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Início » Selic a 14% coloca prefixados de até 15,8% no radar, mas exige atenção aos riscos
Investimentos

Selic a 14% coloca prefixados de até 15,8% no radar, mas exige atenção aos riscos

Com a expectativa de novos cortes nos juros, títulos prefixados podem preservar taxas elevadas por vários anos; ofertas, porém, têm prazo, risco de crédito e disponibilidade limitada.
Luciana RibeiroPor Luciana Ribeiro31 de agosto de 20266 minutos lidos
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Selic a 14% coloca prefixados de até 15,8% no radar, mas exige atenção aos riscos

A redução da Selic para 14% ao ano aumentou o interesse por investimentos prefixados, que permitem contratar antecipadamente uma taxa e mantê-la até o vencimento. Entre as ofertas citadas pela educadora financeira Sofia Abreu estão LCIs com remuneração entre 13,1% e 13,35% ao ano e um CDB com taxa bruta de 15,8%.

O movimento ocorre enquanto o mercado espera a continuidade do ciclo de queda dos juros. No Relatório Focus de 21 de agosto, a mediana das projeções apontava Selic de 13,75% no encerramento de 2026. Isso representa uma expectativa dos analistas consultados, não uma decisão já tomada pelo Banco Central.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária está marcada para os dias 15 e 16 de setembro, conforme o calendário oficial do Copom.

Quais prefixados foram apresentados

As quatro aplicações foram mencionadas em vídeo publicado pelo canal Servidor que Investe. As taxas devem ser confirmadas diretamente nos aplicativos ou sites das instituições, pois produtos de renda fixa podem sair da plataforma, ter o estoque encerrado ou mudar de remuneração rapidamente.

InstituiçãoProdutoTaxa apresentadaPrazo informadoAplicação mínima
Banco DaycovalLCI prefixada13,10% ao ano2 anosR$ 1 mil
Banco DaycovalLCI prefixada13,35% ao ano3 anosConfirmar no momento da aplicação
Banco BariLCI prefixada13,30% ao anoVencimento em 2030R$ 1 mil
Banco BMGCDB prefixado15,80% ao anoAproximadamente 2 anosR$ 50

As condições foram extraídas do material apresentado por Sofia Abreu e não puderam ser confirmadas em páginas públicas permanentes dos bancos. O investidor precisa verificar a taxa efetiva, a data exata de vencimento, a liquidez, a aplicação mínima e a disponibilidade antes de transferir recursos.

O portal já mostrou uma oferta de renda fixa com taxa de 15,60% ao ano e aplicação inicial de R$ 50. O exemplo reforça que remunerações elevadas podem surgir em instituições específicas, mas não permanecem necessariamente disponíveis por muito tempo.

Por que o prefixado ganha força quando a Selic cai

Nos títulos prefixados, a taxa é definida no momento da aplicação. Se o investimento for mantido até o vencimento, a remuneração contratada não diminui caso a Selic e o CDI recuem posteriormente.

Esse mecanismo pode ser favorável em um ciclo de queda dos juros. Enquanto novas emissões passam a oferecer taxas menores, o investidor continua recebendo a remuneração contratada anteriormente.

A Selic foi reduzida para 14% na reunião de agosto, segundo o comunicado do Banco Central. Mesmo depois do corte, a renda fixa continua oferecendo retornos elevados, especialmente em emissões prefixadas de bancos de menor porte.

Isso não significa que toda aplicação com a maior taxa disponível seja automaticamente a melhor escolha. A remuneração mais alta costuma funcionar como compensação por prazo maior, menor liquidez ou risco de crédito superior.

LCI e CDB não podem ser comparados apenas pela taxa

As LCIs destinadas a pessoas físicas são isentas de Imposto de Renda nas regras vigentes. Assim, uma LCI prefixada de 13,3% ao ano entrega essa remuneração sem o desconto do IR sobre os rendimentos.

O CDB de 15,8% ao ano tem uma taxa bruta maior, mas está sujeito à tributação regressiva. De acordo com a tabela da Receita Federal para 2026, a alíquota para aplicações de renda fixa é:

  • 22,5% até 180 dias;
  • 20% entre 181 e 360 dias;
  • 17,5% entre 361 e 720 dias;
  • 15% acima de 720 dias.

A alíquota incide sobre o rendimento, e não sobre todo o dinheiro investido. Para alcançar a menor tributação, o prazo efetivo precisa superar 720 dias. Por isso, é necessário conferir a data exata de vencimento do CDB — dizer apenas que a aplicação dura “dois anos” não garante automaticamente a incidência de 15%.

A comparação correta deve considerar a rentabilidade líquida no vencimento, o prazo, a liquidez e o risco do emissor. A Revista também analisou uma LCA prefixada de até 13,4% ao ano, mostrando como a isenção tributária pode tornar uma taxa aparentemente menor competitiva diante de um CDB.

Prefixado também pode perder para a inflação

A taxa contratada não muda durante a aplicação. Essa previsibilidade é uma vantagem quando a inflação permanece controlada e os juros caem, mas pode se transformar em problema se os preços voltarem a acelerar.

Um título de 13,3% ao ano continuará pagando 13,3% mesmo que a inflação aumente de maneira inesperada. Nesse cenário, o rendimento real — aquilo que sobra depois de descontada a inflação — diminui.

Há ainda o custo de oportunidade. Se a Selic voltar a subir e novas aplicações passarem a oferecer remunerações maiores, o investidor poderá ficar preso a uma taxa inferior até o vencimento, principalmente quando o produto não tiver liquidez antecipada.

Por esse motivo, prefixados não deveriam concentrar toda a parcela de renda fixa da carteira. A combinação com títulos pós-fixados e indexados ao IPCA pode reduzir a dependência de um único cenário econômico.

O que a garantia do FGC realmente cobre

CDBs, LCIs e LCAs estão entre os produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos. A proteção não elimina o risco do banco emissor, mas pode ressarcir o investidor caso a instituição seja liquidada ou sofra intervenção.

Segundo as regras oficiais do FGC, o limite ordinário é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão para garantias recebidas no período de quatro anos.

O cálculo considera o dinheiro aplicado e os rendimentos acumulados. Portanto, quem investir próximo de R$ 250 mil pode ultrapassar o limite de cobertura ao longo do tempo. Aplicações mantidas em bancos pertencentes ao mesmo conglomerado também são somadas.

Além disso, o ressarcimento não é necessariamente imediato. Pode haver um intervalo entre a liquidação da instituição e a liberação dos valores pelo fundo.

O que conferir antes de investir

Antes de contratar qualquer uma das aplicações apresentadas, o investidor deve verificar:

  • a taxa disponível no momento da aplicação;
  • a data exata de vencimento;
  • a possibilidade ou não de resgate antecipado;
  • a rentabilidade líquida de Imposto de Renda;
  • o valor mínimo exigido;
  • o banco emissor e seu conglomerado;
  • quanto do limite do FGC já está comprometido;
  • se o prazo corresponde ao objetivo financeiro.

O cenário de queda da Selic pode favorecer os prefixados, mas a decisão depende da capacidade de manter o dinheiro investido até o vencimento e de suportar mudanças na inflação e nos juros. As taxas apresentadas são referências de ofertas pontuais, não garantia de disponibilidade nem recomendação individual de investimento.

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Luciana Ribeiro
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Luciana Ribeiro é contadora e consultora tributária, com mais de 12 anos de experiência no setor fiscal. Na A Revista, explica impostos, declaração de renda, benefícios, regras tributárias, finanças pessoais e mudanças legais que afetam trabalhadores, consumidores, investidores e empresas.

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