A C&A Modas (CEAB3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 130,1 milhões, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a companhia, esse foi o maior lucro ajustado já registrado pela varejista em um segundo trimestre.
O desempenho foi sustentado principalmente pelo crescimento das vendas de vestuário, pela expansão da margem bruta e pelo avanço das operações digitais. Os números foram divulgados em 4 de agosto, no relatório de resultados do 2T26 apresentado à CVM.
Apesar dos avanços operacionais, alguns indicadores exigem atenção. O Ebitda ajustado ficou praticamente estável, enquanto o lucro contábil recuou devido a efeitos extraordinários que prejudicam a comparação direta entre os períodos.
Principais números da C&A no 2T26
| Indicador | Resultado | Comparação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida consolidada | R$ 2,08 bilhões | +1,2% |
| Receita líquida de vestuário | R$ 1,89 bilhão | +5,6% |
| Vendas mesmas lojas de vestuário | — | +4,1% |
| Lucro líquido ajustado | R$ 130,1 milhões | +4,3% |
| Lucro líquido reportado | R$ 177,9 milhões | -11,2% |
| Ebitda ajustado pós-IFRS 16 | R$ 435,9 milhões | -0,6% |
| Margem Ebitda ajustada | 20,9% | Estável |
| Margem bruta de vestuário | 59,1% | +0,6 p.p. |
| Receita do comércio eletrônico | R$ 154,3 milhões | +33,3% |
| Investimentos | R$ 119,6 milhões | +6,6% |
Vestuário sustenta o crescimento da receita
A receita líquida consolidada da C&A alcançou R$ 2,08 bilhões entre abril e junho, aumento de 1,2% na comparação anual. O principal impulso veio do segmento de vestuário, cuja receita avançou 5,6%, para R$ 1,89 bilhão.
Na comparação acumulada de dois anos, a receita de vestuário cresceu 23,9%, conforme os dados apresentados pela companhia.
As vendas nas mesmas lojas, indicador que considera unidades abertas há pelo menos 12 meses, aumentaram 4,1%. O resultado veio sobre uma base elevada, uma vez que o mesmo indicador havia crescido 17% no segundo trimestre de 2025.
De acordo com a administração, a preparação antecipada da coleção de inverno, os ajustes no sortimento e a alocação mais precisa dos estoques ajudaram a sustentar as vendas, mesmo com a redução do fluxo de consumidores durante a Copa do Mundo.
Margem bruta melhora pelo 20º trimestre consecutivo
A margem bruta do segmento de vestuário chegou a 59,1%, avanço de 0,6 ponto percentual na comparação anual. Esse foi o 20º trimestre consecutivo de expansão do indicador.
No resultado consolidado, que inclui outras categorias, a margem bruta atingiu 58,1%, crescimento de 1,4 ponto percentual.
A C&A atribuiu essa evolução à estratégia de testar produtos em menor escala antes de ampliar a distribuição, aos modelos de precificação e à gestão dos estoques. A valorização do real diante do dólar também ajudou, considerando que parte dos custos da varejista está exposta à moeda norte-americana.
A sequência de melhora mostra maior eficiência na venda das coleções, mas não elimina os riscos do setor. Mudanças no câmbio, necessidade de descontos, desaceleração do consumo e erros na composição dos estoques podem voltar a pressionar as margens.
Lucro ajustado cresce, mas resultado contábil recua
O lucro líquido ajustado avançou 4,3%, para R$ 130,1 milhões, com margem líquida de 6,2%. Já o lucro líquido reportado caiu 11,2%, para R$ 177,9 milhões.
A diferença decorre de eventos não recorrentes nos dois períodos. No segundo trimestre de 2025, o resultado foi beneficiado pelo ganho relacionado à venda da carteira remanescente do Bradescard. No 2T26, houve uma reversão de provisão de aproximadamente R$ 80,7 milhões.
Por isso, o lucro ajustado oferece uma referência mais adequada para avaliar a evolução operacional do negócio, embora também dependa dos critérios de ajuste adotados pela empresa.
O Ebitda ajustado pós-IFRS 16 totalizou R$ 435,9 milhões, queda de 0,6%, com margem de 20,9%. Na operação exclusiva de varejo, o Ebitda ajustado foi de R$ 411,7 milhões, recuo de 1,2%, com margem de 20,5%.
