A Kia Tasman finalmente estreou no mercado brasileiro e chega disposta a mexer em um dos segmentos mais disputados do país. A primeira picape média global da fabricante sul-coreana começa a ser vendida na configuração GL por R$ 249.990, valor que a posiciona diretamente contra modelos tradicionais como Chevrolet S10, Toyota Hilux, Ford Ranger, Mitsubishi Triton, Nissan Frontier e GWM Poer P30.
Um dos principais argumentos da novidade está sob o capô. A Tasman brasileira utiliza um motor 2.2 turbodiesel de quatro cilindros com 210 cv de potência e 45 kgfm de torque, conectado a uma transmissão automática de oito marchas e sistema de tração 4×4 com reduzida.
Em potência máxima, portanto, a Kia fica ligeiramente acima da atual Chevrolet S10 2.8 turbodiesel, que entrega 207 cv. A vantagem da Tasman é de apenas 3 cv, mas ajuda a colocar a estreante em posição competitiva já em sua chegada. A S10, porém, leva vantagem no torque: são 52 kgfm, contra 45 kgfm da Kia.
Kia Tasman chega por R$ 249.990 em versão GL
Neste primeiro momento, a estratégia da Kia é relativamente simples: oferecer a Tasman no Brasil em uma única configuração, denominada GL, com preço tabelado em R$ 249.990. Outras versões mais sofisticadas deverão ampliar a gama posteriormente.
O posicionamento chama atenção porque coloca a picape abaixo de diversas configurações intermediárias e topo de linha das concorrentes. A própria Chevrolet anuncia atualmente a S10 em diferentes versões e a linha mais recente mantém o motor Duramax 2.8 turbodiesel de 207 cv.
Para a Kia, esse preço será uma das principais ferramentas para conquistar compradores em um mercado no qual tradição, robustez, capacidade de carga, rede de atendimento e valor de revenda costumam pesar bastante na decisão.
Motor 2.2 turbodiesel entrega 210 cv
O conjunto mecânico da Tasman é formado pelo 2.2 turbodiesel Smartstream, com quatro cilindros, que desenvolve 210 cv e 45 kgfm de torque.
O câmbio é automático de oito velocidades. O motorista também dispõe de tração integral com opções que incluem 2H, 4A, 4H e 4L, além da reduzida para situações de maior dificuldade fora do asfalto.
Há ainda diferentes modos de condução. Dependendo da condição enfrentada, a eletrônica pode alterar o funcionamento do conjunto para favorecer eficiência, desempenho ou capacidade de superar terrenos de baixa aderência.
Segundo os dados divulgados para o modelo brasileiro, estão disponíveis modos Normal, Eco, Sport e Smart, além de programações específicas para situações como lama, areia e superfícies escorregadias.
Tasman é mais potente que a Chevrolet S10, mas torque é menor

A diferença para a Chevrolet S10 ajuda a dimensionar o posicionamento da nova Kia.
| Picape | Motor | Potência | Torque | Câmbio |
| Kia Tasman GL | 2.2 turbodiesel | 210 cv | 45 kgfm | Automático de 8 marchas |
| Chevrolet S10 | 2.8 turbodiesel | 207 cv | 52 kgfm | Automático de 8 marchas |
| Toyota Hilux | 2.8 turbodiesel | 204 cv | 50,9 kgfm | Automático de 6 marchas |
| Ford Ranger 2.0 | 2.0 turbodiesel | 170 cv | 41,3 kgfm | Automático |
| Ford Ranger V6 | 3.0 turbodiesel | 250 cv | 61,2 kgfm | Automático de 10 marchas |
A comparação deixa claro que dizer apenas que a Tasman é “mais forte que a S10” exige contexto.
Ela realmente oferece 3 cv a mais de potência, porém a Chevrolet entrega 7 kgfm adicionais de torque, característica particularmente importante para retomadas, reboque, transporte de carga e trabalhos pesados.
Além disso, a Ranger V6 permanece em outro patamar de desempenho, com 250 cv, portanto a Tasman não é a picape diesel mais potente disponível no segmento brasileiro.
Desempenho coloca a Tasman entre as picapes rápidas do segmento
Os números divulgados para o Brasil indicam aceleração de 0 a 100 km/h em aproximadamente 9,7 segundos, resultado relevante para uma picape desse porte e peso.
A velocidade máxima declarada chega a 201 km/h.
O desempenho reforça que, apesar do foco evidente em robustez e utilização fora do asfalto, a Tasman também foi projetada para oferecer comportamento adequado em rodovias e deslocamentos urbanos.
