A Schulz (SHUL4), uma das fabricantes de compressores e equipamentos industriais mais relevantes da América Latina, vive um dos períodos mais voláteis de sua história recente. Em 2024 e 2025, a ação acumulou quedas significativas, em meio a incertezas globais, tarifas comerciais imprevisíveis e aversão ao risco no mercado local.
Apesar disso, os números operacionais contam uma história muito diferente — e extremamente favorável.
A empresa mantém caixa líquido, alavancagem zero, fluxo de caixa livre positivo e ROE superior a 15%, mesmo em um cenário de juros altos, inflação irregular e pressão cambial. No consolidado dos últimos quatro trimestres (TTM), a rentabilidade ultrapassa 15%, sustentando uma trajetória sólida de resultados recorrentes.
Líder em compressores e presente em setores estratégicos, da indústria ao agronegócio
Fundada em 1979, a Schulz atua em dois pilares centrais:
1. Divisão Industrial
Compressores de ar
Secadores e reservatórios
Equipamentos para uso profissional e industrial
Aplicações em clínicas odontológicas, hospitais, varejo e pequenas indústrias
Presença crescente no agronegócio
2. Divisão Automotiva
Componentes em ferro nodular e ferro cinzento
Usinagem, pintura e montagem
Atuação no setor automotivo pesado global
Entrada no setor eólico reforça agenda de energia limpa
Nos últimos anos, a empresa passou a integrar a cadeia de suprimentos de aerogeradores, fornecendo peças essenciais para a geração de energia renovável.
Essa diversificação amplia a resiliência do negócio, posiciona a companhia na economia verde e abre portas para contratos de longo prazo.
Governança familiar e preferenciais SHUL4 com liquidez
A estrutura de controle permanece familiar, com ações ordinárias concentradas. As preferenciais SHUL4, no entanto, têm boa liquidez no mercado.
O free float gira em torno de 40%, mas o papel não oferece tag along para minoritários — ponto observado por investidores mais sensíveis à governança.
Mesmo assim, grandes fundos estão posicionados no ativo, incluindo gestoras de renome e fundos previdenciários.
Exposição ao risco de tarifas dos EUA é limitada, mas existe
Apenas 6,1% da receita de 2024 foi destinada aos Estados Unidos.
Embora a empresa tenha ficado fora de algumas listas tarifárias recentes, o mercado segue reagindo à incerteza sobre políticas comerciais, principalmente envolvendo o governo norte-americano.
Fundamentos mostram força: caixa líquido, alavancagem zero e lucro consistente
A Schulz apresenta:
Lucro recorde em 2023: R$ 278 milhões
Projeção de 2025: R$ 270 milhões
Margem líquida em torno de 14%
ROE entre 18% e 21%
Fluxo de caixa livre robusto
Endividamento controlado e caixa líquido
Mesmo com juros acima de 14% ao ano, a empresa continua lucrativa e eficiente — um diferencial expressivo para uma indústria tradicional.
Comparação com concorrentes mostra vantagem clara
Analisando empresas industriais “fora do radar”, o destaque é evidente:
| Empresa | ROE | Alavancagem | Caixa Líquida | FCL Positivo |
|---|---|---|---|---|
| SHUL4 | 18% | 0x | Sim | Sim |
| Fras-Le | 16% | 2.3x | Não | Sim |
| Tupy | 12% | 3.7x | Não | Sim |
| Home | <10% | 3.5x | Não | Não |
A Schulz entrega rentabilidade elevada sem dívida relevante, ponto incomum no setor.
Dividendos: pagamento trimestral e preço-teto chamativo
Pagamentos ocorrem trimestralmente.
Nos últimos anos, o dividend yield variou entre 3,5% e 6%, dependendo do preço da ação.
Os preços-teto estimados ficam entre R$ 4,50 e R$ 5,30, considerando DY mínimo entre 4,5% e 6%.
Com SHUL4 negociando abaixo de R$ 5 em vários momentos de 2025, a ação passou a ser vista como desconto relevante, principalmente para quem busca renda recorrente.
Volatilidade histórica mostra pontos de compra privilegiados
Quedas profundas ocorreram em momentos específicos:
2008: -75%
2015: -73%
2020: -65%
Em ciclos prolongados de aperto monetário — como 2021 a 2023 e 2024 a 2025 — as quedas médicas ficam próximas de 37%, o mesmo nível registrado agora.
Historicamente, quando a ação cai nessa faixa, os ciclos seguintes costumam gerar altas expressivas entre 40% e 60%.
SHUL4 supera CDI e IMA-B no longo prazo
Desde 2003:
SHUL4: +21.000%
IMA-B: +1.300%
CDI: +877%
Mesmo sendo uma empresa industrial, o retorno ajustado ao risco impressiona e reforça o caráter de “ações fora do radar” com performance superior.
Preço atual distante do lucro abre “boca de jacaré” e chama atenção
O lucro permanece estável perto dos recordes, enquanto a cotação despenca.
Esse movimento cria a chamada “boca de jacaré” — quando preço cai, mas lucro permanece firme — indicando potencial de recuperação.
Técnicos começam a sinalizar reversão no curto prazo
Nos indicadores de curto prazo:
Tendência de baixa no gráfico mensal
Consolidação no semanal
Sinais neutros e início de força compradora no gráfico diário
Para quem prioriza timing, a ação começa a buscar fundo.
SHUL4 é uma oportunidade de estudo em 2025
Mesmo com governança familiar e sensibilidade ao cenário global, a Schulz reúne:
caixa líquido
alavancagem zero
ROE elevado
fluxo de caixa robusto
entrada no setor eólico
histórico vencedor contra CDI e IMAB
dividendos trimestrais
preço descontado em plena queda
Combinando fundamentos sólidos, volatilidade historicamente favorável e preço muito abaixo do valor justo estimado, SHUL4 se destaca como uma das “joias raras” da Bolsa em 2025, especialmente para investidores de longo prazo.
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