O mercado financeiro amanheceu em clima de forte euforia após o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que colocou Flávio Bolsonaro em vantagem na disputa.
Segundo a análise apresentada pela jornalista econômica Giane Guerra, a reação estaria diretamente relacionada à expectativa de investidores sobre a condução das contas públicas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
A principal palavra para entender o movimento é fiscal.
Na avaliação relatada durante a transmissão, agentes do mercado enxergariam Flávio como um nome potencialmente mais comprometido com controle de gastos, reformas econômicas e medidas favoráveis ao ambiente de negócios do que o presidente Lula.
Outro fator apontado seria o avanço de candidatos de direita também no Congresso. Para investidores, uma eventual base parlamentar mais alinhada poderia facilitar a aprovação de medidas econômicas caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno.
Bolsa dispara e bate recorde
A reação começou antes mesmo da abertura oficial do mercado brasileiro.
Ainda durante a noite, ações de empresas brasileiras negociadas no exterior já apresentavam forte valorização.
Pela manhã, indicadores ligados ao mercado brasileiro no exterior registravam ganhos superiores a 13%, conforme relatado na transmissão.
Na abertura do mercado futuro, o movimento continuou.
O Ibovespa teria chegado a avançar mais de 8% por volta das 10h, alcançando a marca histórica de aproximadamente 209 mil pontos.
Dólar cai mais de 5%
Enquanto a Bolsa subia, o dólar seguia na direção oposta.
A moeda americana teria registrado queda superior a 5%, sendo negociada abaixo dos R$ 5.
Esse movimento normalmente ocorre quando há aumento da entrada de capital estrangeiro e melhora da percepção de risco sobre o país.
Juros futuros também recuam
Outro sinal importante veio do mercado de juros.
As taxas futuras apresentaram forte queda.
A lógica dos investidores seria relativamente simples: se houver maior controle das contas públicas, a pressão sobre a inflação pode diminuir.
Com inflação mais controlada, aumenta a possibilidade de o Banco Central reduzir a taxa Selic de maneira mais intensa no futuro.
E como o mercado financeiro trabalha antecipando cenários, essa expectativa já começa a aparecer nos preços dos ativos.
Petrobras, bancos e varejo disparam
Entre as ações com maiores altas aparecem alguns dos maiores nomes da Bolsa brasileira.
Petrobras avançou com força, enquanto bancos como Bradesco, Itaú e Banco do Brasil também registraram valorização expressiva.
Mas um dos movimentos mais impressionantes ocorreu no varejo.
As ações do Magazine Luiza, o Magalu, teriam disparado mais de 25%.
Empresas varejistas costumam ser bastante sensíveis às taxas de juros. Quanto menor o custo do crédito, maior tende a ser o potencial de consumo das famílias e de recuperação das vendas.
A mesma lógica ajudou a impulsionar ações de construtoras.
Juros menores tornam financiamentos imobiliários mais acessíveis e reduzem o custo de capital das empresas do setor.
A euforia pode desaparecer?
Apesar da forte alta, há um alerta importante.
O mercado financeiro não reage apenas ao presente. Ele negocia principalmente expectativas sobre o futuro.
Por isso, uma alta tão intensa pode ser revertida rapidamente caso o cenário esperado pelos investidores não se confirme.
Se os resultados das próximas etapas da eleição mudarem a perspectiva política ou se, futuramente, um eventual governo não entregar disciplina fiscal, reformas e controle dos gastos públicos, o mercado pode simplesmente “devolver” os ganhos.
Em outras palavras: o pregão pode estar celebrando hoje aquilo que espera que aconteça amanhã.
E é justamente aí que está o risco.
A euforia desta segunda-feira não representa apenas uma reação eleitoral. Ela é uma gigantesca aposta do mercado sobre qual será o rumo da economia brasileira nos próximos anos.
