A Gerdau chega à temporada de resultados em um ponto-chave do ciclo. O ambiente segue desafiador no Brasil, com pressão competitiva e preços mais ajustados, enquanto a América do Norte continua sendo o pilar de sustentação do resultado. O que muda o jogo daqui para frente é a postura mais conservadora de investimentos, que tende a aliviar custos, preservar caixa e melhorar a leitura do mercado para 2026.
Os números mais recentes de GGBR4
No último trimestre divulgado, a companhia apresentou desempenho consistente para um setor cíclico em fase menos favorável:
Receita líquida: cerca de R$ 18,0 bilhões
EBITDA ajustado: aproximadamente R$ 2,7 bilhões
Margem EBITDA: em torno de 15%
Lucro líquido: próximo de R$ 1,1 bilhão
Vendas de aço: pouco acima de 3,0 milhões de toneladas
O conjunto dos dados indica que a empresa segue operando com rentabilidade defensiva, sem crescimento expressivo, mas também sem deterioração relevante — algo importante em um setor altamente sensível ao ciclo econômico.
Tabela — Raio-X financeiro da Gerdau (GGBR4)
| Indicador | Valor aproximado | Leitura para o investidor |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 18,0 bi | Nível elevado mesmo em cenário pressionado |
| EBITDA ajustado | R$ 2,7 bi | Sustentação operacional |
| Margem EBITDA | ~15% | Eficiência ainda preservada |
| Lucro líquido | R$ 1,1 bi | Lucro resiliente, sem euforia |
| Vendas de aço | ~3,1 mi t | Volume segue sendo o principal motor |
| Dívida líquida | ~R$ 8,8 bi | Endividamento controlado |
| Dívida líquida / EBITDA | ~0,8x | Estrutura financeira conservadora |
| Fluxo de caixa livre | Positivo | Ainda limitado, mas consistente |
Capex menor: o ponto de virada para 2026
O mercado passou a olhar GGBR4 com mais atenção após a revisão do plano de investimentos. A expectativa agora é de capex ao redor de R$ 4,7 bilhões em 2026, uma redução superior a 20% em relação a estimativas anteriores.
Na prática, isso significa:
Menor pressão sobre o caixa
Mais espaço para geração de fluxo de caixa livre
Potencial aumento da flexibilidade para dividendos, recompras ou reforço de balanço
Em empresas cíclicas, essa combinação costuma anteceder períodos de reprecificação das ações.
Dividendos: previsibilidade acima de exuberância
GGBR4 não é a ação com maior dividend yield do setor, mas entrega regularidade ao longo do ciclo. A distribuição acompanha a geração de resultados e tende a melhorar quando o ciclo do aço entra em fase mais favorável. Para o investidor, o foco está menos no yield imediato e mais na capacidade de sustentar pagamentos ao longo do tempo.
O que pode mexer com GGBR4 nos próximos meses
Fatores positivos
Continuidade do bom desempenho das operações nos Estados Unidos
Confirmação da disciplina de investimentos
Qualquer melhora nos spreads de aço ou no volume vendido
Riscos
Aumento da concorrência com aço importado
Pressão adicional sobre preços no mercado doméstico
Natureza cíclica do setor, que amplifica movimentos de queda em períodos de desaceleração
Leitura estratégica: curto, médio e longo prazo
Curto prazo: volatilidade ligada aos balanços e às projeções para 2026
Médio prazo: foco total em margens e geração de caixa com capex menor
Longo prazo: GGBR4 segue como uma das formas mais equilibradas de exposição ao ciclo do aço, graças à diversificação geográfica e à solidez financeira
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