A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig CMIG4) anunciou na noite de quinta-feira (18) um novo pagamento de juros sobre capital próprio (JCP), reforçando sua política de remuneração aos acionistas e elevando o volume de proventos em aberto. A decisão veio poucos dias após a empresa já ter confirmado um dividendo adicional, o que chamou atenção do mercado.
Com isso, a Cemig passa a ter dois proventos confirmados, um com pagamento ainda em 2025 e outro programado para 2026, fortalecendo sua posição entre as empresas do setor elétrico mais relevantes em termos de distribuição de caixa.
Detalhes do novo JCP anunciado pela Cemig
De acordo com o comunicado oficial, a diretoria executiva aprovou a distribuição de aproximadamente R$ 680 milhões em juros sobre capital próprio, equivalente a R$ 0,2368 por ação em valor bruto. Após a incidência de 15% de Imposto de Renda, o valor líquido por ação fica próximo de R$ 0,20.
- Data-com: 23 de dezembro
- Pagamento:
- 1ª parcela: até 30 de junho de 2026
- 2ª parcela: até 30 de dezembro de 2026
A divisão do pagamento em duas parcelas mantém uma prática recorrente da companhia, que costuma alongar o prazo de liquidação dos proventos.
Cemig já havia anunciado dividendo com pagamento em 2025
Antes do novo JCP, a Cemig já havia confirmado um dividendo de aproximadamente R$ 0,14 por ação, com:
- Data-com: 22 de dezembro
- Pagamento: 30 de dezembro de 2025
O anúncio surpreendeu positivamente parte do mercado, já que o pagamento ocorre no mesmo mês da divulgação, algo incomum para a empresa.
Ações da Cemig caem e voltam a ficar no radar
Apesar da sequência de anúncios positivos em dividendos, as ações preferenciais da Cemig (CMIG4) passaram por uma correção recente. O papel, que chegou a ser negociado próximo de R$ 12,23, recuou para a faixa de R$ 10,97, acumulando uma queda em torno de 10% a 11%.
Essa movimentação reacendeu o interesse de investidores mais atentos a valuation, especialmente aqueles que acompanham o preço sobre valor patrimonial (P/VP).
- Média histórica de P/VP (desde 2015): 1,07x
- P/VP atual: levemente acima da média
- P/VP em anos anteriores: superior ao patamar atual
Mesmo com a correção, o papel ainda não é considerado “barato” por parte do mercado, mas passou a ser visto como mais atrativo do que nos níveis recentes de topo.
Margens pressionadas explicam desconto relativo
Um dos pontos que ainda limitam uma valorização maior da Cemig é sua estrutura operacional altamente diversificada. Diferentemente de empresas focadas exclusivamente em transmissão, como Taesa ou ISA Energia, a Cemig atua em:
- Geração de energia
- Transmissão
- Distribuição
- Comercialização
Embora essa diversificação reduza riscos, ela também pressiona margens e rentabilidade. Atualmente, a companhia apresenta:
- Margem líquida: cerca de 9%
- ROE: abaixo de 15%
- ROIC: considerado baixo para o setor
O principal fator está na distribuição de energia, segmento que exige altos investimentos, apresenta maiores perdas e retorno estruturalmente menor.
Projeção de dividendos da Cemig para 2026
Com base em projeções de lucro em torno de R$ 4,3 bilhões e um payout estimado de 65%, a expectativa é que a Cemig distribua cerca de R$ 0,98 por ação em 2026.
Isso representa um dividend yield próximo de 9%, colocando a empresa entre as maiores pagadoras do setor elétrico no próximo ano, considerando apenas proventos recorrentes.
É importante destacar que os dividendos elevados dos últimos anos foram inflados por eventos não recorrentes, como venda de ativos, o que não deve se repetir no mesmo ritmo.
Preço teto da Cemig e margem de segurança
Considerando uma taxa de retorno desejada de 8% ao ano, o preço teto estimado para CMIG4 fica em torno de R$ 12,20.
Com as ações negociadas perto de R$ 10,97, o papel apresenta uma margem de segurança aproximada de 11%, suficiente para recolocar a empresa no radar de investidores focados em renda e previsibilidade.
Vale a pena investir na Cemig agora?
A Cemig segue sendo uma empresa sólida, inserida em um setor ultraperene, com geração de caixa consistente e política clara de remuneração aos acionistas. No entanto, suas margens mais apertadas e a forte exposição à distribuição exigem cautela.
Para investidores focados em dividendos estáveis, a companhia volta a ser interessante nos níveis atuais. Já para quem busca retornos acima da média, a decisão depende do perfil da carteira e do preço de entrada.
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