A Inow V35 chama atenção pela combinação de motor de 1.000 W, duas baterias e autonomia anunciada de até 120 quilômetros. Na prática, porém, a distância máxima não foi comprovada no percurso avaliado: o teste terminou após pouco mais de 30 quilômetros, quando o painel ainda oscilava entre três e quatro barras de carga.
Outro ponto merece atenção. Enquanto a ficha comercial consultada informa velocidade máxima de 32 km/h, a unidade avaliada indicou cerca de 48 km/h no modo mais alto e contava com acelerador de mão. Essa diferença não afeta apenas o consumo de energia. Ela também pode mudar a classificação do veículo perante as regras de trânsito.
Para o consumidor, a conclusão é direta: os 120 quilômetros devem ser entendidos como uma autonomia máxima anunciada, dependente de condições favoráveis, e não como alcance assegurado em qualquer trajeto. Antes da compra, também é essencial conferir a configuração de fábrica, a documentação e a velocidade efetivamente limitada.
Duas baterias explicam a promessa de maior alcance
A oferta comercial da Inow V35 informa duas baterias de 48 V e 15,6 Ah cada. Juntas, elas somam 31,2 Ah e aproximadamente 1,5 kWh de capacidade nominal de energia. É um conjunto relevante para um veículo urbano desse porte e ajuda a explicar a promessa de longo alcance.
Ainda assim, capacidade de bateria e autonomia não são a mesma coisa. O número de quilômetros por carga varia conforme peso do condutor e da bagagem, inclinação do percurso, vento, calibragem dos pneus, quantidade de paradas e arrancadas, nível de assistência, velocidade e estado das células.
O próprio uso observado reforça essa diferença. Em velocidade mais elevada, a estimativa feita durante a avaliação ficou perto de 60 quilômetros. Em condução moderada, a percepção apontou para algo próximo de 80 quilômetros. Como as baterias não foram descarregadas até o fim, esses números também não constituem uma medição conclusiva.
Além disso, barras de bateria no painel não costumam representar frações perfeitamente lineares da carga. O indicador pode cair sob esforço, como em uma subida, e voltar a subir quando a exigência do motor diminui.
Por isso, percorrer cerca de 30 quilômetros consumindo aparentemente apenas uma barra não permite projetar, de forma automática, alcance de 100 ou 120 quilômetros.
Ficha da Inow V35: o que é anunciado e o que exige cautela
| Item | Informação disponível | Por que importa | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Motor | 1.000 W | É o limite nominal previsto para bicicleta elétrica ou autopropelido nas condições da norma | Potência, sozinha, não define a categoria legal |
| Baterias | Duas unidades de 48 V e 15,6 Ah | Capacidade combinada de 31,2 Ah, ou cerca de 1,5 kWh nominais | Autonomia real depende das condições de uso |
| Autonomia | Até 120 km, segundo a oferta | Pode reduzir a frequência de recargas em trajetos urbanos | O percurso avaliado não esgotou as baterias nem confirmou os 120 km |
| Velocidade | 32 km/h na ficha comercial | Está dentro do teto aplicável a bicicleta elétrica e autopropelido | A unidade testada marcou aproximadamente 48 km/h no modo mais alto |
| Transmissão | Shimano de sete marchas | Permite ajustar a pedalada ao terreno | Em relações inadequadas, pedalar em baixa velocidade pode ser desconfortável |
| Rodas e suspensão | Pneus 20×4 e suspensão anunciada como hidráulica | Favorecem aderência e estabilidade | O conjunto é robusto e pode dificultar manobras sem assistência elétrica |
| Segurança e conveniência | Freios duplos a disco, iluminação, NFC, alarme e aplicativo | Agregam controle e praticidade | É importante testar cada função e confirmar garantia e assistência técnica |
Teste mostrou estabilidade, mas também peso e limitações
No percurso urbano, a Inow V35 transmitiu sensação de estabilidade e permaneceu firme em pisos irregulares. Os pneus largos e o conjunto de suspensão ajudam nesse comportamento, característica que pode interessar a quem pretende carregar pequenas compras ou trabalhar com entregas.
O outro lado é o peso percebido. A unidade foi descrita como difícil de levantar e menos ágil para mudanças rápidas de direção ou transposição de obstáculos.
Se a bateria acabar, houver uma pane ou for necessário subir escadas, guardar o veículo em apartamento ou transportá-lo em um carro, essa robustez pode se tornar uma limitação importante.
Em subida acentuada, o motor completou o trecho quando a bicicleta entrou com velocidade, mas demonstrou perda de força à medida que o ritmo caiu. Isso sugere que aclives fortes, carga elevada e saídas no meio de uma ladeira podem exigir auxílio dos pedais e consumir mais bateria.
