O Bitcoin chega a um ponto decisivo exatamente um ano depois de registrar sua máxima histórica próxima de US$ 126 mil em 6 de outubro de 2025.
Desde então, a principal criptomoeda do mundo chegou a perder mais da metade do valor durante a correção, mas voltou a mostrar força nos últimos meses e alimenta uma pergunta que começa a circular novamente entre investidores: o grande fundo deste ciclo já aconteceu?
A tese ganhou força depois que o Bitcoin se recuperou das mínimas observadas em meados de 2026 e voltou a registrar semanas positivas, apoiado também pela recuperação dos fluxos para ETFs de Bitcoin.
A leitura, porém, está longe de representar consenso.
Bitcoin caiu mais de 50% desde o recorde
Na avaliação apresentada pelo analista Augusto Backes, o Bitcoin chegou a recuar aproximadamente 56% em relação ao topo histórico, antes de iniciar a recuperação mais recente.
Dados de mercado publicados nesta terça-feira, 6 de outubro, também mostram que o Bitcoin ainda está aproximadamente 32% abaixo do recorde alcançado um ano atrás.
A diferença em relação a ciclos anteriores é relevante.
Historicamente, grandes mercados de baixa do Bitcoin chegaram a provocar recuos superiores a 70%. A correção atual, embora severa, foi mais limitada do que algumas das maiores quedas já enfrentadas pela criptomoeda.
ETFs voltaram a colocar dinheiro no mercado
Outro fator que ajuda a explicar a recuperação é a melhora dos fluxos institucionais.
Os ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos voltaram a registrar entradas relevantes de recursos ao longo dos últimos meses, depois de enfrentarem períodos de fortes retiradas.
Em setembro, por exemplo, os ETFs à vista receberam quase US$ 1 bilhão em um único dia, um dos maiores fluxos positivos desde o lançamento desses produtos.
O movimento reforça a percepção de que investidores institucionais voltaram a demonstrar interesse pela criptomoeda.
O próprio Citigroup elevou recentemente sua projeção de 12 meses para o Bitcoin de US$ 82 mil para US$ 113 mil, citando aumento da atividade no mercado cripto, ambiente macroeconômico mais favorável e retomada dos fluxos para ETFs.
O fundo do Bitcoin já aconteceu?
Backes acredita que existe a possibilidade de o mercado ter construído um fundo relevante durante a correção de 2026.
Segundo ele, o Bitcoin iniciou uma recuperação após atingir a região próxima de US$ 57 mil entre o fim de junho e o começo de julho, acumulando depois vários meses de reação.
Isso não significa, entretanto, que a trajetória de alta deva acontecer em linha reta.
O analista considera que, depois da forte recuperação recente, o mercado pode estar mais próximo de uma nova correção de curto prazo do que de outra arrancada vertical.
A principal estratégia defendida por ele seria aguardar períodos de recuo para aumentar exposição, em vez de perseguir o preço depois de semanas consecutivas de valorização.
US$ 89 mil aparece como primeira grande barreira
Um dos pontos mais importantes agora está entre US$ 87 mil e US$ 92 mil.
Segundo a análise apresentada na transcrição, existe concentração significativa de ordens de venda nessa região, especialmente nas proximidades de US$ 89 mil.
Se o Bitcoin conseguir superar essa faixa com força, o mercado poderá abrir espaço para tentar níveis mais elevados.
Caso contrário, uma rejeição poderia provocar uma nova rodada de realização de lucros.
E os US$ 125 mil?
Mais adiante está uma resistência ainda maior: justamente a região próxima da máxima histórica.
Backes considera possível que o Bitcoin volte a testar os US$ 125 mil se a recuperação continuar até o fim do ano, mas alerta que a aproximação desse patamar tende a elevar significativamente a volatilidade.
Isso acontece porque investidores que compraram anteriormente podem aproveitar a volta aos antigos recordes para realizar lucros.
O primeiro teste da máxima histórica, portanto, não necessariamente significaria um rompimento imediato.
Uma nova queda ainda está no radar
Apesar de enxergar melhora na estrutura do Bitcoin, o analista não descarta outra correção forte durante o último trimestre de 2026.
Na avaliação dele, movimentos de realização podem surgir entre outubro e dezembro após um trimestre de valorização expressiva.
Ele trabalha com diferentes cenários de correção, desde recuos moderados até quedas mais acentuadas, antes de uma eventual retomada.
Por isso, a tese central não é de que o Bitcoin tenha entrado em uma trajetória de alta sem obstáculos.
A leitura é outra: se o fundo principal realmente ficou para trás, novas quedas poderiam funcionar mais como correções dentro de uma recuperação maior do que como o início de um novo colapso.
Ainda será necessário observar se o Bitcoin consegue superar as zonas de venda próximas de US$ 89 mil e US$ 92 mil antes de voltar a desafiar seu antigo recorde.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.
