O DIVO11 apresentou desempenho superior ao CDI em aproximadamente 72% das janelas móveis de três e cinco anos analisadas desde o início da série histórica utilizada no levantamento. A vantagem, porém, diminuiu quando a comparação avançou para horizontes de dez anos, sobretudo diante dos índices de títulos públicos ligados à inflação.
Os dados foram apresentados em análise publicada pelo canal Clube do ETF, que comparou o Índice Dividendos da B3 (IDIV) com CDI, IMA-B e IMA-B 5. O estudo chama atenção para uma questão frequentemente ignorada: um investimento pode vencer no retorno acumulado desde uma data específica e, ainda assim, perder em diferentes períodos de entrada.
Os percentuais do levantamento não foram reproduzidos de forma independente pela A Revista e devem ser interpretados como resultado da metodologia e da base utilizadas pelo analista.
DIVO11 acompanha empresas pagadoras de dividendos
O DIVO11 é um fundo de índice administrado pelo Itaú que busca acompanhar o desempenho do IDIV, indicador calculado pela B3 com ações de empresas que se destacam na remuneração dos acionistas.
De acordo com o Itaú Asset, o ETF começou a operar em 31 de janeiro de 2012, cobra taxa de administração de 0,50% ao ano e mantém pelo menos 95% do patrimônio em ações integrantes do índice ou em posições compradas no mercado futuro do IDIV.
Isso exige uma correção importante em relação à análise apresentada no vídeo: retornos anteriores a 2012 correspondem à série histórica do índice de referência, não ao desempenho efetivamente obtido pelo DIVO11. Além da taxa de administração, o fundo pode apresentar pequenas diferenças em relação ao indicador.
O IDIV usado como referência é um índice de retorno total. Segundo a B3, ele considera tanto a oscilação das ações quanto os proventos distribuídos pelas companhias. No DIVO11, esses recursos são incorporados ao patrimônio do fundo, em vez de serem necessariamente depositados em dinheiro na conta do cotista.
Esse funcionamento diferencia o DIVO11 do DIVD11, outro produto do Itaú, criado com a proposta de distribuir rendimentos mensalmente.
Janelas de três a cinco anos favoreceram o ETF
O levantamento apresentado pelo Clube do ETF calculou a frequência com que o IDIV superou três referências da renda fixa em janelas móveis. Cada período representa diferentes datas possíveis de entrada e saída, e não apenas um investimento realizado no começo da série e mantido até 2026.
| Janela analisada | Superou o IMA-B 5 | Superou o IMA-B | Superou o CDI |
|---|---|---|---|
| 1 ano | 63% | 66% | 63% |
| 3 anos | 67% | 68% | 72% |
| 5 anos | 67% | 65% | 72% |
Pelos números apresentados, o desempenho relativo do índice de dividendos melhorou quando o horizonte passou de um para três anos. Nas janelas de cinco anos, a taxa de superação permaneceu próxima ou acima de 65% nas três comparações.
Isso não significa que o investidor tenha 72% de probabilidade garantida de superar o CDI no próximo período. As janelas históricas se sobrepõem, não são eventos independentes e refletem condições econômicas que podem não se repetir.
Prazo de dez anos muda a comparação
A principal surpresa apareceu nas janelas de dez anos. Segundo o levantamento, o IMA-B 5 superou o índice de dividendos em cerca de 68% dos períodos, enquanto o IMA-B ficou à frente em aproximadamente 72%.
O IMA-B, calculado pela Anbima, representa títulos públicos indexados ao IPCA. Já o IMA-B 5 considera papéis com vencimento de até cinco anos.
A comparação indica que ampliar o prazo não garantiu automaticamente vantagem para a renda variável. Em determinados ciclos, a combinação de juros reais elevados e inflação favoreceu os títulos públicos, mesmo diante do bom retorno acumulado das empresas pagadoras de dividendos.
Existe ainda uma diferença de risco. O DIVO11 está exposto à volatilidade da Bolsa e pode registrar quedas acentuadas durante crises econômicas ou políticas. Os índices de renda fixa também oscilam por marcação a mercado, especialmente quando carregam títulos mais longos, mas apresentam comportamento diferente das ações.
Retorno acumulado não conta toda a história
A análise apontou retorno nominal acumulado de aproximadamente 1.523% para o IDIV na série considerada, acima dos 1.330% atribuídos ao IMA-B, dos 1.282% do IMA-B 5 e dos 989% do CDI.
Esses números, contudo, representam um investimento teórico realizado no começo do período. Na prática, o investidor normalmente faz aportes em datas diferentes, compra em momentos de alta e baixa e pode precisar resgatar o dinheiro antes do fim de um ciclo favorável.
Por isso, as janelas móveis oferecem uma leitura complementar. Elas revelam como o resultado mudou conforme a data de entrada e o prazo de permanência, reduzindo o risco de tirar conclusões a partir de um único ponto inicial.
Também é necessário comparar resultados líquidos. A tributação, os custos do produto e as diferenças de risco podem alterar a conclusão. Nas operações comuns com ETFs de ações, o ganho líquido é tributado em 15%, sem a isenção concedida às vendas mensais de ações de até R$ 20 mil. Em day trade, a alíquota é de 20%, conforme explica a B3.
Quedas podem abrir oportunidades, mas não são sinal automático de compra
O vídeo também utiliza análise técnica para identificar momentos em que o DIVO11 fica entre 7% e 14% abaixo da média móvel de 200 pregões. Segundo o analista, distanciamentos dessa magnitude foram pouco frequentes desde 2016 e, em diversos episódios, antecederam recuperações.
Esse critério não permite afirmar que a cota voltará a subir. Uma queda pode refletir deterioração econômica, mudanças nos lucros das empresas, redução dos dividendos ou uma crise sistêmica. Em 2016 e 2020, por exemplo, a renda variável brasileira sofreu recuos muito mais profundos.
A média móvel mostra apenas o comportamento passado dos preços. Ela não considera diretamente os fundamentos das companhias, a composição atual do índice, o nível dos juros ou as perspectivas para a economia.
DIVO11 vale a pena?
O DIVO11 pode ser uma alternativa para quem deseja exposição diversificada a empresas brasileiras pagadoras de dividendos sem selecionar ações individualmente. O produto, entretanto, continua sendo renda variável e não substitui automaticamente títulos públicos, CDBs ou outros instrumentos defensivos.
A análise histórica sugere vantagem sobre o CDI em boa parte das janelas de três a cinco anos estudadas, mas também mostra que a renda fixa ligada à inflação foi competitiva — e até superior — em horizontes mais longos.
A decisão depende do prazo, da tolerância às oscilações e da composição total da carteira. Retornos anteriores, inclusive os obtidos em numerosas janelas históricas, não garantem que o mesmo comportamento ocorrerá nos próximos anos.
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