Nos últimos meses — e com intensidade maior nas últimas semanas — dois fundos imobiliários bastante conhecidos do mercado passaram a chamar atenção dos investidores: TRXF11 e GARE11.
Ambos registraram quedas próximas de 10% em suas cotações, movimento que reacendeu discussões entre investidores sobre os riscos e oportunidades nesses ativos.
Além da correção natural de preços após novas aquisições de imóveis realizadas por meio de cotas, outro fator passou a preocupar o mercado: o plano de recuperação extrajudicial anunciado pelo Grupo Pão de Açúcar, um dos principais inquilinos dos dois fundos.
A dúvida que domina investidores agora é direta:
essa queda representa uma oportunidade de compra ou um sinal de alerta para os dividendos futuros?
TRXF11: fundo com grande portfólio e contratos longos
O TRXF11 (TRX Real Estate) é um dos maiores fundos imobiliários do setor de renda urbana da bolsa brasileira. Seu portfólio possui ampla diversificação e contratos de longo prazo.
Principais indicadores do TRXF11
| Indicador | Dados aproximados |
|---|---|
| Número de imóveis | 122 ativos |
| Área bruta locável (ABL) | cerca de 1,3 milhão m² |
| Prazo médio dos contratos | ~12 anos |
| Vacância física | próxima de 0% |
| Vacância financeira | próxima de 0% |
| Alavancagem | cerca de 23% |
| Tipologia de imóveis | varejo, saúde, logística, educacional e shopping |
A carteira do fundo inclui grandes empresas nacionais, como:
Assaí
Grupo Mateus
Albert Einstein
Atacadão
Mercado Livre
Caixa Econômica
Obra Max
Westwing
Apesar da diversificação, existe um ponto que exige atenção: concentração de receita em alguns grandes locatários.
Atualmente, apenas três empresas concentram cerca de 37% da receita mensal do fundo:
Assaí
Grupo Mateus
Grupo Pão de Açúcar
GARE11: fundo menor, mas com concentração maior de receita
Já o GARE11 possui um portfólio menor, porém também diversificado em tipos de ativos.
Estrutura atual do GARE11
| Indicador | Dados aproximados |
|---|---|
| Número de imóveis | 33 |
| Número de inquilinos | 11 |
| Tipos de ativos | renda urbana, logística e escritórios |
| Exposição ao Pão de Açúcar | cerca de 14% da receita |
| Alavancagem | negativa (caixa maior que dívidas) |
O fundo possui inquilinos relevantes, como:
Carrefour
Souza Cruz
Grupo Mateus
MRV
Mercado Livre
Vale
Porém, a concentração de receita chama mais atenção que no TRXF11.
Apenas três locatários representam cerca de 73% da receita do fundo.
Isso significa que qualquer problema com esses contratos pode gerar impacto relevante na renda mensal distribuída aos cotistas.
Por que as cotas dos fundos caíram?
A queda recente das cotas tem duas principais explicações.
Aquisição de imóveis pagando com cotas
Os dois fundos realizaram operações de aquisição de ativos em que os vendedores receberam cotas dos próprios fundos como pagamento.
Esse tipo de operação é comum no mercado, mas gera um efeito colateral:
os vendedores podem decidir vender essas cotas no mercado
isso aumenta a oferta de papéis
pressionando o preço para baixo
Esse movimento foi um dos principais responsáveis pela queda das cotações desde o fim do ano passado.
Evolução recente das cotas
| Fundo | Cotação no final do ano | Cotação recente | Variação |
|---|---|---|---|
| TRXF11 | acima de R$101 | cerca de R$91,90 | -9% a -10% |
| GARE11 | cerca de R$9,24 | próximo de R$8,30 | -10% |
Risco envolvendo o Grupo Pão de Açúcar
Outro fator que trouxe volatilidade foi o anúncio de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar.
A recuperação extrajudicial é um processo em que a empresa tenta renegociar dívidas diretamente com credores, sem recorrer inicialmente à recuperação judicial.
Embora não signifique necessariamente insolvência, o anúncio costuma gerar preocupação no mercado.
Nos dois fundos, o Pão de Açúcar possui presença relevante:
Exposição ao GPA
| Fundo | Participação do GPA na receita |
|---|---|
| GARE11 | cerca de 14% |
| TRXF11 | cerca de 7,8% |
No caso do GARE11, 7 dos 33 imóveis são ocupados pelo grupo.
Já no TRXF11, o GPA ocupa 16 imóveis dentro de um portfólio de 122 ativos.
O que acontece se o inquilino parar de pagar?
Caso o inquilino deixe de pagar os aluguéis, o fundo possui uma sequência de mecanismos de proteção.
Etapas mais comuns
Cobrança administrativa
Tentativa de solução amigável entre fundo e locatário.
Execução de garantias
Os contratos normalmente possuem garantias como:
fiança bancária
seguro fiança
caução
cessão fiduciária de recebíveis
Ação judicial e despejo
Se necessário, pode ocorrer processo judicial para cobrança ou retomada do imóvel.
No curto prazo, a inadimplência impacta a receita e pode reduzir os dividendos.
Mas o imóvel continua pertencendo ao fundo e pode ser relocado para outro locatário.
Quem poderia ocupar esses imóveis?
Os imóveis ocupados pelo Grupo Pão de Açúcar são ativos voltados ao varejo alimentar e atacarejo, geralmente bem localizados.
Isso aumenta a possibilidade de realocação para empresas do mesmo segmento.
Possíveis substitutos incluem:
Atacadão
Assaí
Carrefour
Grupo Mateus
redes regionais de supermercados
Como muitos desses ativos estão em regiões comerciais estratégicas, o mercado tende a absorver esses espaços ao longo do tempo.
Oportunidade ou risco para investidores?
A queda recente criou duas visões distintas entre investidores.
Visão otimista
desconto de cerca de 10% nas cotas
imóveis continuam gerando renda
portfólios possuem bons locatários
possibilidade de valorização no longo prazo
Visão cautelosa
risco de queda temporária nos dividendos
concentração relevante em alguns inquilinos
cenário ainda incerto para o GPA
Estratégia mais prudente neste momento
Para muitos investidores, a postura mais racional neste momento é acompanhar os próximos desdobramentos da recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar.
Algumas estratégias possíveis incluem:
evitar aumento excessivo de posição agora
manter diversificação da carteira
aproveitar eventuais quedas para reduzir preço médio, com cautela
Enquanto isso, os fundamentos dos imóveis permanecem intactos.
Mesmo em cenários de saída do inquilino, os ativos continuam pertencendo aos fundos e podem ser relocados para novas empresas, preservando o patrimônio no longo prazo.
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