O Bradesco apresentou um desempenho robusto no terceiro trimestre de 2025 (3T25), registrando lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões, um avanço de 18,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado consolida o movimento de recuperação da instituição, que vem entregando crescimento consistente trimestre após trimestre.
Após um período de reestruturação iniciado em 2023, marcado por provisões elevadas e compressão de margens, o banco mostra que a virada operacional está em andamento. A receita total teve forte expansão, impulsionada tanto pelo aumento da carteira de crédito quanto pelo desempenho sólido do braço de seguros e previdência, uma das áreas mais lucrativas do grupo.
Carteira de crédito cresce e inadimplência se estabiliza
A carteira de crédito ampliada atingiu cerca de R$ 1 trilhão, representando crescimento de quase 10% em doze meses. A melhora na originação de crédito vem acompanhada de maior eficiência na gestão de risco, ainda que o Bradesco mantenha exposição elevada ao varejo e à pessoa física — segmentos que tradicionalmente apresentam inadimplência mais alta.
O índice de atrasos acima de 90 dias recuou para 4,1%, mostrando estabilidade e tendência de queda gradual. Essa combinação de expansão da carteira e controle da inadimplência contribuiu para elevar as margens financeiras, que cresceram mais do que as provisões para devedores duvidosos (PDD).
Braço de seguros continua sendo trunfo
O segmento de seguros e previdência segue como um dos grandes destaques. Apenas essa divisão lucrou cerca de R$ 2,5 bilhões no trimestre, acumulando R$ 7,3 bilhões nos nove primeiros meses de 2025. Se fosse uma empresa listada, seria uma das maiores e mais rentáveis do setor de seguros brasileiro, sustentando o resultado consolidado do banco.
O desempenho reflete o aumento da base de clientes, o avanço das receitas com produtos de previdência e o bom retorno dos investimentos financeiros do portfólio. Mesmo em um ambiente de juros altos, o braço de seguros mantém rentabilidade acima da média do setor.
Margens, eficiência e Basileia em níveis saudáveis
A margem financeira líquida avançou cerca de 18%, refletindo spreads mais equilibrados e controle das despesas administrativas. O índice de eficiência melhorou em relação a 2024, mostrando ganhos na produtividade e redução de custos.
O índice de Basileia ficou próximo de 13,4%, nível considerado confortável, reforçando a solidez do balanço e a capacidade do banco de sustentar crescimento sem comprometer a segurança financeira.
Dividendos recordes e projeções para o fim do ano
Com lucros em alta e rentabilidade crescente, o Bradesco deve encerrar 2025 com pagamento recorde de dividendos e juros sobre capital próprio. Somente nos nove primeiros meses do ano, o montante distribuído já se aproxima do total pago em todo o exercício anterior.
A expectativa é que o total anual supere R$ 12 bilhões, impulsionado pelo desempenho operacional e pelo aumento da base de lucro. Contudo, o dividend yield tende a ficar entre 5% e 6%, uma vez que o preço das ações subiu fortemente desde o início do ano, reduzindo a rentabilidade percentual para novos investidores.
Perspectiva de mercado e avaliação das ações
As ações do Bradesco (BBDC4) acumulam valorização superior a 40% em 2025, reflexo da recuperação dos resultados e da confiança do mercado na gestão. O banco volta a ser visto como um dos players mais competitivos do setor privado, disputando espaço com o Itaú em crescimento e rentabilidade.
Entretanto, analistas destacam que, no preço atual, parte da melhora já está embutida nas cotações. O retorno sobre patrimônio (ROE) de aproximadamente 14,7% ainda é inferior ao do principal concorrente privado, o que limita o potencial de valorização no curto prazo.
Mesmo assim, o Bradesco mantém fundamentos sólidos, perspectiva de lucros crescentes e margens em recuperação, o que reforça sua atratividade para investidores de longo prazo que buscam estabilidade e pagamento consistente de dividendos.
O Bradesco encerra o 3T25 como um dos destaques do setor financeiro brasileiro, mostrando que o ciclo de reestruturação ficou para trás. Com lucros em alta, inadimplência sob controle e um braço de seguros altamente rentável, o banco confirma sua recuperação e promete dividendos históricos até o fim do ano.
Ainda que o valuation atual exija cautela, o cenário aponta para continuidade do crescimento gradual e sustentado, consolidando o Bradesco como uma das principais apostas de resiliência e geração de valor no sistema bancário nacional.
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