Consumo oficial chega a 10,9 km/l na estrada
Os dados homologados para o modelo brasileiro apontam consumo de aproximadamente:
- 9,5 km/l na cidade;
- 10,9 km/l na estrada.
Os números correspondem à versão diesel comercializada no país.
Com tanque de 80 litros, uma conta teórica baseada exclusivamente no consumo rodoviário homologado indicaria alcance superior a 800 quilômetros em condições ideais. Na utilização real, porém, autonomia varia de acordo com carga, velocidade, terreno, trânsito, temperatura, pressão dos pneus e estilo de condução.
Capacidade de carga passa de uma tonelada
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Outro número importante está na caçamba.
A Kia Tasman GL oferece capacidade de carga de aproximadamente 1.007 kg, superando a marca de uma tonelada e reforçando a intenção da fabricante de conquistar usuários que realmente utilizam a picape para trabalho.
O compartimento de carga possui 1.173 litros de volume, número que a própria Kia destaca como um dos maiores da categoria.
A capacidade máxima de reboque com freio chega a 3.500 kg, colocando a Tasman dentro do padrão esperado entre as principais picapes médias modernas.
Kia Tasman é uma picape grande
As dimensões mostram que a Tasman não é pequena.
A carroceria mede aproximadamente 5,41 metros de comprimento, 1,93 metro de largura e possui entre-eixos de cerca de 3,27 metros.
Esse porte contribui para o espaço da caçamba e para a cabine ampla, mas também pode exigir mais atenção em estacionamentos, garagens e ruas estreitas.
A proposta claramente privilegia capacidade de transporte, estabilidade e espaço interno.
Projeto prioriza uso fora do asfalto
A Tasman foi concebida desde o início como uma picape com grande capacidade off-road.
Além da tração 4×4 com reduzida, o modelo possui soluções eletrônicas específicas para diferentes terrenos e estrutura pensada para enfrentar condições mais exigentes.
A Kia vem destacando também o extenso programa de desenvolvimento da picape. A divulgação brasileira da marca faz referência a milhares de avaliações e testes realizados em diferentes terrenos antes da chegada do veículo ao mercado.
A estratégia é importante porque a Tasman terá de construir reputação justamente em um mercado no qual modelos como Hilux, Ranger e S10 carregam décadas de histórico.
Design da Kia Tasman foge completamente do padrão
Visualmente, dificilmente a Tasman será confundida com qualquer concorrente.
A dianteira alta, os elementos verticais, os para-lamas bastante destacados e as linhas praticamente retas criam uma aparência robusta e incomum.
O desenho já provocava discussão desde a apresentação internacional e continua sendo um dos aspectos mais marcantes do veículo.
A Kia, entretanto, procura associar esse estilo à funcionalidade. Segundo informações divulgadas durante o lançamento, a filosofia do projeto privilegia identidade e utilidade em vez de simplesmente reproduzir o visual tradicional das picapes médias.
Interior aposta em grandes telas e conectividade

Se por fora a Tasman transmite uma imagem essencialmente utilitária, a cabine segue uma direção diferente.
O painel utiliza uma ampla estrutura digital formada por múltiplas telas. Entre os destaques estão painel de instrumentos digital e central multimídia de 12,3 polegadas cada, acompanhados por uma tela adicional dedicada a comandos do veículo.
Somadas, as telas ocupam grande parte do painel e ajudam a aproximar a Tasman dos SUVs mais modernos da própria Kia.
O modelo também pode reunir conectividade com Android Auto e Apple CarPlay, recursos de câmera e diferentes soluções voltadas ao conforto e à utilização cotidiana.
Tasman entra em uma das disputas mais difíceis do mercado brasileiro
O desafio da Kia será transformar especificações atraentes em vendas.
O segmento brasileiro de picapes médias é extremamente competitivo e reúne fabricantes consolidadas. Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10 possuem longa presença no país, enquanto Mitsubishi Triton, Nissan Frontier, Fiat Titano e novas concorrentes ampliam ainda mais a disputa.
A Tasman chega com alguns argumentos claros: preço de R$ 249.990, motor de 210 cv, câmbio automático de oito velocidades, tração 4×4 com reduzida, mais de uma tonelada de capacidade de carga e caçamba de 1.173 litros.
Por outro lado, terá de provar fatores que não aparecem simplesmente na ficha técnica, principalmente custo de manutenção, disponibilidade de peças, resistência no uso severo e comportamento do valor de revenda ao longo dos próximos anos.
Para quem olha exclusivamente para potência, a nova Kia consegue superar a S10 por margem pequena. Para quem analisa torque, a Chevrolet continua à frente. A disputa real, portanto, será muito mais ampla do que uma diferença de apenas três cavalos.
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