O mercado financeiro brasileiro viveu dois dias históricos. Na segunda-feira (5), o Ibovespa disparou 7,7% e fechou aos 206.911 pontos, estabelecendo um novo recorde. Durante o pregão, chegou a superar os 209 mil pontos.

Nesta terça-feira (6), veio uma realização de lucros: o índice recuou 0,52%, aos 205.835 pontos. Mesmo assim, permaneceu acima dos 200 mil. Já o dólar continuou caindo e encerrou a R$ 4,975, menor valor de fechamento em quase cinco meses.

Depois de tamanha valorização, surge a dúvida inevitável: ainda vale a pena investir agora?

Por que a Bolsa disparou?

A resposta passa principalmente pelas eleições.

O mercado reagiu ao resultado do primeiro turno, que colocou Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. Investidores passaram a atribuir maior probabilidade a uma política econômica com ajuste fiscal, controle de gastos e reformas caso haja mudança de governo.

Isso não significa que as empresas ficaram muito mais lucrativas de uma hora para outra.

O que mudou foi a expectativa sobre o futuro. Como destaca o material que originou esta análise, investidores passaram a enxergar maior possibilidade de mudanças na política econômica e de um ambiente mais favorável aos negócios.

E Bolsa negocia justamente expectativas.

Então ainda é hora de comprar ações?

Depois de uma alta de quase 8% em um único pregão, entrar simplesmente porque “está subindo” pode ser perigoso.

Algumas ações ligadas à economia doméstica, aos bancos e ao mercado de capitais dispararam muito mais do que o próprio Ibovespa. B3, por exemplo, avançou mais de 20% no rali de segunda-feira.

Isso não significa que essas empresas deixaram de ser boas. Significa que o preço passou a importar ainda mais.

O investidor precisa separar duas perguntas: a empresa tem boas perspectivas? E essas perspectivas já estão embutidas na cotação?

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Comprar no auge da euforia apenas por medo de perder novas altas é o chamado FOMO — e pode levar o investidor a pagar caro demais.

E a renda fixa?

A mudança também atingiu os títulos públicos.

Com a queda dos juros futuros, títulos prefixados e indexados à inflação comprados anteriormente a taxas maiores registraram valorização pela marcação a mercado. O material original destaca justamente essa relação: quando as taxas exigidas pelo mercado caem, títulos antigos podem passar a valer mais antes do vencimento.

Para quem investe pensando no longo prazo, renda fixa continua tendo espaço. O ponto é não escolher um título apenas porque ele valorizou nos últimos dias.

E investir no exterior com o dólar abaixo de R$ 5?

A queda do dólar pode tornar ativos internacionais relativamente mais baratos para quem compra usando reais.

Ao mesmo tempo, quem já possui investimentos no exterior pode perceber redução no valor da carteira quando faz a conversão para a moeda brasileira.

Isso não invalida a diversificação internacional. Pelo contrário: mostra por que investir no exterior não deveria ser apenas uma aposta na alta do dólar, mas uma forma de diversificar moedas, países e empresas.

O melhor investimento agora pode ser não correr

O resultado do primeiro turno deu ao mercado um forte motivo para rever suas expectativas, mas a eleição ainda não terminou.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e analistas alertam que a continuidade do rali dependerá não apenas do resultado eleitoral, mas principalmente da execução de uma política fiscal considerada crível pelo mercado.

Por isso, o momento exige mais análise do que pressa.

Ações podem continuar oferecendo oportunidades. A renda fixa não deixou de ser interessante. E o dólar mais baixo pode abrir espaço para diversificação internacional.

Mas depois de uma disparada histórica, uma regra continua valendo: não é porque um ativo subiu que ele continuará subindo — e não é porque você perdeu o primeiro movimento que precisa correr atrás do segundo.