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Início » Fiagro em 2026: 3 fundos que podem pagar até 1,4% ao mês e estão no radar de investidores
Mercados

Fiagro em 2026: 3 fundos que podem pagar até 1,4% ao mês e estão no radar de investidores

Com recuperação do agronegócio, safra recorde e possível queda de juros, três Fiagros ganham destaque entre investidores que buscam dividendos elevados
Carlos MenezesPor Carlos Menezes9 de março de 20265 minutos lidos
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O mercado de Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) atravessou um período turbulento nos últimos anos, marcado por inadimplência no agronegócio, recuperações judiciais e revisões de crédito em diversas operações.

Apesar desse cenário desafiador, o segmento começa a mostrar sinais de recuperação para 2026, impulsionado por fatores macroeconômicos e estruturais.

Entre os principais vetores de crescimento estão:

  • Safra recorde de grãos prevista para os próximos anos

  • Melhora nos preços das commodities agrícolas

  • Possível queda dos juros no Brasil

  • Expansão estrutural do agronegócio no PIB brasileiro

O agronegócio representa atualmente mais de 20% do PIB do Brasil, além de empregar cerca de 25% da força de trabalho nacional, consolidando o país como um dos principais players globais na produção de alimentos.

Nesse contexto, alguns fundos começam a se destacar entre investidores que buscam renda mensal elevada e diversificação da carteira.

A seguir, veja três Fiagros que chamam atenção no mercado para iniciar exposição ao setor em 2026.

Por que o Fiagro pode ganhar força nos próximos anos

Os Fiagros surgiram como uma alternativa semelhante aos fundos imobiliários, mas com foco no financiamento do agronegócio.

Esses fundos investem principalmente em:

  • CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio)

  • dívidas estruturadas de empresas do agro

  • operações de crédito rural

  • títulos ligados a cadeias agrícolas

Uma das grandes vantagens é a distribuição de rendimentos mensais, que em muitos casos supera 1% ao mês.

Contudo, o setor também carrega riscos específicos.

Nos últimos dois anos, diversos fundos foram pressionados por:

  • inadimplência de produtores

  • reestruturações de dívida

  • queda no preço de commodities

  • problemas climáticos

Além disso, existe uma particularidade importante:
os Fiagros distribuem dividendos pelo regime de competência contábil.

Isso significa que, quando ocorre algum problema na carteira, o fundo pode ser obrigado a usar parte do lucro para recompor o patrimônio antes de pagar dividendos, reduzindo temporariamente as distribuições.

Mesmo assim, o setor continua atraente para investidores que buscam retorno elevado aliado à diversificação.

1. KNCA11: o maior Fiagro da Bolsa brasileira

Entre os fundos mais relevantes do setor está o KNCA11, gerido pela Kinea.

O fundo se destaca pelo tamanho, liquidez e diversificação da carteira.

Atualmente ele possui patrimônio superior a R$ 2 bilhões, sendo um dos maiores Fiagros listados na B3.

Indicadores do KNCA11

IndicadorValor aproximado
Patrimônio líquidoR$ 2 bilhões
Cotistasmais de 81 mil
Dividend Yieldcerca de 14% ao ano
Liquidez diáriacerca de R$ 2,7 milhões
Último dividendoR$ 1,20 por cota
Dividend Yield mensal~1,23%

O fundo trabalha com uma carteira bem equilibrada entre CDI e inflação.

Composição dos indexadores

  • 48,5% CDI + spread

  • 48,5% IPCA + taxa

  • restante em outras estruturas

Outro ponto positivo é a diversificação geográfica e setorial, com exposição a áreas como:

  • açúcar e etanol

  • cultura agrícola

  • proteína animal

  • papel e celulose

Essa diversificação reduz o risco de eventos específicos afetarem fortemente a carteira.

2. CRAA11: diversificação extrema e carteira pulverizada

Outro fundo que chama atenção entre investidores é o CRAA11, gerido pela Sparta.

