A ação SOJA3, da Boa Safra, iniciou 2026 pressionada e negociada próxima das mínimas dos últimos 12 meses. Após ter alcançado patamares próximos de R$ 13, o papel passou a ser negociado na faixa de R$ 8,90, acumulando desvalorização relevante, mesmo depois de a companhia divulgar um dos melhores resultados operacionais de sua história.
O movimento chama atenção porque ocorre em um momento de crescimento expressivo de receita, lucro e expansão do portfólio, o que evidencia uma clara divergência entre fundamentos operacionais e percepção do mercado.
Crescimento forte no resultado operacional
No terceiro trimestre de 2025, período mais intenso para o setor de sementes por conta da safra de soja, a Boa Safra registrou novo recorde de faturamento. A receita operacional bruta atingiu aproximadamente R$ 1,2 bilhão, representando avanço de cerca de 58% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No acumulado de 12 meses, a companhia alcançou receita próxima de R$ 2,5 bilhões, crescimento de 38%. O lucro líquido trimestral ficou em torno de R$ 68 milhões, com aumento superior a 25% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado superou R$ 110 milhões.
Mesmo em um cenário climático adverso para o agronegócio brasileiro, a empresa demonstrou capacidade de execução, escala e eficiência operacional.
Modelo de negócios e diversificação
A Boa Safra atua no desenvolvimento, produção e comercialização de sementes, com foco principal em soja, além de milho, algodão, trigo, sorgo e feijão. O portfólio inclui dezenas de cultivares e híbridos, com investimentos contínuos em tecnologia genética, agricultura regenerativa e aumento de produtividade.
A companhia não depende apenas do plantio, mas também da venda de sementes de alto valor agregado, o que amplia o potencial de receita. Ainda assim, o negócio segue altamente sensível a fatores como clima, câmbio e preço das commodities agrícolas.
Dividendos ainda frustram o mercado
Apesar do crescimento operacional, um dos principais pontos de pressão sobre a ação tem sido a política de dividendos. Em 2025, a empresa realizou apenas dois pagamentos, totalizando valores considerados modestos para o porte e a rentabilidade apresentada.
O dividend yield anualizado permanece na faixa de 3% a 4%, bem abaixo de empresas tradicionalmente pagadoras de dividendos na Bolsa brasileira. Esse fator tem pesado especialmente para investidores que buscam renda recorrente, contribuindo para a reprecificação negativa do papel.
Valuation divide opiniões
No valuation, a SOJA3 negocia abaixo do valor patrimonial, com P/VP inferior a 1, o que indica desconto em relação ao patrimônio contábil. Em termos teóricos, o preço justo da ação estaria mais próximo da faixa de R$ 9,80.
Por outro lado, o múltiplo de lucro permanece elevado para um negócio cíclico. O P/L gira em torno de 12, patamar que exige crescimento consistente e maior previsibilidade de retorno ao acionista. Além disso, indicadores de rentabilidade como ROE e ROI ainda estão abaixo da média de empresas mais maduras do mercado.
Principais números da SOJA3 em 2026
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Cotação atual | R$ 8,90 |
| Mínima em 52 semanas | R$ 8,56 |
| Máxima em 52 semanas | R$ 12,50 |
| Desempenho em 12 meses | -12% |
| Receita 3T25 | R$ 1,2 bilhão |
| Receita 12 meses | R$ 2,5 bilhões |
| Lucro líquido 3T25 | R$ 68 milhões |
| EBITDA ajustado 3T25 | R$ 113 milhões |
| Dividend yield | 3% a 4% |
| P/L | ~12 |
| P/VP | < 1 |
| Endividamento | Controlado |
Por que a ação caiu mesmo com números fortes
A queda da SOJA3 reflete principalmente a frustração com dividendos abaixo das expectativas, o valuation considerado exigente e a elevada dependência de fatores externos, como clima e preços da soja. Quando promessas de maior retorno ao acionista não se concretizam, o mercado tende a ajustar rapidamente o preço do ativo.
Esse movimento levou a ação para níveis próximos da mínima anual, mesmo diante de resultados operacionais recordes.
O que o investidor deve observar a partir de agora
Para quem busca exposição ao agronegócio brasileiro e diversificação setorial, a Boa Safra segue sendo uma empresa relevante, com escala, tecnologia e crescimento consistente de receita. No entanto, o investimento exige visão de longo prazo, tolerância à volatilidade e acompanhamento atento da política de dividendos.
Em 2026, a SOJA3 se apresenta como um case que mistura crescimento operacional sólido com dúvidas sobre retorno ao acionista. O comportamento da ação nos próximos trimestres dependerá menos de promessas e mais da capacidade da empresa de transformar resultados fortes em geração de caixa e dividendos mais atrativos.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






Deixe o Seu Comentário