As ações preferenciais da Marcopolo (POMO4) passaram por uma forte correção nas últimas semanas, aumentando as dúvidas sobre a capacidade de crescimento da fabricante de carrocerias de ônibus.
Cotada perto de R$ 5,24, a POMO4 acumula desempenho significativamente inferior ao do mercado, depois de ter avançado mais de 100% desde 2023. A queda recente reflete uma combinação de demanda mais fraca, incertezas envolvendo programas governamentais e realização de lucros após a valorização anterior.
A avaliação apresentada no esboço aponta que o mercado passou a exigir novos motores de crescimento depois de a companhia atingir um patamar elevado de margens e resultados.
Mesmo com o recuo, analistas continuam vendo a ação negociada abaixo do valor considerado justo.
Quanto POMO4 pode subir?
As projeções disponíveis indicam preços-alvo entre R$ 8,00 e R$ 10,50, embora essas estimativas possam ser revisadas conforme os próximos resultados.
| Indicador | Dado recente |
|---|---|
| Cotação de referência | R$ 5,24 |
| Preço-alvo da XP | R$ 8,00 |
| Potencial estimado pela XP | 52,67% |
| Preço-alvo do BTG Pactual | R$ 10,00 |
| Preço-alvo do Itaú | R$ 10,00 |
| Maior preço-alvo listado | R$ 10,50 |
| Lucro líquido no 1º trimestre de 2026 | R$ 264,60 milhões |
| Produção mundial no trimestre | 2.997 unidades |
Em julho de 2026, a XP manteve recomendação de compra, mas reduziu seu preço-alvo para R$ 8,00. A instituição considera que a Marcopolo negocia por aproximadamente 5,4 vezes o lucro projetado para 2026 e estima dividend yield entre 8% e 9% em 2026 e 2027.
Na relação de cobertura divulgada pela própria companhia, BTG Pactual aparece com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 10,00, enquanto Itaú, Santander, Safra e outras instituições mantêm indicações de compra.
O potencial elevado, contudo, não significa que a recuperação ocorrerá rapidamente.
Lucro cresceu, mas produção recuou
A Marcopolo registrou lucro líquido de R$ 264,60 milhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A empresa produziu 2.997 unidades no mundo, sendo 2.634 no Brasil e 363 nas operações internacionais. O desempenho foi sustentado, entre outros fatores, por entregas do Caminho da Escola e pela expansão da operação australiana Volgren.
Apesar do lucro maior, alguns indicadores preocupam. A produção recuou, os estoques aumentaram e o fluxo de caixa operacional ficou negativo no trimestre. Parte do resultado também veio de itens que não pertencem diretamente à atividade principal da companhia.
Isso ajuda a explicar por que o mercado reagiu com cautela, mesmo diante de um balanço ainda saudável.
Caminho da Escola pode destravar a ação
Um dos principais catalisadores para POMO4 é o programa Caminho da Escola. No primeiro trimestre, a Marcopolo entregou 771 unidades vinculadas ao programa, ante 692 veículos um ano antes.
O governo retomou uma licitação para aproximadamente 7,5 mil ônibus escolares. Analistas do UBS BB estimaram que, caso a Marcopolo repetisse a participação próxima de 50% observada anteriormente, poderia conquistar cerca de 3.735 unidades adicionais.
Por outro lado, alterações em editais e discussões relacionadas à reforma tributária mostram que a dependência de compras públicas também representa um risco regulatório.
Dividendos elevados são positivos, mas exigem cautela
A Marcopolo tem atraído investidores interessados em renda passiva. O balanço pouco alavancado permite distribuir uma parcela relevante dos lucros sem comprometer imediatamente a estrutura financeira.
Porém, pagamentos muito elevados podem reduzir o dinheiro disponível para expansão, modernização das fábricas e desenvolvimento de novos produtos. Sem reinvestimento suficiente, a empresa pode enfrentar dificuldades para voltar ao ritmo de crescimento observado entre 2023 e 2025.
POMO4 está barata?
A queda parece refletir mais uma revisão das expectativas do que uma deterioração grave do balanço. A Marcopolo continua lucrativa, possui presença internacional e apresenta endividamento controlado.
Entretanto, a recuperação da POMO4 dependerá da melhora da demanda por ônibus, da evolução das operações no México e na Argentina, das novas encomendas do Caminho da Escola e da capacidade de manter margens sem depender de receitas não recorrentes.
O desconto pode ser interessante para investidores que aceitam oscilações e uma recuperação gradual. Ainda assim, o potencial de valorização indicado pelos analistas não elimina os riscos operacionais e regulatórios.
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