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Mercados

Carros que mais desvalorizaram na Fipe acendem alerta para quem compra seminovo

Levantamento aponta quedas de até 25% em um ano e mostra por que preço, liquidez, tecnologia e revenda pesam no bolso do consumidor.
Suzana MelloPor Suzana Mello12 de junho de 20269 minutos lidos
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Carros que mais desvalorizaram na Fipe acendem alerta para quem compra seminovo
Carros que mais desvalorizaram na Fipe acendem alerta para quem compra seminovo

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Um levantamento com base na Tabela Fipe apontou forte desvalorização em modelos híbridos, elétricos, SUVs, sedãs premium e picapes.
  • Consumidores que compraram carro zero ou seminovo recente podem ser afetados pela perda patrimonial na revenda.
  • O dado importa porque a depreciação é um dos custos mais relevantes na decisão de compra de um veículo.

A desvalorização de carros voltou a chamar atenção no mercado brasileiro de seminovos. Um levantamento baseado na comparação de valores da Tabela Fipe entre junho de 2025 e junho de 2026 apontou quedas expressivas em modelos de diferentes categorias, incluindo híbridos plug-in, elétricos, SUVs premium, picapes médias e versões topo de linha com baixa liquidez na revenda.

A maior queda percentual citada no levantamento foi do BYD Song Plus Premium 2024, com recuo de 25,30% em um ano. Em valor nominal, o Audi A4 Performance Black 2022 aparece com uma perda informada de R$ 59.161 no mesmo período. Os números reforçam um ponto importante para o consumidor: o preço de compra não é o único custo de um carro. A perda de valor ao longo do tempo pode pesar tanto quanto seguro, manutenção, IPVA e financiamento.

A Tabela Fipe é uma referência amplamente usada no mercado brasileiro, mas não representa, sozinha, o preço final de venda de cada veículo. O valor efetivamente negociado pode variar conforme região, estado de conservação, quilometragem, histórico, cor, opcionais, garantia, demanda local e urgência de venda. Ainda assim, a variação da Fipe ajuda a medir a tendência de preço e a percepção do mercado sobre determinados modelos.

Modelos eletrificados lideram parte das quedas

Entre os veículos com maior perda percentual aparecem modelos híbridos plug-in e elétricos. Essa tendência não significa que todo carro eletrificado vá perder valor acima da média, mas mostra que parte desse mercado ainda passa por ajustes de preço, competição intensa e dúvidas do consumidor sobre revenda, garantia, bateria, assistência técnica e velocidade de evolução tecnológica.

No caso dos híbridos plug-in, há um componente adicional: muitos modelos chegaram ao mercado com preços elevados e, em alguns casos, passaram a conviver com descontos, promoções ou novos concorrentes com pacote tecnológico mais agressivo. Quando o preço do zero quilômetro cai ou fica mais competitivo, o seminovo tende a sentir o impacto.

O BYD Song Plus Premium 2024, por exemplo, teve queda informada de R$ 56.831 em um ano, equivalente a 25,30%. O Jeep Compass S 4xe plug-in híbrido 2023 também aparece entre as maiores perdas, com recuo de R$ 40.925, ou 21,64%. Já o Volvo XC40 Recharge Plus 2024, elétrico premium, teve queda apontada de R$ 43.530, equivalente a 17,07%.

Premium, SUVs caros e baixa liquidez pesam na revenda

Outro grupo que aparece com força no levantamento é o dos veículos premium ou versões mais caras de modelos já conhecidos. Nesses casos, a desvalorização costuma estar ligada à menor liquidez: há menos compradores dispostos a pagar valores elevados por um usado, especialmente quando o custo de manutenção, seguro e peças também é maior.

O Audi A4 Performance Black 2022 teve a maior perda nominal da lista, com queda informada de R$ 59.161 em um ano, ou 23,79%. O dado chama atenção porque mostra como sedãs premium podem sofrer quando há baixa demanda, mudança de geração, concorrência com outras marcas de luxo e menor apelo no mercado de usados.

O Jeep Commander Longitude T270 2025 também aparece entre os modelos com queda relevante. Segundo o levantamento, a versão perdeu R$ 27.464 em um ano, ou 14,02%. O caso ilustra um ponto importante para o comprador: SUVs de sete lugares e versões mais caras podem parecer atraentes no zero quilômetro, mas a revenda depende de preço, concorrência, percepção de custo-benefício e volume de unidades disponíveis no mercado.

