Uma nova regra sobre o crédito consignado para trabalhadores CLT entrou em vigor e promete reduzir o custo dos empréstimos. Mas, na prática, o alívio no bolso pode ser menor do que o esperado — e entender os detalhes pode fazer toda a diferença para evitar pagar caro sem perceber.
O que mudou na nova regra do consignado
A nova portaria publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego estabelece um limite indireto para o custo total do empréstimo consignado voltado a trabalhadores com carteira assinada.
Na prática, a medida define que:
Novo limite do crédito:
- O Custo Efetivo Total (CET) não pode ultrapassar 1 ponto percentual acima da taxa de juros mensal
- Exemplo:
- Juros: 1,5% ao mês
- CET máximo: 2,5% ao mês
Esse limite busca evitar abusos e trazer mais transparência ao consumidor.
Por que o impacto pode ser menor do que parece
Apesar da mudança, especialistas apontam que o efeito real pode ser limitado.
Isso porque os bancos já operavam com estruturas próximas desse limite — e ainda mantêm margem para incluir custos adicionais dentro da regra.
Segundo análise baseada no conteúdo do especialista financeiro apresentado no material original :
- Em muitos casos, o CET já ficava próximo desse teto
- A diferença de 1% ainda permite cobranças relevantes
- O valor final pago pode continuar elevado
Entenda a diferença entre juros e custo total
Um dos pontos mais importantes — e menos compreendidos — é a diferença entre:
Juros do empréstimo
- Valor cobrado sobre o dinheiro emprestado
Custo Efetivo Total (CET)
Inclui:
- Juros
- Impostos (como o IOF)
- Seguros
- Tarifas administrativas
- Serviços adicionais
Ou seja: o que parece barato pode ficar caro no final.
Exemplo prático: como o valor aumenta
Imagine um empréstimo de R$ 26 mil:
| Item | Valor aproximado |
|---|---|
| Valor liberado | R$ 26.000 |
| Total pago | R$ 29.114 |
| Diferença | R$ 3.114 |
Essa diferença pode vir de:
- Seguro embutido
- Taxas administrativas
- Impostos
E o mais importante: isso sem contar os juros ao longo do tempo.
O que a nova regra realmente proíbe
A portaria também trouxe restrições importantes:
Não podem mais ser cobrados:
- Taxa de abertura de crédito
- Tarifa de cadastro
- Serviços não autorizados
Podem continuar:
- Juros
- Multas e encargos por atraso
- Impostos obrigatórios
- Seguro (apenas com autorização explícita)
Como pagar menos no consignado (na prática)
Mesmo com a nova regra, o consumidor ainda precisa agir para economizar.
Estratégias que fazem diferença:
1. Solicitar portabilidade
- Transferir o crédito para outro banco com juros menores
2. Revisar o contrato
- Comparar taxas com dados do Banco Central do Brasil
3. Cancelar cobranças indevidas
- Seguros não autorizados
- Tarifas ocultas
4. Pedir reembolso
- Valores cobrados sem consentimento podem ser devolvidos
Em muitos casos, essas ações reduzem mais o custo do que a própria nova regra.
O que muda para quem já tem empréstimo
Outro ponto importante:
- A nova regra vale apenas para contratos novos
- Quem já tem consignado antigo não é automaticamente beneficiado
Nesse caso, a saída é:
- Renegociar
- Fazer portabilidade
- Revisar cobranças
O que esperar daqui pra frente
A tendência é que o mercado de crédito passe por ajustes, com maior fiscalização e transparência.
Mas, na prática:
- Os bancos ainda terão margem de lucro
- O consumidor continua sendo responsável por analisar o contrato
Ou seja: informação continua sendo a principal defesa.
A regra ajuda, mas não resolve tudo
A nova limitação no crédito consignado representa um avanço importante, principalmente ao restringir abusos e aumentar a transparência.
No entanto, ela não elimina o principal problema: o custo final ainda pode ser alto se o consumidor não estiver atento.
Antes de contratar:
- Compare taxas
- Analise o CET
- Questione cobranças
Porque, no fim das contas, pequenas diferenças podem representar milhares de reais ao longo do contrato.
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