O Ibovespa encerrou o pregão de segunda-feira, 15 de junho, em queda de 0,42%, aos 170.415,13 pontos. O principal índice da B3 chegou a avançar durante a sessão, mas perdeu força ao longo da tarde diante da forte desvalorização das ações de empresas ligadas ao petróleo.
O movimento fez o mercado brasileiro se descolar das bolsas internacionais, que reagiram positivamente ao acordo preliminar anunciado por Estados Unidos e Irã. O entendimento reduziu temporariamente os temores de interrupção no fornecimento global de energia e provocou uma forte correção nos preços do petróleo.
O volume financeiro negociado na B3 somou aproximadamente R$ 29,19 bilhões.
Petrobras cai mais de 5% e derruba o Ibovespa
As ações da Petrobras ficaram entre as principais pressões negativas do pregão. Os papéis preferenciais PETR4 recuaram 5,15%, enquanto as ações ordinárias PETR3 caíram 5,30%.
A estatal possui participação relevante na composição do Ibovespa. Por isso, movimentos mais intensos dos seus papéis podem influenciar diretamente o resultado do índice.
Outras empresas do setor também registraram perdas expressivas. PRIO3 caiu 6,91%, PetroReconcavo RECV3 perdeu 6,50% e Brava Energia BRAV3 recuou 4%.
A baixa acompanhou a queda superior a 4% do petróleo no mercado internacional. O Brent para agosto encerrou o dia cotado a US$ 83,17 por barril, com desvalorização de 4,76%. O WTI, referência nos Estados Unidos, caiu 4,87%, para US$ 80,75.
Os dois contratos fecharam nos menores níveis desde o início de março.
Acordo entre EUA e Irã reduz pressão sobre o petróleo
A correção da commodity ocorreu após Estados Unidos e Irã anunciarem um entendimento preliminar para suspender as hostilidades e avançar nas negociações diplomáticas.
O acordo inclui a retomada gradual do trânsito pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás. A perspectiva de normalização diminuiu o prêmio de risco incorporado às cotações durante o conflito.
Apesar do alívio inicial, o mercado continua atento à implementação do acordo. As negociações definitivas ainda envolvem temas como o programa nuclear iraniano, as sanções econômicas e as condições para a reabertura integral das rotas marítimas.
Uma eventual retomada das tensões poderia provocar nova alta do petróleo e aumentar a volatilidade dos mercados.
Embraer e Vale limitam as perdas da Bolsa
Enquanto as petroleiras recuaram, Embraer e Vale ficaram entre os destaques positivos do Ibovespa.
As ações da Embraer EMBJ3 avançaram 5,14%, ampliando os ganhos recentes da companhia. A Vale VALE3 subiu 1,99%, apoiada pela recuperação do minério de ferro no mercado internacional.
Os avanços ajudaram a limitar a queda do índice, mas não foram suficientes para compensar o peso negativo da Petrobras e das demais empresas do segmento de óleo e gás.
Dólar fecha próximo de R$ 5,07
O dólar apresentou pequenas oscilações durante o pregão e encerrou próximo da estabilidade, cotado ao redor de R$ 5,07.
No início da sessão, a moeda chegou a recuar com a melhora do ambiente internacional. Ao longo do dia, porém, as incertezas domésticas e a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária reduziram o movimento de valorização do real.
Copom avalia juros em meio à pressão inflacionária
O Copom realiza nos dias 16 e 17 de junho sua quarta reunião de 2026. A taxa Selic está atualmente em 14,75% ao ano, após a redução promovida pelo Banco Central em março.
Embora a queda do petróleo possa aliviar futuramente os preços dos combustíveis, da energia e dos fretes, os efeitos não costumam chegar imediatamente ao consumidor.
O Boletim Focus mais recente elevou de 5,11% para 5,30% a projeção do mercado para o IPCA de 2026. A estimativa permanece acima do teto de 4,50% do intervalo de tolerância da meta.
Nesse cenário, a redução do petróleo pode favorecer a inflação nos próximos meses, mas a decisão imediata do Copom também dependerá do comportamento dos preços, das expectativas inflacionárias, do câmbio e da atividade econômica.
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