A possível abertura de capital da Compass, maior distribuidora de gás natural do Brasil, pode marcar um dos IPOs mais relevantes dos últimos anos na B3. Diferente de muitas estreias recentes, a companhia não chega ao mercado como promessa, mas sim como uma empresa consolidada, com histórico consistente de geração de caixa, pagamento de dividendos e expansão operacional.
Controlada pela Cosan, a Compass atua por meio de sete distribuidoras, com destaque para a Comgás — maior operação do setor no país — além de participação em negócios de comercialização de gás.
A expectativa do mercado é que a empresa realize sua oferta inicial de ações (IPO) já nas próximas semanas, com faixa indicativa de preço entre R$ 28 e R$ 35 por ação.
Estrutura do IPO e valor de mercado estimado
A operação deve envolver a venda de aproximadamente 89,3 milhões de ações, o equivalente a cerca de 12,5% do capital. Com isso, os controladores podem levantar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3,1 bilhões.
Considerando o total de 714 milhões de ações, a Compass pode estrear na Bolsa com valor de mercado estimado entre:
| Indicador | Valor estimado |
| Preço por ação | R$ 28 a R$ 35 |
| Valor de mercado | R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões |
| Dívida líquida | ~R$ 10 bilhões |
| Valor da firma (EV) | R$ 30 bilhões a R$ 35 bilhões |
A empresa também pretende ingressar no Novo Mercado, segmento de mais alto nível de governança da bolsa brasileira.
Resultados robustos e previsibilidade chamam atenção
Um dos principais diferenciais da Compass está na estabilidade de seus resultados — característica comum em empresas de utilidade pública.
- EBITDA anual: cerca de R$ 5 bilhões
- Lucro líquido: aproximadamente R$ 1,5 bilhão
- Alavancagem: 2,1x dívida líquida/EBITDA (nível considerado saudável)
Esse perfil garante previsibilidade de receitas e menor volatilidade, algo valorizado por investidores de longo prazo.
Dividendos podem chegar a até 9% ao ano
A Compass tem histórico relevante de distribuição de proventos, incluindo dividendos, JCP e até redução de capital.
Nos últimos anos, os pagamentos variaram entre R$ 600 milhões e R$ 2,5 bilhões, demonstrando consistência.
Com base nas projeções atuais, o potencial de retorno com dividendos após o IPO pode ficar entre:
| Métrica | Estimativa |
| Dividendos anuais | ~R$ 1,8 bilhão |
| Dividend yield estimado | 7% a 9% |
Esse nível de rendimento coloca a empresa em linha com ativos tradicionais de renda, mas com potencial adicional de valorização.
Avaliação: preço justo ou oportunidade?
A análise de valuation indica que a Compass deve chegar ao mercado com uma precificação considerada equilibrada.
- P/L (Preço/Lucro): entre 14x e 17x
- EV/EBITDA: entre 6x e 7x
Além disso, modelos de fluxo de dividendos indicam preço justo entre R$ 31 e R$ 35 por ação, próximo ao topo da faixa sugerida.
Ou seja, o IPO não aparenta ser uma “pechincha”, mas também está longe de ser considerado caro.
Crescimento ainda é um dos principais gatilhos
Apesar de já consolidada, a Compass ainda possui amplo espaço para expansão, especialmente por um fator estrutural: a baixa penetração do gás natural no Brasil.
- Penetração no Brasil: cerca de 5%
- América Latina (ex-Brasil): 31%
- Europa: 44%
- EUA: 47%
Dentro das áreas de concessão da empresa, esse número já avançou, mas ainda tem espaço relevante:
- Comgás: de 11% para 19%
- Outras operações: cerca de 5%
Além disso, a companhia projeta crescimento significativo em:
- Número de clientes (meta de até 4,8 milhões)
- Expansão da rede de distribuição
- Ampliação da presença em cidades
Posicionamento estratégico favorece resultados
Outro ponto relevante é a atuação da Compass em regiões altamente industrializadas e densamente povoadas, principalmente no Sul e Sudeste do Brasil.
Esse fator aumenta a eficiência da distribuição e reduz custos operacionais, ao mesmo tempo em que impulsiona a demanda por gás natural — especialmente no setor industrial.
O que esperar do IPO da Compass
O IPO da Compass pode se destacar no mercado brasileiro por reunir três características que raramente aparecem juntas em estreias na Bolsa:
- Empresa madura e lucrativa
- Histórico consistente de dividendos
- Potencial de crescimento estrutural
Ainda assim, especialistas avaliam que o investidor deve considerar o preço de entrada, já que a companhia tende a estrear próxima do seu valor justo.
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