Os dados indicam que a expansão da receita e da margem bruta ainda não se transformou em crescimento relevante do resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Comércio eletrônico cresce 33,3%
O comércio eletrônico foi um dos principais destaques do balanço. A receita de mercadorias vendidas pelo site e aplicativo chegou a R$ 154,3 milhões, aumento de 33,3% sobre o segundo trimestre de 2025.
Com esse avanço, o canal digital passou a representar 7,7% da receita de mercadorias da C&A, ante 5,9% um ano antes.
A varejista vem integrando os estoques das lojas físicas ao ambiente digital. Entre as ferramentas está o chamado “modo loja”, que permite ao cliente consultar disponibilidade e localizar produtos pelo aplicativo enquanto está dentro de uma unidade.
O crescimento digital é positivo por ampliar os canais de venda, mas precisa ser acompanhado da evolução dos custos logísticos, das devoluções e da rentabilidade das entregas.
C&A Pay amplia receita e reduz inadimplência
O C&A Pay, produto de crédito próprio da varejista, participou de 28,2% das vendas do varejo no trimestre. A receita líquida da operação financeira cresceu 9,4%, para R$ 93,4 milhões.
A carteira ativa considerada pela empresa alcançou R$ 1,14 bilhão, avanço de 6%. O resultado da operação financeira ficou em R$ 15,4 milhões, beneficiado pelo maior uso do parcelamento com juros e pela redução das despesas comerciais.
A inadimplência entre 90 e 360 dias caiu 3,7 pontos percentuais, para 13,4%. A provisão correspondia a 113,8% dos saldos vencidos entre 91 e 360 dias.
A queda dos atrasos é relevante porque o crédito ajuda a elevar as vendas, mas também expõe a varejista ao risco financeiro dos clientes. A evolução desse indicador continuará sendo importante em um ambiente de juros elevados e renda familiar pressionada.
Dívida cai e empresa encerra trimestre com caixa líquido
A dívida bruta da C&A recuou 26,2% em 12 meses, para R$ 952,2 milhões. A parcela com vencimento no curto prazo caiu 67,9%, para R$ 143,7 milhões.
Ao descontar os recursos disponíveis, a companhia terminou junho com caixa líquido de R$ 170,2 milhões. A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado pré-IFRS 16 ficou em 0,2 vez, contra 0,3 vez no ano anterior.
A redução do endividamento contribuiu para diminuir os juros sobre empréstimos em 30,3%, para R$ 34,3 milhões. O resultado financeiro líquido permaneceu negativo em R$ 73,8 milhões, mas a despesa caiu 15,3% na comparação anual.
A estrutura financeira mais conservadora reduz o risco de refinanciamento e dá à empresa maior capacidade para financiar investimentos com recursos próprios.
C&A investe em lojas, tecnologia e distribuição
Os investimentos somaram R$ 119,6 milhões no trimestre, aumento de 6,6%. Os recursos foram distribuídos da seguinte maneira:
- R$ 52,4 milhões em reformas e remodelações;
- R$ 36,4 milhões em tecnologia e canais digitais;
- R$ 16,5 milhões em novas lojas;
- R$ 14,3 milhões na cadeia de suprimentos.
A empresa também informou que os caixas de autoatendimento já estavam disponíveis em aproximadamente 45% de suas lojas. Outro foco foi a automação dos centros de distribuição e a expansão do formato Energia C&A.
No retorno de capital aos acionistas, a companhia recomprou R$ 64,3 milhões em ações durante o trimestre. O programa de recompra estava aproximadamente 85% executado ao final do período.
A recompra reduz a quantidade de ações em circulação quando os papéis são cancelados, mas não garante valorização futura. O efeito para o acionista depende do preço pago, da destinação dos papéis e da capacidade da empresa de continuar gerando resultados.
O balanço foi positivo para CEAB3?
O balanço apresenta sinais predominantemente favoráveis: lucro ajustado recorde para um segundo trimestre, crescimento das vendas de vestuário, 20 períodos consecutivos de expansão da margem bruta, forte avanço do comércio eletrônico e redução da dívida.
Por outro lado, o Ebitda ajustado ficou praticamente estável, o lucro reportado recuou e parte da comparação foi afetada por eventos extraordinários. A exposição ao consumo doméstico, ao crédito e às oscilações do câmbio também permanece entre os principais riscos para CEAB3.
O resultado, portanto, mostra melhora na eficiência e na estrutura financeira, mas não deve ser interpretado isoladamente como recomendação de compra ou venda das ações. Além do balanço, a avaliação do papel depende do preço de mercado, das perspectivas para o varejo e da evolução dos próximos resultados.
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