A Itaúsa divulgou sua nova apresentação institucional detalhando estrutura, lucros, portfólio e perspectivas. Os dados revelam uma holding sólida, lucrativa e com um desconto expressivo frente ao valor real de suas participações — ponto que volta a chamar a atenção de investidores que buscam previsibilidade e dividendos constantes.
Nos últimos dez anos, o retorno total da ação, considerando dividendos, bonificações, recompras e valorização, supera 600%, refletindo a disciplina da empresa em criar valor mesmo em ciclos econômicos adversos.
Desconto de 25% aumenta o apelo da Itaúsa e expõe valor escondido
De acordo com a própria holding, as empresas do portfólio somam cerca de R$ 170 bilhões, enquanto a Itaúsa vale aproximadamente R$ 128 bilhões na Bolsa.
Isso significa um desconto de cerca de 25%, indicando que o investidor compra R$ 1,00 em patrimônio pagando apenas R$ 0,75.
Esse desconto tende a diminuir ao longo dos próximos anos devido a um fator determinante:
A partir de 2027, a holding deixará de arcar com parte dos tributos sobre JCP recebidos, reduzindo custos anuais relevantes.
Essa mudança deve aumentar o lucro líquido, melhorar o fluxo de caixa e reduzir a ineficiência tributária que pressiona o valuation da empresa.
Lucro expressivo em 2024 e performance acima da média das holdings brasileiras
A Itaúsa deve encerrar o ano com lucro entre R$ 16 e R$ 17 bilhões, um dos maiores de sua história. Nos nove primeiros meses, o resultado acumulado já somava R$ 12,2 bilhões, reforçando a previsibilidade característica da empresa.
A principal força é o Banco Itaú, que representa cerca de 95% do lucro total. A holding mantém um ROE próximo de 18%, enquanto o Itaú opera acima de 22%, explicando a diferença entre o retorno da holding e o do banco.
Outro dado relevante da apresentação:
A Itaúsa possui mais de 900 mil acionistas, o que significa que 1 em cada 6 investidores da B3 possui ações da empresa.
Mesmo com uma base tão ampla, a ação permanece negociada com desconto, o que reforça o potencial de valorização caso o mercado ajuste as expectativas ou as empresas investidas passem a entregar resultados mais fortes.
Portfólio diversificado, mas com impactos diferentes sobre o resultado
A Itaúsa concentra suas participações em oito empresas:
Banco Itaú – 37%
Dexco – 37%
Alpargatas – 29%
Aegea – 13%
Copa Energia – 49%
NTS – 8,5%
CCR/Mobility – 10,4%
Mesmo com vários setores presentes — energia, madeira, gás, infraestrutura, saneamento e varejo — o desempenho financeiro segue dominado pelo Itaú. Algumas empresas do portfólio têm apresentado desafios que reduzem a média de rentabilidade da holding.
Empresas que puxam o retorno da Itaúsa para cima
NTS — a joia do portfólio
Com margens que ultrapassam 40% e contratos indexados à inflação, a NTS se consolidou como uma das operações mais lucrativas da holding. Desde a aquisição, o retorno total supera 400%.
Copa Energia
Com EBITDA próximo de R$ 1 bilhão e baixa alavancagem, a empresa mantém forte geração de caixa e participa de cerca de 24% do mercado de GLP, distribuindo proventos consistentes à holding.
Aegea
A receita da companhia saltou para a casa dos R$ 10 bilhões, com margens entre 30% e 70% dependendo da operação. O setor de saneamento segue em expansão e deve ganhar ainda mais força com privatizações.
CCR/Mobilidade
Com receitas indexadas à inflação e contratos longos, a empresa tende a ser beneficiada em um ambiente de juros mais baixos.
Empresas que pressionam o retorno: Dexco e Alpargatas
Enquanto boa parte do portfólio cresce, Dexco e Alpargatas ainda passam por ajustes de ciclo econômico, demanda e margens.
A Dexco sente o impacto dos juros elevados sobre o setor de construção.
A Alpargatas enfrenta desafios de volumes e rentabilidade, embora já mostre sinais de recuperação gradual.
Esses desempenhos mais fracos explicam por que o ROE da holding é menor que o do Itaú e contribuem para a existência do desconto atual.
Estrutura de capital é um dos maiores destaques
A Itaúsa mantém índice de cobertura de juros de 15x e possui nenhuma amortização relevante nos próximos quatro anos.
Isso significa que a holding consegue enfrentar ciclos negativos com tranquilidade e ainda tem capacidade para realizar novas aquisições — algo que pode destravar valor adicional se o cenário de juros recuar.
Dividendos: Itaúsa repassa praticamente tudo que recebe do Itaú
Os dados mostram que a holding distribui quase a totalidade dos proventos recebidos do banco, mantendo uma política de retorno estável e previsível.
Com a expectativa de dividendos mais fortes do Itaú a partir de 2025/2026, a Itaúsa pode reforçar significativamente sua remuneração aos acionistas nos próximos anos.
O que pode destravar valor na ITSA4?
Três pontos devem guiar a ação nos próximos ciclos:
1. Fim da ineficiência tributária em 2027
Redução relevante de custos e aumento do lucro líquido.
2. Consistência do Banco Itaú
Como 95% do lucro vem do banco, qualquer melhora no resultado do Itaú impacta diretamente o preço da holding.
3. Recuperação das investidas não financeiras
Dexco, Alpargatas e CCR têm espaço para entregar mais retorno em um ambiente econômico mais favorável.
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