva, a atratividade dos juros locais e o cenário global sustentam a entrada de capital.
Internamente, o Banco Central deve manter o discurso de cautela, reforçando que os juros altos permanecerão por um período prolongado, mesmo com pressões políticas por afrouxamento mais rápido.
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