A Indústrias Romi voltou ao radar dos investidores após registrar R$ 309,40 milhões em entrada consolidada de pedidos no segundo trimestre de 2026. O valor representa crescimento de 6,00% na comparação com os R$ 291,90 milhões contabilizados nos três primeiros meses do ano.
O dado pode ser interpretado como um sinal de melhora gradual da demanda por máquinas, equipamentos e componentes industriais. Entretanto, a carteira consolidada de pedidos encerrou o trimestre em aproximadamente R$ 754,70 milhões, abaixo dos R$ 814,20 milhões registrados no final de março.
Na prática, a redução da carteira indica que a companhia entregou e faturou parte relevante dos equipamentos que estavam acumulados nos meses anteriores. A combinação entre novos pedidos e conversão da carteira em receita será um dos principais pontos acompanhados pelos acionistas nos próximos balanços.
O que faz a Indústrias Romi?
Fundada em 1930, a Romi está próxima de completar um século de atividade. A companhia fabrica máquinas-ferramenta, tornos, centros de usinagem, equipamentos para processamento de plástico, máquinas de grande porte e componentes fundidos e usinados.
Seus equipamentos são utilizados por empresas dos setores automotivo, agrícola, aeroespacial, energético e de bens de capital. A fabricante também controla a alemã Burkhardt+Weber, especializada em centros de usinagem de alta precisão.
Além da venda tradicional, a Romi oferece locação de máquinas, equipamentos seminovos, assistência técnica, peças de reposição e soluções de automação. O portfólio inclui ainda equipamentos ligados à manufatura híbrida, impressão 3D e integração de robôs aos processos industriais.
Essa diversificação ajuda a companhia a gerar receitas após a venda inicial, mas o negócio continua exposto ao ciclo econômico. Juros elevados, menor confiança empresarial e redução dos investimentos industriais podem adiar a compra de equipamentos.

Primeiro trimestre trouxe queda forte no lucro
Embora a carteira de pedidos tenha começado 2026 em nível elevado, o resultado financeiro do primeiro trimestre mostrou pressão sobre a operação. A Romi registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 2,40 milhões, queda de 76,60% na comparação anual.
Parte da deterioração foi provocada pelo menor volume de entregas e pelo adiamento do faturamento de alguns pedidos. Como a fabricação de máquinas industriais possui ciclos longos, existe diferença de tempo entre a entrada do pedido, a produção, a entrega e o reconhecimento da receita.
Por isso, o crescimento registrado na entrada de pedidos do segundo trimestre não significa melhora imediata do lucro. O desempenho dependerá da capacidade da empresa de converter a carteira em receita com margens adequadas.
ROMI3 continua pagando dividendos?
A companhia mantém histórico recorrente de distribuição de juros sobre capital próprio, mas os valores diminuíram em 2026.
Em junho, o conselho de administração aprovou JCP de R$ 0,06 bruto por ação. Tiveram direito ao pagamento os investidores posicionados ao fim do pregão de 15 de junho. O valor poderá ser pago até 31 de dezembro de 2027, conforme definição da administração.
A Romi também possui JCP de R$ 0,18 por ação aprovado em dezembro de 2025, com pagamento previsto até o fim de 2026. Outro provento de R$ 0,18 por ação, anunciado em setembro de 2025, foi pago em abril deste ano.
| Provento | Valor bruto por ação | Data-com | Pagamento |
|---|---|---|---|
| JCP | R$ 0,06 | 15/06/2026 | Até 31/12/2027 |
| JCP | R$ 0,18 | 30/12/2025 | Até 31/12/2026 |
| JCP | R$ 0,18 | 22/09/2025 | 10/04/2026 |
Os números mostram que a empresa segue remunerando os acionistas, mas não garantem a repetição dos valores mais elevados observados em anos anteriores. Dividendos dependem da geração de lucro, do caixa, dos investimentos e das decisões do conselho.

ROMI3 está barata?
A queda das ações pode fazer ROMI3 parecer descontada, especialmente quando comparada ao caixa, aos ativos industriais e ao histórico da companhia. No entanto, preço baixo isoladamente não significa oportunidade.
A tese depende principalmente da recuperação da indústria brasileira, da conversão dos pedidos em receita, da melhora das margens e da retomada do lucro. Também devem ser considerados riscos como juros elevados, oscilação cambial, custos de matérias-primas e menor demanda por bens de capital.
Para o investidor de longo prazo, a Romi combina uma marca tradicional, atuação diversificada e pagamentos recorrentes de proventos. Ainda assim, o avanço dos pedidos precisa aparecer nos próximos resultados antes de confirmar uma recuperação operacional mais consistente.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