Veja os carros com maiores quedas citadas no levantamento

ModeloAno-modeloQueda em 1 anoDesvalorização informadaO que observar
BYD Song Plus Premium2024R$ 56.83125,30%Híbrido plug-in, concorrência forte e sensibilidade a descontos
Audi A4 Performance Black2022R$ 59.16123,79%Sedã premium com menor liquidez na revenda
Jeep Compass S 4xe plug-in híbrido2023R$ 40.92521,64%Versão cara e eletrificada dentro de um segmento competitivo
Hyundai Tucson GLS 1.6 Turbo GDI2023R$ 25.56317,44%Modelo com menor apelo comercial e revenda mais restrita
Volvo XC40 Recharge Plus2024R$ 43.53017,07%Elétrico premium sujeito a dúvidas sobre revenda e tecnologia
Kia Niro SX Prestige2024cerca de R$ 30,8 mil16,06%Híbrido com baixa presença comercial e liquidez limitada
Volkswagen Amarok V6 Comfortline2023R$ 30.94615,78%Picape com reputação dividida e concorrência tradicional forte
GWM Haval H6 GT plug-in híbrido2023R$ 34.775cerca de 14,5%Versão esportiva e mais cara de um SUV eletrificado
Fiat Titano Ranch2024R$ 30.03714,35%Picape média nova em segmento dominado por marcas tradicionais
Jeep Commander Longitude T2702025R$ 27.46414,02%SUV caro, com concorrência crescente em sete lugares
Kia Sportage EX Prestige2024R$ 31.05613,17%Versão cara e híbrida leve, com disputa acirrada no segmento
JAC Hunter HD2025R$ 31.06712,88%Picape com baixa liquidez e rede comercial menor
Renault Duster Iconic Plus 1.3 Turbo2026R$ 17.58012,51%Versão topo de linha de projeto já conhecido no mercado

Por que alguns carros perdem tanto valor?

A desvalorização de um veículo pode ser explicada por vários fatores combinados. O primeiro é o preço de entrada. Quanto mais caro o carro, menor tende a ser o público comprador no mercado de usados. Isso aumenta o risco de demora na venda e pressiona o preço para baixo.

Outro fator é a política comercial do carro zero. Quando uma montadora ou concessionária oferece descontos relevantes em veículos novos, o seminovo equivalente pode perder atratividade. O comprador passa a comparar o usado com um zero quilômetro em promoção, o que reduz a margem de negociação de quem está vendendo.

Também pesa a percepção de risco. Modelos com mecânica pouco conhecida, tecnologia recente, baixa rede de assistência, histórico de mercado limitado ou baixa procura tendem a exigir desconto maior para atrair comprador. Isso aparece com frequência em veículos eletrificados, importados, premium ou em marcas com menor presença no mercado nacional.

A diferença entre preço de tabela e preço real

A Fipe funciona como referência de preço médio, mas o valor real de venda pode ser maior ou menor. Um carro bem conservado, com baixa quilometragem, revisões em dia e boa aceitação regional pode ser negociado acima da referência. Já veículos com histórico de sinistro, leilão, manutenção pendente, alta quilometragem ou baixa procura podem exigir descontos.

Por isso, a análise da desvalorização deve ser vista como um indicador de tendência, não como uma sentença definitiva sobre a qualidade do carro. Um modelo pode ser tecnicamente bom e, ainda assim, perder valor se tiver baixa liquidez, preço inicial elevado ou concorrentes mais atraentes no mercado.

O impacto para quem compra carro zero

Para quem compra carro zero, a desvalorização é um custo financeiro real. Mesmo que o consumidor não venda o veículo imediatamente, a perda aparece no patrimônio. Em uma troca futura, o valor recebido pelo usado pode ser menor do que o esperado, exigindo maior desembolso para comprar outro carro.

Esse impacto é ainda mais relevante quando a compra foi financiada. Se o veículo desvaloriza rapidamente, o saldo devedor pode ficar próximo ou até acima do valor de mercado do carro em determinado momento, reduzindo a flexibilidade do consumidor para vender ou trocar o bem.

Antes de fechar negócio, vale comparar não apenas o preço de compra, mas também liquidez, histórico de revenda, custo de seguro, manutenção, disponibilidade de peças, garantia e comportamento da versão específica na Fipe.

O impacto para quem compra seminovo

Para o comprador de seminovo, uma queda forte pode representar preço mais atraente de entrada. Mas isso não elimina riscos. Um carro que já caiu muito pode continuar perdendo valor se a demanda seguir fraca ou se surgirem novos descontos no zero quilômetro.

A análise deve considerar o objetivo do consumidor. Quem pretende ficar muitos anos com o veículo pode ser menos afetado pela oscilação de curto prazo. Já quem troca de carro com frequência precisa observar a liquidez com mais atenção, pois uma revenda difícil pode reduzir o poder de negociação.

O QUE OBSERVAR AGORA

Principal ponto de atenção:
Acompanhar se as quedas continuam nos próximos meses ou se os preços se estabilizam após o ajuste de mercado.

Risco ou limitação:
A Tabela Fipe é uma referência média e não substitui uma avaliação individual do veículo, que deve considerar estado de conservação, quilometragem, histórico, região e demanda.

Próximo dado a acompanhar:
As próximas atualizações mensais da Fipe, especialmente para veículos eletrificados, SUVs premium, picapes médias e versões topo de linha com baixa liquidez.

A lista de carros com forte desvalorização mostra que a decisão de compra precisa ir além de design, tecnologia e preço de tabela. No mercado automotivo, liquidez, reputação, custo de manutenção, política de descontos e aceitação da versão têm impacto direto no bolso.

Para o consumidor, a principal lição é tratar o carro como uma decisão financeira relevante. Mesmo quando não se trata de investimento, a escolha do modelo pode preservar ou reduzir patrimônio ao longo do tempo. Antes de comprar, comparar a variação histórica da Fipe, pesquisar preços reais de mercado e avaliar o custo total de uso pode evitar surpresas na hora da revenda.

Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra, venda ou manutenção de ações, FIIs, títulos públicos, títulos privados, criptomoedas ou qualquer outro ativo financeiro. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos, os riscos envolvidos e consulte profissionais autorizados, se necessário.

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Suzana Mello

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