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Início » Petrobras (PETR4) dispara 2,55%, supera R$ 40 e ganha força com petróleo perto de US$ 87
Ações

Petrobras (PETR4) dispara 2,55%, supera R$ 40 e ganha força com petróleo perto de US$ 87

Escalada entre Estados Unidos e Irã, ataques no Oriente Médio e ameaça de cobrança no Estreito de Ormuz elevam o Brent e impulsionam as ações da estatal
André JúniorPor André Júnior14 de julho de 20264 minutos lidos
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As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) avançaram 2,55% nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, negociadas na região de R$ 40,60, em um movimento sustentado pela forte valorização do petróleo no mercado internacional.

Durante o pregão, PETR4 oscilou entre aproximadamente R$ 40,24 e R$ 40,92, depois de encerrar a sessão anterior a R$ 39,65. No acumulado de 2026, o papel já registra valorização superior a 35%, embora continue sujeito a mudanças bruscas no preço do barril e no cenário político.

O movimento ocorre após uma nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, cenário que reacendeu o temor de restrições ao transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Petrobras sobe enquanto petróleo encosta em US$ 87

O petróleo Brent, referência internacional utilizada pela Petrobras, avançava mais de 3% durante a manhã, para cerca de US$ 86,32 por barril. Em determinados momentos, a cotação chegou a superar US$ 86,70, maior patamar em aproximadamente um mês.

Na sessão anterior, o Brent já havia saltado quase 10%, encerrando a US$ 83,30. A alta acumulada reflete o aumento do chamado prêmio de risco geopolítico, valor adicional incorporado ao preço diante da possibilidade de interrupções na oferta.

IndicadorValor aproximado
PETR4 no pregãoR$ 40,60
Alta diária de PETR42,55%
Valorização em 2026Mais de 35%
Petróleo BrentUS$ 86 a US$ 87
Alta do Brent na sessão anteriorQuase 10%
Participação de Ormuz no fluxo globalCerca de 20%

Empresas produtoras tendem a se beneficiar quando o petróleo sobe porque podem obter uma receita maior por barril vendido. Esse efeito, contudo, depende do câmbio, dos custos operacionais, da produção e da política de preços dos combustíveis.

Trump anuncia taxa de 20% no Estreito de Ormuz

O mercado reagiu principalmente ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington pretende reforçar o bloqueio naval contra embarcações iranianas e assumir a proteção do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz.

Trump também propôs uma cobrança equivalente a 20% do valor das cargas transportadas pela passagem marítima, sob a justificativa de financiar a segurança da região. O governo iraniano reagiu, afirmando que os Estados Unidos não controlarão o futuro da rota.

Ormuz é considerado um dos principais pontos de estrangulamento energético do mundo. Aproximadamente um quinto do petróleo e do gás comercializados globalmente passa pela região, ligando produtores do Golfo Pérsico aos mercados internacionais.

Uma restrição prolongada poderia elevar custos de transporte, seguros e combustíveis, além de pressionar a inflação mundial.

Alta de PETR4 pode continuar?

No curto prazo, a permanência do Brent acima de US$ 80 tende a oferecer suporte às ações da Petrobras. Entretanto, o movimento também mostra como PETR4 se tornou dependente das notícias sobre o conflito.

Uma retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, acompanhada da normalização do transporte em Ormuz, poderia retirar parte do prêmio geopolítico do petróleo e provocar realização de lucros nas petroleiras.

Em junho, após sinais de um acordo para reabrir o estreito, o Brent caiu para menos de US$ 80 e as ações da Petrobras chegaram a recuar com força.

Dividendos da Petrobras exigem atenção

Além do petróleo, os investidores acompanham a capacidade da Petrobras de conciliar investimentos e distribuição de dividendos. O Plano de Negócios 2026–2030 prevê US$ 109 bilhões em investimentos, sendo US$ 91 bilhões em projetos já em implantação.

Um volume elevado de investimentos pode limitar pagamentos extraordinários, principalmente caso o petróleo volte a cair.

Para o primeiro trimestre de 2026, a companhia aprovou R$ 0,700972 por ação, dividido em duas parcelas de R$ 0,350486, com pagamentos previstos para agosto e setembro.

Assim, a disparada atual melhora o cenário operacional, mas não garante que PETR4 permanecerá acima de R$ 40 nem que os dividendos retornarão aos patamares excepcionais registrados em anos anteriores. A ação continua exposta ao petróleo, ao câmbio, aos investimentos e às decisões políticas da estatal.

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André Junior — Editor de Economia e Analista de Mercados — é economista com especialização em Finanças e Mercado de Capitais. Produz análises sobre economia, empresas e investimentos com foco em clareza e credibilidade.

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