Depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia entrou na reta final e caminha para a assinatura no próximo dia 17, agora tratada como formalidade após o aval político dado no fim de 2024. A perspectiva de integração comercial entre dois grandes blocos — somando cerca de 700 milhões de consumidores — reacendeu o apetite ao risco e deu sustentação ao desempenho dos ativos.
O impacto foi imediato: o Ibovespa fechou a sexta-feira (9) em alta de 0,38%, aos 163.558,44 pontos, encerrando a primeira semana cheia do ano com avanço acumulado de 1,91%. O movimento reflete não apenas a expectativa com o tratado, mas também a leitura mais benigna de inflação e o alívio no cenário internacional.
PIB, agro e exportações: onde o acordo pode fazer diferença
Estudos indicam que o tratado pode elevar o PIB brasileiro em até 0,46% até 2040, com ganhos relevantes em produtividade, comércio e investimento. O agro sustentável desponta como um dos maiores beneficiados, especialmente cadeias como carne, café, vinho e azeite, que ganham acesso ampliado e previsibilidade regulatória nos dois continentes.
Além do agro, segmentos industriais e de base florestal também entram no radar, impulsionados por redução de tarifas, harmonização de regras e aumento da competitividade no longo prazo.
Inflação doméstica ajuda, e o exterior completa o quadro
No front interno, o IPCA de dezembro veio abaixo do esperado e manteve a inflação dentro do intervalo da meta, o menor nível desde 2018. Apesar de a inflação de serviços ainda exigir cautela, o dado reforçou a leitura de estabilidade de preços no curto prazo.
No exterior, o payroll de dezembro nos Estados Unidos frustrou expectativas, reduzindo a pressão por juros mais altos. O resultado ajudou os principais índices de Nova York a fecharem em alta, com novos recordes — destaque para o S&P 500. Na Europa, bolsas também avançaram, puxadas por tecnologia e defesa.
Com esse pano de fundo, o dólar comercial recuou 0,44%, encerrando o dia a R$ 5,36, movimento favorável para ativos brasileiros.
B3: vencedores e perdedores do pregão
Na B3, papéis ligados a exportação e commodities reagiram positivamente ao acordo. Frigoríficos e papeleiras avançaram, antecipando ganhos de competitividade. Os bancos contribuíram de forma moderada para a alta; apenas o Itaú Unibanco teve leve recuo (-0,05%), ainda assim figurando como a ação mais negociada do dia, com valorização consistente no volume e alta de 1,32% no papel preferencial.
A Petrobras acompanhou a alta do petróleo internacional e subiu 0,70%, enquanto a Vale pressionou o índice ao cair 1,10%, apesar de fechar a semana com ganho superior a 3%.
Entre as quedas, o Grupo Pão de Açúcar recuou 3,77%, com ruído adicional após a saída do CFO. Já a volatilidade do dia ficou por conta da Azul, que disparou 175,96% após ter desabado cerca de 90% no pregão anterior — movimento considerado previsível por especialistas diante da diluição e do ajuste técnico.
Juros futuros e o que vem pela frente
Os juros futuros oscilaram ao longo do dia e terminaram de forma desordenada, refletindo a digestão simultânea de dados domésticos e internacionais. Para a próxima semana, a agenda promete manter a volatilidade elevada:
Brasil: Pesquisa Mensal de Serviços (terça), Pesquisa Mensal do Comércio (quinta), IBC-Br e IGP-10 (sexta).
Estados Unidos: Inflação ao consumidor (CPI) na terça; vendas no varejo e inflação ao produtor (PPI) na quarta.
Esses indicadores devem calibrar expectativas de crescimento, inflação e política monetária, com impacto direto nos mercados globais — e, por consequência, nos ativos brasileiros.
O destravamento do acordo Mercosul–União Europeia marca um ponto de inflexão para o Brasil no comércio internacional e ajuda a explicar o bom humor recente do mercado. Com inflação doméstica comportada, alívio no cenário externo e perspectiva de ganhos estruturais no longo prazo, o Ibovespa inicia o ano em terreno positivo, enquanto investidores ajustam posições de olho nos próximos dados econômicos.
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