Embora seja menor que o KNCA11, o fundo tem como principal diferencial a pulverização da carteira de crédito.

Indicadores do CRAA11

IndicadorValor aproximado
Patrimônio líquidocerca de R$ 1 bilhão
Cotistasmais de 10 mil
P/VP0,94
Liquidez diáriacerca de R$ 700 mil
Dividend Yieldcerca de 14,2% ao ano
Último dividendoR$ 1,20 por cota

A carteira do fundo conta com mais de 110 operações diferentes, distribuídas em 21 segmentos do agronegócio.

Entre os setores com maior exposição estão:

  • cooperativas agrícolas

  • açúcar e etanol

  • processamento de alimentos

  • agricultura

A maior posição individual representa menos de 4% da carteira, o que reduz significativamente o risco de concentração.

Outro destaque é a qualidade dos devedores, que inclui empresas conhecidas do setor agroindustrial.

3. FGAA11: estratégia concentrada no setor sucroenergético

O terceiro fundo que aparece no radar é o FGAA11, que possui uma proposta diferente dos anteriores.

Enquanto alguns Fiagros apostam em forte diversificação, esse fundo trabalha com originação própria de crédito e maior concentração em setores específicos.

Indicadores do FGAA11

IndicadorValor aproximado
Patrimônio líquidoR$ 424 milhões
Cotistasmais de 51 mil
P/VP0,97
Liquidez diáriacerca de R$ 928 mil
Dividend Yieldcerca de 15% ao ano
Dividendos recentesR$ 0,12 por cota

O foco principal da carteira está no setor sucroenergético, especialmente em empresas ligadas a:

  • produção de açúcar

  • etanol

  • bioenergia

Cerca de 60% da carteira está concentrada nesse segmento.

Essa estratégia traz mais risco de concentração, mas também pode gerar retornos superiores quando o setor apresenta bom desempenho.

Dividendos elevados continuam sendo o principal atrativo

Um dos fatores que fazem os Fiagros chamarem atenção é o potencial de renda mensal acima da média do mercado.

Atualmente, alguns fundos conseguem entregar:

  • 1,2% ao mês

  • 1,3% ao mês

  • até 1,4% ao mês em determinados períodos

Esse nível de rendimento pode ser interessante para investidores que buscam renda passiva recorrente, desde que o investimento represente apenas uma parcela da carteira.

Especialistas costumam recomendar exposição entre 5% e 10% do portfólio para esse tipo de ativo.

Como começar a investir em Fiagros com segurança

Para quem está começando no setor, uma estratégia comum é iniciar com fundos mais consolidados e diversificados.

Entre os critérios mais importantes para análise estão:

  • qualidade da carteira de crédito

  • nível de diversificação

  • histórico de inadimplência

  • liquidez das cotas

  • reservas acumuladas para pagamento de dividendos

Além disso, investidores iniciantes costumam começar com pequenas posições, aumentando a exposição gradualmente conforme ganham familiaridade com o mercado.

Perspectivas para o setor em 2026

As projeções para o agronegócio brasileiro continuam positivas.

Entre os fatores que podem impulsionar o setor estão:

  • expansão da produção agrícola

  • demanda global crescente por alimentos

  • aumento da exportação de commodities

  • avanço tecnológico no campo

Com esse cenário, os Fiagros podem se consolidar como um dos principais veículos de financiamento do agro brasileiro, ampliando sua relevância no mercado de capitais.

Se essa tendência se confirmar, o segmento pode até seguir o caminho dos fundos imobiliários, que hoje movimentam bilhões de reais na bolsa brasileira.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Atua há mais de 15 anos acompanhando os indicadores econômicos e as políticas públicas que influenciam o cenário financeiro brasileiro. Em A Revista, explica como as decisões econômicas impactam o dia a dia das pessoas e das empresas.

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