Os economistas consultados semanalmente pelo Banco Central revisaram para baixo as projeções de inflação tanto para 2025 quanto para 2026, sinalizando uma leve melhora nas expectativas para o controle de preços no Brasil.
Para 2025, a estimativa do IPCA passou de 4,33% para 4,32%. Já para 2026, a projeção recuou de 4,06% para 4,05%. Embora o movimento seja pequeno, indica estabilidade nas expectativas e reforça a percepção de que a inflação caminha sob controle, ainda que permaneça acima da meta oficial de 3%.
A diferença entre a meta e as projeções mostra que o Banco Central ainda enfrenta desafios. Mesmo com a inflação desacelerando em relação aos picos recentes, o cenário exige cautela, especialmente em um ambiente de incertezas fiscais e políticas.
Dólar sobe e amplia incerteza para 2026
Se por um lado a inflação trouxe leve alívio, o câmbio apresentou pressão adicional. A projeção para o dólar no fechamento de 2025 subiu de R$ 5,43 para R$ 5,44. Já para 2026, a estimativa permaneceu em R$ 5,50.
No mercado à vista, a moeda norte-americana encerrou o último pregão cotada a R$ 5,57, em alta de 0,48%, refletindo cautela global, ajustes técnicos e liquidez reduzida na reta final do ano.
O câmbio é um dos principais fatores de risco para o próximo ano. Em períodos eleitorais, a volatilidade costuma aumentar, e qualquer movimento mais intenso de valorização do dólar pode pressionar novamente a inflação, dificultando o trabalho do Banco Central.
PIB desacelera e mercado projeta crescimento menor
Após anos de erros expressivos nas estimativas de crescimento — com desvios que chegaram a dois pontos percentuais entre 2022 e 2024 — o mercado conseguiu maior precisão nas projeções para 2025.
A expectativa inicial era de crescimento próximo a 2,1%, mas a economia deve encerrar o ano com expansão ao redor de 2,3%. Para 2026, entretanto, a previsão é mais modesta: 1,8%.
Esse número representa desaceleração frente a 2025 e é bem inferior ao crescimento de 3,4% registrado no ano anterior. O cenário mais contido reflete:
Política monetária ainda restritiva
Incertezas eleitorais
Possível redução no ritmo de gastos públicos
Ambiente externo mais desafiador
A combinação desses fatores sustenta uma perspectiva de crescimento mais moderado.
Selic: cortes são esperados, mas ritmo preocupa
Outro ponto central do Boletim Focus é a projeção para a taxa Selic. A expectativa é que a taxa básica de juros encerre 2026 em 12,25%.
Atualmente em patamar elevado, a Selic teria de passar por uma sequência relevante de cortes ao longo do ano para atingir esse nível. O Banco Central deve iniciar o ciclo de flexibilização no primeiro trimestre, mas o ritmo dependerá de três fatores principais:
Comportamento do dólar
Evolução da inflação
Ambiente político-eleitoral
Se o câmbio subir de forma persistente e pressionar preços, o Banco Central pode desacelerar ou até interromper o ciclo de cortes. Isso manteria os juros em níveis elevados por mais tempo, afetando crédito, consumo e investimento.
Ibovespa recua no dia, mas acumula forte alta em 2025
No mercado acionário, o Ibovespa encerrou o último pregão com leve queda de 0,25%, aos 160.490 pontos. O movimento ocorreu em um dia de liquidez reduzida e ajustes técnicos.
Apesar da retração pontual, o índice caminha para fechar 2025 com valorização superior a 33%, registrando o melhor desempenho anual desde 2016. O avanço foi impulsionado por:
Melhora do ambiente macroeconômico
Fluxo estrangeiro consistente
Expectativa de queda gradual da Selic
Recuperação de setores cíclicos
Mesmo assim, investidores mantêm postura cautelosa diante do cenário eleitoral e das incertezas fiscais para 2026.
O que esperar para 2026?
O Boletim Focus indica um cenário relativamente equilibrado, mas com riscos relevantes no horizonte. As projeções estão mais alinhadas com a realidade econômica recente, porém o ambiente político pode alterar rapidamente as expectativas.
Os principais pontos de atenção para 2026 são:
Volatilidade cambial
Ritmo de corte da Selic
Cumprimento do arcabouço fiscal
Comportamento da inflação frente à meta
Com crescimento projetado em 1,8% e inflação ainda acima da meta, o Brasil deve atravessar um ano de poucas certezas e decisões estratégicas importantes para a política monetária.
A economia mostra sinais de estabilização, mas o cenário eleitoral adiciona uma camada extra de incerteza — e, como sempre, o mercado continuará reagindo em tempo real a cada novo dado divulgado.
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