Após um dos maiores escândalos contábeis da história do mercado brasileiro, a Americanas (AMER3) começa a apresentar sinais concretos de recuperação em 2025 e início de 2026.
A companhia reduziu prejuízos, melhorou sua eficiência operacional e já trabalha para sair definitivamente da recuperação judicial, iniciada em 2023 após inconsistências bilionárias em seu balanço.
Recentemente, a empresa inclusive entrou com pedido para encerrar o processo, alegando cumprimento das obrigações previstas no plano.
Resultados mais recentes mostram melhora operacional
Os números mais atualizados indicam avanço relevante na operação, embora ainda com desafios estruturais.
| Indicador (2025 / 4T25) | Valor |
|---|---|
| Receita líquida (4T25) | R$ 3,69 bilhões |
| Receita bruta anual | R$ 16,3 bilhões |
| EBITDA ajustado (ano) | ~R$ 1,1 bilhão |
| EBITDA ajustado (4T25) | R$ 276 milhões |
| Lucro líquido (2025) | R$ 98 milhões |
| Prejuízo (4T25) | R$ 44 milhões |
| Margem bruta | 27,4% |
| Lojas ativas | 1.470 |
| Clientes ativos | ~44 milhões |
Os dados mostram que a empresa conseguiu:
- Voltar ao lucro anual após anos de prejuízo
- Melhorar margens operacionais
- Aumentar vendas em mesmas lojas (+7,8%)
Reestruturação mudou completamente o modelo de negócios
A Americanas atual é muito diferente da empresa pré-crise.
Entre as principais mudanças:
- Foco quase total no varejo físico (95% da receita)
- Redução drástica do e-commerce
- Encerramento de operações menos rentáveis
- Corte agressivo de custos (queda de 18% nas despesas)
Esse movimento transformou a companhia em uma operação mais enxuta e focada na rentabilidade.
Corte de lojas e ativos foi essencial para sobreviver
A recuperação passou por um forte enxugamento da estrutura:
- Mais de 170 lojas fechadas desde a crise
- Redução da base de clientes
- Venda de ativos para reforço de caixa
- Revisão de contratos e despesas
Apesar de negativo no curto prazo, esse ajuste foi fundamental para estabilizar a operação.
Margens melhoram, mas crescimento ainda é limitado
A melhora operacional é clara:
- Margem bruta subiu para 27,4%
- EBITDA voltou ao positivo
- Crescimento real nas vendas acima da inflação
Por outro lado, há limitações:
- Receita ainda pressionada (queda de 3,8% no trimestre)
- Forte dependência das lojas físicas
- Competição intensa no digital
Dívida e confiança ainda são os maiores desafios
Mesmo com avanços, os principais riscos seguem no radar:
- Endividamento elevado, embora em queda
- Marca ainda impactada pelo escândalo
- Perda de relevância frente a concorrentes
- Baixa presença no e-commerce
Além disso, a empresa ainda precisa provar que consegue manter lucro de forma consistente — algo que ainda não ocorreu de forma sustentável.
AMER3: ação barata ou armadilha?
A ação AMER3 negocia próxima de R$ 5, refletindo um valuation extremamente descontado em relação ao passado.
Indicadores mostram uma empresa ainda fragilizada:
- P/L negativo
- Dividend yield zerado
- Margem líquida ainda baixa
Isso indica que o mercado ainda precifica risco elevado, apesar da melhora operacional.
Recuperação real, mas ainda incompleta
A Americanas conseguiu sair de uma situação crítica e mostra evolução operacional relevante. A volta ao lucro anual, melhora de margens e possível saída da recuperação judicial são marcos importantes.
Porém, o case ainda está longe de ser resolvido.
O futuro da AMER3 depende de três fatores principais:
- Manutenção da disciplina financeira
- Recuperação da confiança do consumidor
- Capacidade de competir em um varejo cada vez mais digital
Sem esses pilares, a recuperação pode não se sustentar no longo prazo — o que mantém a ação como uma das mais arriscadas da Bolsa brasileira atualmente.
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