O Ibovespa encerrou esta quinta-feira, 10 de setembro, em alta de 1,42%, recuperando as perdas da sessão anterior e voltando à região dos 188 mil pontos. O movimento ocorreu mesmo em um dia de desempenho mais fraco dos mercados internacionais e teve como principais motores a disparada do petróleo, a valorização de ações de bancos e a repercussão de novas pesquisas sobre a eleição presidencial.
Na quarta-feira, o principal índice da B3 havia recuado 0,93%, aos 185.629 pontos. A recuperação desta quinta levou o mercado novamente para perto das máximas recentes.
O dólar seguiu direção oposta. A moeda norte-americana recuou 0,18% e terminou próxima de R$ 5,10, em meio ao fluxo de recursos e à melhora dos ativos domésticos.
Pesquisas eleitorais entram no radar da Bolsa
Parte da valorização ganhou força durante o pregão com a divulgação de novos levantamentos sobre a disputa presidencial.
A pesquisa PoderData/Aya mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno, contra 45% de Lula. Apesar da diferença numérica de dois pontos, os candidatos permanecem tecnicamente empatados, considerando a margem de erro do levantamento.
Outra pesquisa, da AtlasIntel/Bloomberg, apontou cenário ainda mais apertado: 46,4% para Flávio Bolsonaro e 46,2% para Lula em um eventual segundo turno. A diferença de apenas 0,2 ponto percentual está dentro da margem de erro de um ponto percentual.
No primeiro turno, porém, a AtlasIntel mostra Lula na liderança, com 43%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 37,4%. O levantamento entrevistou 5 mil eleitores entre 4 e 9 de setembro.
Mercado reage às expectativas para política fiscal
Investidores costumam incorporar pesquisas eleitorais aos preços dos ativos quando acreditam que o resultado poderá alterar perspectivas para política fiscal, trajetória da dívida pública, inflação e juros.
Isso não significa que uma pesquisa, isoladamente, determine o comportamento da Bolsa. O cenário atual permanece bastante equilibrado, e mudanças nas expectativas eleitorais podem provocar volatilidade até a votação.
A queda futura dos juros também continua sendo uma variável decisiva para o mercado acionário. Juros menores tendem a reduzir a atratividade relativa da renda fixa e podem beneficiar empresas mais sensíveis ao custo de capital.
Petróleo acima de US$ 107 impulsiona Petrobras
O outro grande vetor de alta veio do exterior.
O petróleo Brent disparou mais de 6% e fechou a US$ 107,63 por barril, enquanto o WTI terminou a US$ 102,48. Os preços foram pressionados pela intensificação dos ataques a navios e pelos riscos ao transporte de petróleo no Oriente Médio.
A escalada da commodity favoreceu as ações da Petrobras, que figuraram entre os principais suportes do Ibovespa durante o pregão.
A valorização acontece porque preços mais elevados do petróleo podem ampliar a geração de receita das produtoras, embora o efeito final dependa também de produção, câmbio, custos e política de preços.
Bancos avançam enquanto Vale limita o índice
O setor financeiro também teve participação importante no movimento.
Durante a sessão, Itaú, Bradesco e B3 operaram em alta, acompanhando a melhora do mercado doméstico. Por volta do início da tarde, Itaú avançava 1,66%, Bradesco subia 2,87% e B3 ganhava 1,27%.
Na direção contrária, a Vale pressionou o Ibovespa, acompanhando a fraqueza do minério de ferro.
O contraste mostra por que o índice conseguiu avançar mesmo sem uma alta generalizada das commodities: petróleo e bancos compensaram parte relevante da pressão exercida pelo setor de mineração.
Eleição, petróleo e juros podem manter volatilidade elevada
O fechamento desta quinta reúne três variáveis que devem continuar influenciando o Ibovespa: eleições, petróleo e juros.
| Indicador | Fechamento/dado |
| Ibovespa | +1,42% |
| Ibovespa | cerca de 188 mil pontos |
| Dólar | cerca de R$ 5,10 |
| Brent | US$ 107,63 |
| WTI | US$ 102,48 |
| PoderData/Aya — 2º turno | Flávio 47% x Lula 45% |
| AtlasIntel/Bloomberg — 2º turno | Flávio 46,4% x Lula 46,2% |
Para o investidor, o avanço de um único pregão não elimina os riscos. A corrida eleitoral continua estatisticamente apertada, o petróleo permanece sujeito à geopolítica e juros elevados ainda influenciam o preço das ações.
O desempenho dos próximos pregões dependerá principalmente de novas pesquisas, do fluxo de investidores estrangeiros, das expectativas para política econômica e da evolução do conflito no Oriente Médio.
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