O ano de 2026 começa com o Brasil operando sob uma das maiores taxas de juros do mundo. A Selic permanece em 15% ao ano, refletindo um cenário de inflação resistente, deterioração fiscal e fortes pressões externas. Apesar de parte do mercado ter apostado em estabilidade ou início de flexibilização, a realidade se impôs: não há espaço técnico para queda dos juros neste momento.
Selic em 15%: por que o Brasil segue com juros tão altos em 2026
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central do Brasil para controlar a inflação e ancorar expectativas. Em 2026, o desafio permanece intenso.
Mesmo com algum alívio pontual nos índices mensais, a inflação acumulada segue acima do teto da meta, o que impede qualquer movimento prematuro de afrouxamento monetário. O Banco Central tem reforçado que prefere errar pelo excesso de cautela do que repetir erros do passado, quando a demora no combate à inflação gerou custos muito maiores à economia.
Inflação ainda distante do centro da meta
O Brasil opera hoje sob um regime de metas mais rígido:
Meta central: 3,0%
Teto: 4,5%
Embora o IPCA tenha desacelerado em alguns meses, a inflação segue rodando acima do nível compatível com cortes de juros sustentáveis. Além disso, as expectativas continuam desancoradas, especialmente no médio prazo, o que exige juros elevados por mais tempo.
Resumo prático: enquanto a inflação não convergir de forma clara para o centro da meta, a Selic tende a permanecer em níveis restritivos.
Cenário internacional reforça postura dura do Banco Central
O ambiente externo em 2026 continua pressionando países emergentes como o Brasil:
Juros elevados nas economias centrais, reduzindo a liquidez global
Dólar forte, pressionando moedas emergentes
Petróleo volátil, com riscos geopolíticos persistentes
Fluxo de capitais seletivo, penalizando países com fragilidade fiscal
Quando o diferencial de juros diminui, o capital sai. Isso pressiona o câmbio, encarece importações e alimenta a inflação doméstica. Para evitar uma desvalorização mais forte do real, o Brasil precisa manter juros elevados.
O peso da Selic no bolso do brasileiro
A Selic a 15% não é apenas um número técnico — ela afeta diretamente o cotidiano da população.
Crédito caro e consumo travado
Financiamentos imobiliários, crédito pessoal, rotativo do cartão e empréstimos empresariais seguem com taxas elevadas, restringindo consumo e investimentos.
Inflação invisível segue avançando
Além do aumento direto de preços, cresce a chamada reduflação:
Embalagens menores pelo mesmo preço
Queda na qualidade de produtos
Substituição de ingredientes por versões mais baratas
Poupador conservador continua perdendo
Quem deixa dinheiro parado ou concentrado na poupança sofre perda real de poder de compra. Mesmo com Selic alta, a inflação corrói o valor do dinheiro ao longo do tempo.
Risco fiscal mantém juros pressionados
O pano de fundo estrutural segue sendo o descontrole das contas públicas. O Brasil entra em 2026 com:
Dívida pública elevada e crescente
Déficit nominal alto
Forte peso dos juros sobre o orçamento
Com grande parte da dívida atrelada à Selic, juros altos aumentam o custo da dívida, elevam o risco percebido e forçam o mercado a exigir prêmios cada vez maiores. Isso cria um círculo vicioso difícil de romper sem ajuste fiscal consistente.
Existe chance de queda da Selic em 2026?
No cenário atual, não no curto prazo. Para que os juros comecem a cair de forma segura, seria necessário:
Inflação convergindo claramente para a meta
Expectativas bem ancoradas
Melhora concreta no quadro fiscal
Ambiente externo menos hostil
Sem esses fatores combinados, qualquer corte prematuro elevaria o risco de:
Alta do dólar
Reaceleração inflacionária
Perda de credibilidade da política monetária
A Selic a 15% em 2026 é o retrato de um país ainda lutando para domar a inflação, equilibrar as contas públicas e recuperar a confiança. Enquanto o ajuste fiscal não avança e o cenário global permanece desafiador, juros altos deixam de ser exceção e passam a ser a regra.
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