Uma alteração recente na cobrança do IOF sobre remessas internacionais mudou o cenário para empresas que oferecem contas em moeda estrangeira. O imposto, que chegou a oscilar entre 3,5% e 0,38%, obrigou empresas que atuavam apenas com câmbio — como Wise e Nomad — a promover uma mudança estratégica.
Para evitar a cobrança de IOF comercial, elas passaram a oferecer produtos de investimento em parceria com corretoras, como Genial Investimentos e outras. Na prática, ao enviar dinheiro alegando “finalidade de investimento”, o cliente paga menos IOF na conversão, abrindo margem para essas empresas lucrarem com o câmbio e atrair novos investidores.
O que está sendo oferecido?
As plataformas passaram a divulgar produtos dolarizados, como:
Fundos com juros em dólar, euro ou libra
ETFs de renda fixa nos EUA
Títulos corporativos internacionais
A estratégia também mira um hábito do investidor brasileiro: a preferência pela renda fixa. Por isso, a comunicação das plataformas se concentra em mostrar como é possível “fazer dinheiro render em dólar”.
Renda fixa no exterior vs. renda fixa no Brasil: quem paga mais?
Nos EUA, a renda fixa pública hoje oferece em média 4% a 5% ao ano em dólar. Parece atrativo, mas após a inflação americana, o ganho real cai para 1% a 2% ao ano.
No Brasil, mesmo com inflação mais elevada, o retorno real sobra:
Tesouro Direto paga cerca de 15% ao ano
Desconto da inflação deixa rendimento real aproximado de 9% a 10%
Títulos privados podem chegar a 17% ao ano
LCIs, LCAs e debêntures incentivadas são isentas de IR
Resultado: no Brasil, a renda fixa entrega muito mais retorno líquido e real do que a renda fixa americana.
Risco, proteção e liquidez: qual mercado é mais seguro?
| Aspecto | Estados Unidos | Brasil |
|---|---|---|
| Risco soberano | Triplo A (padrão mundial) | Grau especulativo, mas sem histórico de calote ao cidadão |
| Proteção ao investidor | Não existe FGC; risco total se empresa quebrar | FGC protege até R$ 250 mil por CPF |
| Liquidez | Alta em títulos públicos | Alta em Tesouro Selic; títulos privados variam |
O investidor brasileiro ainda conta com uma vantagem rara no mundo: juros altos + proteção via FGC, o que reduz o risco de perda mesmo quando bancos quebram.
E o dólar, vale a pena para proteger patrimônio?
O dólar é uma moeda forte, com mais de 230 anos, e historicamente se valoriza frente ao real. Porém, nos últimos anos isso mudou:
Nos últimos 5 anos, o dólar está praticamente estável
Quem investiu em renda fixa em dólar perdeu muito dinheiro em reais
Brasileiros que ficaram no Brasil ganharam até 89% de juros reais acumulados
Conclusão parcial: quem deixou de investir no Brasil para “se proteger em dólar” perdeu mais do que ganhou.
Tributação: importar investimento tem custo
| Imposto | Brasil | EUA |
|---|---|---|
| IR | Regressivo (22,5% até 15%) ou isento em diversos casos | 15% fixos sobre rendimentos |
| IOF | Pago só em resgates antes de 30 dias | Sempre cobrado ao enviar dinheiro (1,1%) |
Só para começar a investir em dólar, o brasileiro já perde 1,1% em IOF na saída.
Então vale a pena investir em dólar?
Depende do objetivo:
Bom para proteção e diversificação de longo prazo
Ruim se o foco for rentabilidade em renda fixa
Hoje, com juros muito altos no Brasil, a renda fixa nacional é a melhor opção do mundo em ganho real. Já investimentos em dólar fazem mais sentido para diversificação, hedge cambial e exposição a ativos globais — não para buscar o maior rendimento.
O brasileiro que busca retorno financeiro não encontra na renda fixa americana uma alternativa melhor do que os títulos nacionais. Porém, quem busca proteção em moeda forte e diversificação internacional pode usar os produtos dolarizados oferecidos por plataformas como Wise e Nomad — desde que esteja disposto a ganhar menos no curto prazo.
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