A Suzano voltou a ganhar atenção do mercado em um momento pouco óbvio. O setor de celulose atravessa uma fase de preços deprimidos, mas a empresa reúne características que alteram completamente a leitura de risco: liderança global, menor custo de produção do mundo e um ciclo pesado de investimentos praticamente concluído.
Diferente de uma tese baseada apenas em cenário macro ou dólar alto, a atratividade da Suzano hoje está concentrada em fatores microeconômicos e estruturais.
O que mudou na Suzano nos últimos anos
A empresa concluiu recentemente o Projeto Cerrado, uma fábrica de grande escala localizada no Centro-Oeste, considerada a unidade de menor custo caixa global. Esse tipo de investimento consome caixa por anos, mas transforma radicalmente a capacidade de geração de fluxo no ciclo seguinte.
Com o fim do pico de capex, a Suzano entra em uma fase em que:
Os investimentos caem de forma relevante
A produção cresce com eficiência superior
A geração de caixa livre tende a aumentar mesmo sem melhora de preços
Esse é um ponto-chave da tese atual.
Preço da celulose baixo: risco ou oportunidade?
O preço internacional da celulose opera abaixo da média histórica, pressionado principalmente por desaceleração na China e aumento pontual de oferta. No entanto, esses níveis não incentivam novos investimentos no setor, o que tende a provocar ajuste natural de oferta ao longo do tempo.
Para a Suzano, que produz a custos significativamente inferiores aos concorrentes, esse cenário cria uma assimetria clara:
Se o preço permanecer baixo, a empresa continua operando com margem positiva
Se o preço normalizar, o impacto no caixa e no lucro é altamente relevante
Números atuais da Suzano (SUZB3)
Indicadores de mercado e valuation
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Cotação | R$ 49 – R$ 50 |
| Valor de mercado | ~R$ 65 bilhões |
| P/L | abaixo da média histórica |
| Dívida líquida / EBITDA | ~3,3x |
| Dividend yield (12m) | ~2% |
Resultados operacionais recentes
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Receita líquida trimestral | ~R$ 12 bilhões |
| EBITDA ajustado | ~R$ 5,2 bilhões |
| Lucro líquido | ~R$ 2 bilhões |
| Volume de celulose vendido | crescimento superior a 20% |
| Custo caixa por tonelada | queda relevante no período |
Mesmo com pressão nos preços, o aumento de volume e a redução de custos amorteceram o impacto nos resultados.
Geração de caixa: o principal pilar da tese
O ponto central da análise está no fluxo de caixa livre. Em cenários conservadores, assumindo:
Celulose em patamar baixo
Dólar próximo a níveis neutros
A Suzano é capaz de gerar algo entre 13% e 15% de fluxo de caixa livre sobre o valor de mercado.
Em cenários um pouco mais normalizados, essa taxa pode ultrapassar 20%, o que é extremamente elevado para uma empresa desse porte.
Esse caixa abre espaço para:
Redução de endividamento
Reforço do balanço
Eventual aumento de remuneração ao acionista no futuro
Suzano como empresa defensiva dentro da commodity
Apesar de atuar em um setor volátil, a Suzano ocupa a posição mais defensiva possível dentro da cadeia. Seu custo inferior faz com que, em ciclos ruins, concorrentes mais caros sofram primeiro.
Na prática, isso significa que:
A Suzano tende a sobreviver e ganhar espaço em crises
A recuperação do ciclo beneficia desproporcionalmente a empresa
Essa característica reduz o risco estrutural da tese.
ESG entra como bônus, não como premissa
A Suzano opera com florestas plantadas e renováveis, ampliando continuamente sua base florestal. Em determinadas métricas, a empresa apresenta balanço de carbono positivo.
Apesar disso, essa variável não é considerada essencial na avaliação financeira. Qualquer benefício econômico futuro ligado a créditos de carbono é tratado como opcional, sem impacto relevante no valuation atual.
Principais riscos da tese
Permanência prolongada dos preços da celulose em níveis muito baixos
Desaceleração global mais intensa, especialmente na China
Volatilidade cambial desfavorável
Alavancagem ainda elevada no curto prazo
Mesmo assim, a combinação de custo baixo e geração de caixa reduz a assimetria negativa.
SUZB3 é uma tese de assimetria positiva
A Suzano não é uma ação para quem busca previsibilidade trimestral. Trata-se de uma empresa cíclica, exposta a commodities. No entanto, o momento atual reúne fatores raros: fábrica nova, capex em queda, custo imbatível e preços deprimidos.
Isso cria um cenário em que o risco de queda adicional é limitado, enquanto o potencial de recuperação é significativo. Para investidores com visão de médio e longo prazo, SUZB3 se posiciona como uma das teses mais interessantes do setor industrial brasileiro hoje.
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