O mercado de Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) atravessou um período turbulento nos últimos anos, marcado por inadimplência no agronegócio, recuperações judiciais e revisões de crédito em diversas operações.
Apesar desse cenário desafiador, o segmento começa a mostrar sinais de recuperação para 2026, impulsionado por fatores macroeconômicos e estruturais.
Entre os principais vetores de crescimento estão:
Safra recorde de grãos prevista para os próximos anos
Melhora nos preços das commodities agrícolas
Possível queda dos juros no Brasil
Expansão estrutural do agronegócio no PIB brasileiro
O agronegócio representa atualmente mais de 20% do PIB do Brasil, além de empregar cerca de 25% da força de trabalho nacional, consolidando o país como um dos principais players globais na produção de alimentos.
Nesse contexto, alguns fundos começam a se destacar entre investidores que buscam renda mensal elevada e diversificação da carteira.
A seguir, veja três Fiagros que chamam atenção no mercado para iniciar exposição ao setor em 2026.
Por que o Fiagro pode ganhar força nos próximos anos
Os Fiagros surgiram como uma alternativa semelhante aos fundos imobiliários, mas com foco no financiamento do agronegócio.
Esses fundos investem principalmente em:
CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio)
dívidas estruturadas de empresas do agro
operações de crédito rural
títulos ligados a cadeias agrícolas
Uma das grandes vantagens é a distribuição de rendimentos mensais, que em muitos casos supera 1% ao mês.
Contudo, o setor também carrega riscos específicos.
Nos últimos dois anos, diversos fundos foram pressionados por:
inadimplência de produtores
reestruturações de dívida
queda no preço de commodities
problemas climáticos
Além disso, existe uma particularidade importante:
os Fiagros distribuem dividendos pelo regime de competência contábil.
Isso significa que, quando ocorre algum problema na carteira, o fundo pode ser obrigado a usar parte do lucro para recompor o patrimônio antes de pagar dividendos, reduzindo temporariamente as distribuições.
Mesmo assim, o setor continua atraente para investidores que buscam retorno elevado aliado à diversificação.
1. KNCA11: o maior Fiagro da Bolsa brasileira
Entre os fundos mais relevantes do setor está o KNCA11, gerido pela Kinea.
O fundo se destaca pelo tamanho, liquidez e diversificação da carteira.
Atualmente ele possui patrimônio superior a R$ 2 bilhões, sendo um dos maiores Fiagros listados na B3.
Indicadores do KNCA11
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Patrimônio líquido | R$ 2 bilhões |
| Cotistas | mais de 81 mil |
| Dividend Yield | cerca de 14% ao ano |
| Liquidez diária | cerca de R$ 2,7 milhões |
| Último dividendo | R$ 1,20 por cota |
| Dividend Yield mensal | ~1,23% |
O fundo trabalha com uma carteira bem equilibrada entre CDI e inflação.
Composição dos indexadores
48,5% CDI + spread
48,5% IPCA + taxa
restante em outras estruturas
Outro ponto positivo é a diversificação geográfica e setorial, com exposição a áreas como:
açúcar e etanol
cultura agrícola
proteína animal
papel e celulose
Essa diversificação reduz o risco de eventos específicos afetarem fortemente a carteira.
2. CRAA11: diversificação extrema e carteira pulverizada
Outro fundo que chama atenção entre investidores é o CRAA11, gerido pela Sparta.
Embora seja menor que o KNCA11, o fundo tem como principal diferencial a pulverização da carteira de crédito.
Indicadores do CRAA11
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Patrimônio líquido | cerca de R$ 1 bilhão |
| Cotistas | mais de 10 mil |
| P/VP | 0,94 |
| Liquidez diária | cerca de R$ 700 mil |
| Dividend Yield | cerca de 14,2% ao ano |
| Último dividendo | R$ 1,20 por cota |
A carteira do fundo conta com mais de 110 operações diferentes, distribuídas em 21 segmentos do agronegócio.
Entre os setores com maior exposição estão:
cooperativas agrícolas
açúcar e etanol
processamento de alimentos
agricultura
A maior posição individual representa menos de 4% da carteira, o que reduz significativamente o risco de concentração.
Outro destaque é a qualidade dos devedores, que inclui empresas conhecidas do setor agroindustrial.
3. FGAA11: estratégia concentrada no setor sucroenergético
O terceiro fundo que aparece no radar é o FGAA11, que possui uma proposta diferente dos anteriores.
Enquanto alguns Fiagros apostam em forte diversificação, esse fundo trabalha com originação própria de crédito e maior concentração em setores específicos.
Indicadores do FGAA11
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Patrimônio líquido | R$ 424 milhões |
| Cotistas | mais de 51 mil |
| P/VP | 0,97 |
| Liquidez diária | cerca de R$ 928 mil |
| Dividend Yield | cerca de 15% ao ano |
| Dividendos recentes | R$ 0,12 por cota |
O foco principal da carteira está no setor sucroenergético, especialmente em empresas ligadas a:
produção de açúcar
etanol
bioenergia
Cerca de 60% da carteira está concentrada nesse segmento.
Essa estratégia traz mais risco de concentração, mas também pode gerar retornos superiores quando o setor apresenta bom desempenho.
Dividendos elevados continuam sendo o principal atrativo
Um dos fatores que fazem os Fiagros chamarem atenção é o potencial de renda mensal acima da média do mercado.
Atualmente, alguns fundos conseguem entregar:
1,2% ao mês
1,3% ao mês
até 1,4% ao mês em determinados períodos
Esse nível de rendimento pode ser interessante para investidores que buscam renda passiva recorrente, desde que o investimento represente apenas uma parcela da carteira.
Especialistas costumam recomendar exposição entre 5% e 10% do portfólio para esse tipo de ativo.
Como começar a investir em Fiagros com segurança
Para quem está começando no setor, uma estratégia comum é iniciar com fundos mais consolidados e diversificados.
Entre os critérios mais importantes para análise estão:
qualidade da carteira de crédito
nível de diversificação
histórico de inadimplência
liquidez das cotas
reservas acumuladas para pagamento de dividendos
Além disso, investidores iniciantes costumam começar com pequenas posições, aumentando a exposição gradualmente conforme ganham familiaridade com o mercado.
Perspectivas para o setor em 2026
As projeções para o agronegócio brasileiro continuam positivas.
Entre os fatores que podem impulsionar o setor estão:
expansão da produção agrícola
demanda global crescente por alimentos
aumento da exportação de commodities
avanço tecnológico no campo
Com esse cenário, os Fiagros podem se consolidar como um dos principais veículos de financiamento do agro brasileiro, ampliando sua relevância no mercado de capitais.
Se essa tendência se confirmar, o segmento pode até seguir o caminho dos fundos imobiliários, que hoje movimentam bilhões de reais na bolsa brasileira.
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