A CSN Mineração (CMIN3) registrou queda em suas ações após a divulgação do resultado do terceiro trimestre e do anúncio de dividendos considerados abaixo das expectativas do mercado. O papel, que vinha se mantendo na faixa entre R$ 5,70 e R$ 6,15, voltou a recuar após o pagamento anunciado totalizar R$ 0,15 por ação, enquanto parte dos investidores projetava algo próximo de R$ 0,30.
Resultado do 3T e impacto do câmbio
A companhia reportou lucro líquido de R$ 696 milhões, representando crescimento significativo frente ao mesmo período do ano anterior. Apesar da melhora operacional, o resultado financeiro foi pressionado pela variação cambial. Com o dólar próximo de R$ 5,35 ao longo do trimestre, o impacto negativo reduziu o ganho potencial da mineradora.
Caso o dólar permaneça estável ou recue nos próximos trimestres, o lucro pode voltar a perder força. Por outro lado, uma valorização da moeda norte-americana tende a favorecer a empresa, uma vez que a maior parte de suas vendas se concentra no mercado externo, especialmente na China.
Produção e vendas seguem fortes, mas investimentos pesam
A produção do trimestre alcançou cerca de 12 milhões de toneladas, acompanhada de aumento no volume de vendas, que avançou para 11,4 milhões de toneladas, resultado considerado positivo pela indústria.
Entretanto, o ponto de maior atenção recai sobre o fluxo de caixa livre, que ficou em R$ 284 milhões, mesmo após a empresa registrar R$ 1,9 bilhão de geração operacional de caixa. O motivo é o avanço acelerado dos investimentos já próximos de R$ 600 milhões por trimestre impulsionados pelo projeto de expansão da planta P15.
Se o ritmo de aportes continuar aumentando e a geração de caixa não acompanhar, o fluxo pode se tornar negativo em 2025, levando ao consumo de caixa e possível redução do payout de dividendos.
Preço, múltiplos e teto de compra
Apesar da ação parecer barata nominalmente, negociando na casa dos R$ 5,70, o múltiplo Preço/Lucro está em 12,9, nível considerado elevado para o estágio atual do ciclo do minério. Essa relação sugere que o mercado já precifica parte do crescimento futuro, limitando o potencial de valorização no curto prazo.
Com o novo cenário, o preço teto estimado para a ação foi revisado para a faixa dos R$ 6,00, com zona de oportunidade mais forte próxima de R$ 4,80 patamar que só deve ser testado caso o fluxo de caixa se deteriore ou o minério se desvalorize no mercado internacional.
Dividendos futuros dependem do dólar e do caixa
O pagamento atual de R$ 0,15 por ação corresponde a um dividend yield de aproximadamente 2% na cotação atual. Se o dólar subir no 4T, o lucro tende a aumentar e os proventos podem se manter em patamares moderados. Porém, se o câmbio cair, o resultado financeiro será pressionado e os dividendos poderão diminuir.
A capacidade de manter payouts próximos a 80% como no histórico recente dependerá diretamente da evolução do caixa e dos investimentos.
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