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Dividendos

PRIO pode virar ação de dividendos? Crescimento, caixa bilionário e mudança estratégica entram no radar

Após anos focada em expansão e reinvestimento, a PRIO começa a reunir condições financeiras para discutir dividendos a partir de 2026.
Rafael CostaPor Rafael Costa9 de janeiro de 20264 minutos lidos
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PRIO pode virar ação de dividendos? Crescimento, caixa bilionário e mudança estratégica entram no radar

A PRIO construiu sua trajetória como uma das empresas mais agressivas em crescimento da Bolsa brasileira. Ao longo da última década, a companhia multiplicou sua produção, lucros e valor de mercado, priorizando reinvestir praticamente todo o caixa gerado na aquisição de campos maduros, revitalização de ativos e ganho de escala operacional.

Esse modelo, típico de empresas em fase de expansão acelerada, explica por que a PRIO historicamente praticamente não distribuiu dividendos, mesmo apresentando lucros bilionários em anos recentes.

Lucros cresceram mais de 100 vezes em uma década

O desempenho financeiro da PRIO evidencia uma transformação profunda do negócio. Em cerca de dez anos, a companhia saiu de lucros modestos para resultados na casa de dezenas de bilhões de reais, mesmo enfrentando ciclos adversos do petróleo.

Esse crescimento expressivo foi acompanhado por forte valorização das ações, refletindo a correlação direta entre lucro operacional e preço dos papéis ao longo do tempo. Já nos últimos dois anos, tanto o lucro quanto a cotação entraram em um período de acomodação, movimento típico de empresas que se aproximam de um novo estágio de maturidade.

Por que a PRIO quase não paga dividendos, mesmo sendo lucrativa

A ausência de dividendos relevantes não está ligada à falta de lucro, mas sim à política prevista no estatuto social da companhia. Diferentemente de empresas que seguem a distribuição mínima legal de 25% do lucro, a PRIO estabeleceu um percentual extremamente baixo como dividendo obrigatório, permitindo que praticamente todo o resultado seja retido.

Na prática, isso possibilitou à empresa acelerar aquisições, reduzir custos operacionais por escala e aumentar substancialmente sua produção ao longo dos anos, criando valor via crescimento, e não via renda ao acionista.

O que muda a partir de 2025 e 2026

O cenário começa a se transformar com a combinação de três fatores estruturais:

  • Salto de produção: a companhia avança para um novo patamar operacional, com expectativa de dobrar a produção média diária em 2026 frente a patamares recentes.

  • Geração de caixa elevada: mesmo com o petróleo em níveis mais conservadores, a empresa tende a gerar fluxo de caixa livre robusto nos próximos anos.

  • Capex mais previsível: após um ciclo intenso de investimentos, o volume de aportes tende a se estabilizar, abrindo espaço para decisões de alocação de capital mais equilibradas.

Esse conjunto cria, pela primeira vez, um ambiente no qual dividendos passam a ser financeiramente viáveis sem comprometer o crescimento.

Projeções financeiras reforçam espaço para dividendos

As projeções indicam uma expansão relevante do lucro e do fluxo de caixa livre entre 2025 e 2027, mesmo considerando preços de petróleo mais conservadores. Com investimentos já contemplados nas estimativas, sobra margem para:

  • Redução de endividamento

  • Formação de reservas estratégicas

  • Distribuição de dividendos ao acionista

Caso a empresa adote uma política de payout mais próxima do padrão de mercado, mesmo que moderada, o potencial de dividendos passa a ser significativo.

Simulação de dividendos: o que o acionista pode esperar

Abaixo, uma simulação hipotética com base em lucros projetados e uma política conservadora de distribuição:

Cenário hipotéticoEstimativa
Lucro anual projetadoR$ 10 bilhões
Payout estimado25%
Total distribuídoR$ 2,5 bilhões
Dividendos por ação (aprox.)~R$ 3,00
Dividend yield potencial~6% a 8%

Valores ilustrativos, sujeitos a variações de lucro, câmbio e preço do petróleo.

Dividendos agora ou reinvestimento ainda faz mais sentido?

Mesmo com espaço financeiro para dividendos, a discussão central permanece estratégica. A PRIO ainda enxerga oportunidades de retorno elevado na aquisição de novos campos e no aumento da produtividade de ativos já existentes, com taxas de retorno historicamente superiores ao custo de capital.

Esse dilema — distribuir caixa ou reinvestir com alto retorno — é típico de empresas que transitam do estágio de crescimento acelerado para a maturidade.

PRIO pode virar empresa de dividendos, mas no tempo certo

A PRIO reúne, pela primeira vez, condições objetivas para iniciar uma política de dividendos a partir de 2026. Lucro elevado, escala operacional maior e geração robusta de caixa colocam a companhia em um novo patamar.

Ainda assim, a decisão final dependerá do equilíbrio entre novas oportunidades de crescimento e a estratégia de remuneração ao acionista. Se optar por dividir parte dos resultados, a PRIO pode entrar no radar não apenas como ação de valorização, mas também como uma potencial geradora de renda no médio prazo — algo impensável em sua fase inicial de expansão.

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Rafael Costa
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Rafael Costa é Editor de Criptomoedas e Ativos Digitais, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças e certificações em Análise de Criptomoedas. Atua na cobertura e análise do mercado cripto desde 2017.

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