A Vale (VALE3) voltou a chamar atenção do mercado após o JP Morgan elevar o preço-alvo das ações de R$ 99 para R$ 104, mantendo recomendação overweight, equivalente à compra. A avaliação indica que o banco vê a mineradora como uma das grandes empresas globais do setor ainda negociadas com desconto relevante.
A tese ganhou força depois dos resultados do primeiro trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido proforma de US$ 1,9 bilhão, alta de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior, e EBITDA proforma de US$ 3,9 bilhões, avanço de 21%.
Resultado do 1T26 reforça a tese
O desempenho operacional também veio forte. A produção de minério de ferro somou 69,7 milhões de toneladas no 1T26, alta anual de 3%. Já as vendas chegaram a 68,7 milhões de toneladas, crescimento de 4% e melhor volume para um primeiro trimestre desde 2018.
Nos metais básicos, a Vale também apresentou avanço importante. A produção de cobre atingiu 102,3 mil toneladas, alta de 13%, enquanto a de níquel chegou a 49,3 mil toneladas, crescimento de 12%.
Esse ponto é relevante porque cobre e níquel estão ligados à eletrificação, baterias, redes de energia e infraestrutura global. Ou seja, a Vale tenta reduzir a dependência histórica do minério de ferro e fortalecer uma divisão com potencial de crescimento de longo prazo.
Números da Vale no 1T26
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido proforma | US$ 1,9 bilhão |
| EBITDA proforma | US$ 3,9 bilhões |
| Produção de minério de ferro | 69,7 milhões t |
| Vendas de minério de ferro | 68,7 milhões t |
| Produção de cobre | 102,3 mil t |
| Produção de níquel | 49,3 mil t |
| Fluxo de caixa livre recorrente | US$ 813 milhões |
| Dívida líquida expandida | US$ 17,8 bilhões |
| Dividendos e JCP pagos | US$ 2,7 bilhões |
Dividendos continuam no radar
A Vale segue sendo acompanhada de perto por investidores que buscam dividendos. No trimestre, a empresa pagou US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas.
Apesar disso, há um ponto de atenção. A dívida líquida expandida subiu para US$ 17,8 bilhões, aproximando-se do teto da faixa de referência da companhia, que vai de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões. Isso não significa alerta imediato, mas mostra que a empresa precisará equilibrar remuneração ao acionista, investimentos e controle financeiro.
Risco político entrou na conta
Outro fator que chamou atenção foi a crítica do presidente Lula à compra de navios pela Vale na China. O governo defende maior uso da indústria naval brasileira, enquanto a mineradora precisa avaliar custo, prazo, tecnologia e eficiência logística.
Esse ruído político não altera sozinho a tese da empresa, mas pode aumentar a percepção de risco no curto prazo.
Vale ainda é oportunidade?
A visão do JP Morgan sugere que sim. O banco entende que a Vale está barata demais diante da qualidade dos ativos, geração de caixa e potencial em metais básicos.
Ainda assim, o investidor precisa considerar os riscos. A ação depende do minério de ferro, da demanda chinesa, do câmbio, dos custos de energia e frete, além do ambiente político.
No cenário atual, VALE3 combina potencial de valorização com volatilidade. Para quem busca exposição a commodities e dividendos, a ação segue entre as principais do setor. Mas a decisão exige análise cuidadosa, principalmente após a alta recente e o avanço da dívida.
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