A PRIO (PRIO3) está entrando em uma fase que pode mudar a relação da companhia com seus acionistas. Depois de anos priorizando aquisições, expansão e reinvestimento, a petroleira aumentou a geração de caixa, reduziu a alavancagem e colocou uma pergunta no centro das atenções do mercado: quando os dividendos vão chegar?

Por enquanto, é importante separar expectativa de fato. Até 5 de outubro de 2026, a companhia não havia anunciado um novo pagamento de dividendos nem divulgado uma política formal de remuneração ao acionista em sua área de comunicados.

O cenário, porém, mudou bastante.

Caixa cresce e dívida recua

No segundo trimestre de 2026, a PRIO registrou EBITDA ajustado de US$ 879 milhões e lucro líquido de US$ 413 milhões, segundo levantamento da XP com base nos resultados da companhia.

A dívida líquida caiu US$ 326 milhões no trimestre, para US$ 4,05 bilhões, enquanto a relação dívida líquida/EBITDA recuou de 2 vezes para 1,5 vez.

E isso aconteceu mesmo com US$ 285 milhões em investimentos e US$ 114 milhões destinados à recompra de ações no período.

Indicador Situação no 2T26
EBITDA ajustado US$ 879 milhões
Lucro líquido US$ 413 milhões
Dívida líquida US$ 4,05 bilhões
Dívida líquida/EBITDA 1,5x
Recompra no trimestre US$ 114 milhões
Ações recompradas no 2T26 9,3 milhões

Os números ajudam a explicar por que dividendos passaram a ocupar espaço maior nas discussões sobre PRIO3.

Se não paga dividendos, como a PRIO devolve dinheiro?

Até aqui, uma das respostas tem sido a recompra de ações.

Quando uma empresa recompra seus próprios papéis e eventualmente os cancela, reduz o número de ações disponíveis, aumentando a participação econômica relativa dos acionistas remanescentes.

No fim de agosto, a própria PRIO informava possuir cerca de 77,7 milhões de ações em tesouraria, equivalentes a 8,91% do total de ações da companhia.

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Portanto, o acionista não deve observar apenas dividendos ao avaliar a estratégia de distribuição de capital da empresa.

E os dividendos?

A expectativa existe porque a combinação está se tornando mais favorável: maior produção, redução da alavancagem e perspectiva de diminuição de parte dos investimentos mais pesados.

A XP afirmou após o 2T26 que os investidores estariam concentrados justamente no anúncio de uma política formal de remuneração aos acionistas, destacando que a implementação já havia sido tratada como compromisso pela administração.

Mas isso não significa que exista pagamento garantido.

Nos últimos 12 meses, PRIO3 registrava dividend yield de 0%, sem novos proventos anunciados. Bases que acompanham informações da B3 apontam R$ 0,0726 por ação em dezembro de 2023 como o último provento registrado.

O próprio estatuto da PRIO estabelece um dividendo obrigatório mínimo bastante reduzido: 0,001% do lucro líquido ajustado, permitindo que parcela relevante dos resultados seja destinada à expansão e à Reserva de Investimentos.

Próxima data pode aumentar expectativa

O calendário oficial coloca os resultados do terceiro trimestre para 4 de novembro de 2026, com teleconferência no dia seguinte. O Investor Day está previsto para 7 de dezembro.

Essas datas naturalmente ganham importância para quem acompanha uma possível definição sobre remuneração aos acionistas.

A grande mudança da PRIO é justamente essa: uma companhia historicamente associada a crescimento e aquisições começa a gerar discussão também sobre distribuição de caixa.

Se dividendos relevantes realmente entrarem nessa equação, PRIO3 poderá ganhar um ingrediente que praticamente não fez parte de sua tese nos últimos anos.

Por enquanto, porém, o investidor deve guardar uma diferença essencial: o caixa existe e a expectativa aumentou — mas o dividendo ainda não foi anunciado.