A ergonomia também deve ser testada antes da compra. Na unidade avaliada, a posição do guidão sobrecarregou as costas, a manopla apresentou movimento e surgiu ruído possivelmente relacionado ao encaixe de uma das baterias.
Esses sinais podem decorrer da regulagem ou da montagem daquela unidade e não permitem concluir que sejam defeitos presentes em todas as bicicletas. Ainda assim, justificam uma inspeção cuidadosa no momento da entrega.
O acionamento por NFC igualmente merece verificação. A bicicleta avaliada pôde ser ligada sem a aproximação do cartão naquele momento, o que indica que o recurso não deve ser tratado automaticamente como substituto de uma trava física de qualidade.
Velocidade de 48 km/h pode mudar a classificação do veículo
A Resolução Contran nº 996/2023 define bicicleta elétrica como veículo com motor auxiliar de até 1.000 W, funcionamento apenas quando o condutor pedala, sem acelerador manual e com assistência limitada a 32 km/h.
Dentro dessas condições, registro, licenciamento, placa e habilitação são dispensados.
Já um equipamento autopropelido pode ter acelerador, mas precisa respeitar potência de até 1.000 W, velocidade máxima de fabricação de 32 km/h e limites dimensionais previstos na resolução. A classificação depende do conjunto das características, e não apenas do nome usado pelo vendedor.
Se uma unidade estiver configurada para atingir aproximadamente 48 km/h por meio do motor, ela ultrapassa o limite das duas categorias dispensadas de registro.
Em tese, um veículo elétrico de duas rodas com potência de até 4 kW e velocidade máxima de fabricação de até 50 km/h pode ser enquadrado como ciclomotor. Nesse caso, fica sujeito a registro, licenciamento, emplacamento, uso de capacete e condução por pessoa com ACC ou CNH categoria A.
Por isso, desbloquear o controlador para elevar a velocidade pode alterar o enquadramento jurídico e reduzir a autonomia.
Antes de circular em via pública, o comprador deve exigir do vendedor a configuração original, a nota fiscal, o manual, a identificação do modelo e a documentação necessária para a categoria correta. A leitura do painel de uma única unidade, isoladamente, não basta para determinar a classificação de toda a linha.
Preço varia e custo total vai além da compra
A avaliação tomada como referência citou valor próximo de R$ 8,5 mil em marketplace. Em 3 de agosto de 2026, a oferta consultada em loja especializada mostrava R$ 11.990.
A diferença reforça que preço, frete, garantia e configuração podem variar entre vendedores e ao longo do tempo.
Quem pretende usar a Inow V35 para entregas deve calcular o custo total da operação. Além do preço de compra, entram na conta a substituição futura das baterias, pneus, pastilhas e discos de freio, revisões, carregador, eventuais períodos sem trabalhar e disponibilidade de peças e assistência técnica na cidade.
A economia em relação a combustível ou transporte público dependerá da quilometragem mensal e dos custos de manutenção. Sem esses dados, não é possível afirmar um prazo de retorno do valor desembolsado.
Para uso profissional, garantia e tempo de reparo podem pesar tanto quanto a autonomia.
Para quem a proposta pode fazer sentido
A V35 apresenta uma configuração voltada a quem prioriza capacidade de bateria e estabilidade, especialmente em deslocamentos frequentes ou serviços de entrega. O cesto, a transmissão de sete marchas e as duas baterias ampliam a versatilidade.
Ela pode ser menos adequada para quem precisa carregar a bicicleta por escadas, colocá-la com frequência no porta-malas ou busca um modelo leve e ágil.
Também exige cautela de quem pretende circular em ciclovias ou sem habilitação, já que a configuração efetiva de velocidade e acionamento precisa estar de acordo com a categoria declarada.
O melhor critério não é apenas perguntar se a bicicleta “faz 120 quilômetros”, mas em quais condições esse número foi obtido.
Um teste completo, com bateria carregada, percurso conhecido, peso informado, velocidade média registrada e descarga até o limite de segurança seria necessário para validar o alcance de forma comparável.
O QUE OBSERVAR AGORA
Principal ponto de atenção: confirmar se a unidade vendida está limitada de fábrica a 32 km/h, qual é sua categoria legal e em que condições a autonomia de 120 km foi estimada.
Risco ou limitação: uso em alta velocidade, subidas, vento, peso elevado e acelerador constante podem reduzir sensivelmente o alcance; uma configuração de 48 km/h também pode exigir registro e habilitação.
Próximo dado importante: um teste integral e padronizado de autonomia, além da documentação técnica fornecida pelo vendedor, é o que pode esclarecer o alcance real e o enquadramento do modelo.
Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra, venda ou manutenção de ações, FIIs, títulos públicos, títulos privados, criptomoedas ou qualquer outro ativo financeiro. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos, os riscos envolvidos e consulte profissionais autorizados, se necessário.
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