A ação da Romi (ROMI3) voltou ao radar dos investidores em 2026 após uma sequência de resultados mais fracos e desempenho negativo na bolsa. A empresa, referência no setor de máquinas e equipamentos industriais, enfrenta um cenário macroeconômico desafiador — mas também começa a dar sinais de possível recuperação.
Com a cotação próxima de R$ 8 e queda acumulada recente, o mercado se divide: trata-se de uma barganha ou de uma armadilha de valor?
Resultados do 4T25 confirmam pressão no setor
Os números mais recentes da Romi mostram claramente o impacto do ambiente econômico:
- Receita líquida: R$ 388,2 milhões (-15,3% vs. 4T24)
- Lucro líquido: R$ 40,4 milhões (-18,1%)
- EBITDA ajustado: R$ 66,2 milhões, com margem de 17%
Mesmo com crescimento anual de receita (R$ 1,326 bilhão em 2025, alta de 8,1%), a rentabilidade caiu — um sinal claro de pressão de custos e margens .
O que está por trás da queda da ROMI3?
O principal fator é o ciclo econômico.
A Romi depende diretamente do investimento industrial. Com a taxa de juros elevada no Brasil, empresas reduziram gastos com máquinas e tecnologia — afetando diretamente a demanda.
Além disso:
- Confiança empresarial segue baixa
- Investimentos produtivos desaceleraram
- Margens foram comprimidas
- Crescimento não se converteu em lucro
Esse cenário explica por que a ação acumula queda nos últimos 12 meses, com desempenho negativo próximo de -6% .
Indicadores atuais chamam atenção
Apesar do cenário difícil, os números atuais começam a atrair investidores:
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Cotação | ~R$ 7,80 a R$ 8,10 |
| P/L | ~8,8 |
| Dividend Yield | ~7,5% a 8,7% |
| P/VP | ~0,60 |
| Valor de mercado | ~R$ 750 milhões |
O fato de negociar abaixo do valor patrimonial é um dos principais argumentos dos investidores otimistas.
O ponto de virada pode estar se formando
Apesar da pressão nos resultados, há sinais importantes que podem indicar melhora:
- Crescimento da carteira de pedidos
- Maior participação do mercado externo (35% da receita)
- Estrutura financeira equilibrada
- Histórico de recuperação em ciclos anteriores
Empresas industriais costumam reagir antes mesmo da queda dos juros, o que pode favorecer a ação ao longo de 2026.
Dividendos continuam sendo atrativo
Mesmo com lucros pressionados, a Romi segue entregando retorno ao acionista:
- Dividend yield próximo de 8%
- Pagamento recorrente ao longo dos anos
- Distribuição de R$ 0,58 por ação nos últimos 12 meses
Isso mantém o papel no radar de investidores que buscam renda passiva.
O dilema: oportunidade ou armadilha?
A resposta depende do cenário e do perfil do investidor.
Pode ser oportunidade se:
- A Selic começar a cair em 2026
- A indústria retomar investimentos
- A carteira de pedidos continuar crescendo
- O investidor tiver visão de longo prazo
Pode ser armadilha se:
- Os juros permanecerem altos por mais tempo
- A recuperação demorar a aparecer
- As margens continuarem pressionadas
- O crescimento não virar lucro
Histórico reforça o caráter cíclico
A Romi é um clássico case de ação cíclica:
- Forte valorização no longo prazo
- Alta sensibilidade ao cenário macro
- Períodos de forte crescimento seguidos por quedas
Nos últimos anos, o papel ficou pressionado justamente por conta do ciclo de juros elevados — o que pode mudar no próximo ciclo.
ROMI3 chega em 2026 em um ponto decisivo. A empresa segue sólida, com operação consistente e presença relevante no setor industrial, mas enfrenta um dos cenários mais difíceis dos últimos anos.
O mercado já precifica parte desse pessimismo, o que explica o desconto atual. Para investidores pacientes, pode ser uma oportunidade antecipada de um novo ciclo. Para os mais cautelosos, ainda há riscos relevantes no curto prazo.
No fim, ROMI3 não é apenas uma ação barata — é uma aposta direta na recuperação da economia brasileira.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.







Deixe o Seu Comentário