A Marcopolo (POMO4) chega a outubro pressionada na Bolsa e cercada por dúvidas sobre a velocidade de recuperação dos resultados. O papel fechou a sessão de 5 de outubro em R$ 4,68, depois de atravessar um ano marcado por forte desvalorização e revisões negativas de analistas.
A mudança mais significativa veio em setembro. A XP Investimentos rebaixou POMO4 de compra para neutra e estabeleceu preço-alvo de R$ 5 para o fim de 2027. Na ocasião, a corretora destacou a baixa visibilidade para uma recuperação mais consistente da lucratividade no curto prazo.
Segundo a XP, a ação acumulava queda de 23% no ano em 17 de setembro e já havia recuado 16% desde a divulgação do balanço do segundo trimestre. A casa passou a projetar margem EBITDA de 14,9% e lucro líquido de R$ 950 milhões em 2027, cerca de 19% abaixo do consenso citado pelo relatório.
Balanço do 2T26 aumentou a pressão
Parte da deterioração começou após os números do segundo trimestre.
A Marcopolo registrou lucro líquido de R$ 271,2 milhões no 2T26, queda de 15,5% sobre o mesmo período de 2025. No pregão seguinte à divulgação, POMO4 despencou 10,43%, fechando a R$ 4,81.
O resultado reforçou preocupações com demanda mais fraca no mercado brasileiro e menor rentabilidade.
O próprio site de Relações com Investidores da Marcopolo confirma que o balanço do 2T26 é o resultado mais recente disponível até agora. O 3T26 será divulgado em 3 de novembro, com teleconferência no dia seguinte.
Nem todos os analistas abandonaram a ação
Apesar da cautela da XP, as opiniões estão longe de ser unanimidade.
Após o balanço, o Itaú BBA reduziu seu preço-alvo para R$ 7,50, mas manteve recomendação equivalente a compra. O banco destacou que o dividend yield projetado em torno de 10% poderia funcionar como proteção, embora tenha reconhecido pouco espaço para valorização no curto prazo.
No Investor Day de setembro, Bradesco BBI e Safra também apresentaram uma visão mais construtiva para o médio prazo. O BBI trabalhava com preço-alvo de R$ 8 e o Safra, de R$ 9,10.
A diferença entre as avaliações mostra justamente o ponto central da discussão: o problema não é a qualidade histórica da Marcopolo, mas quando os resultados voltarão a acelerar.
Caminho da Escola pode virar peça importante
Um dos principais vetores para 2027 é o programa Caminho da Escola.
Segundo informações apresentadas após o Investor Day, a Marcopolo conquistou aproximadamente 7,2 mil ônibus, dos quais cerca de 4,5 mil já estavam homologados. A expectativa da companhia era fabricar pelo menos 500 unidades no quarto trimestre de 2026, deixando a maior parte das entregas para 2027.
No exterior, a empresa também aposta em recuperação de mercados como Argentina e México. A Marcopolo afirmou em setembro enxergar potencial de retomada da demanda argentina em 2027, após vendas no país caírem para R$ 212,1 milhões no primeiro semestre deste ano.
Novembro pode definir o próximo movimento
Agora, o mercado entra em contagem regressiva para o balanço de 3 de novembro.
Mais do que o lucro isolado, investidores devem observar margens, produção, geração de caixa e as indicações da administração para 2027.
POMO4 já sofreu uma correção pesada em 2026. A próxima pergunta do mercado não é mais quanto a ação caiu, mas se os resultados finalmente começaram a mostrar que a pior fase ficou para trás.
