O Banco BMG (BMGB4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 157 milhões, avanço de 25,7% em relação aos R$ 125 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Além do crescimento do resultado, o banco aprovou a distribuição de R$ 64,3 milhões em juros sobre capital próprio (JCP). O pagamento será realizado em 4 de setembro aos investidores que possuíam ações da instituição no encerramento do pregão de 21 de agosto.

O provento equivale a R$ 0,10 bruto por ação ordinária ou preferencial. Após a retenção de 17,5% de Imposto de Renda, o valor líquido será de R$ 0,0825 por papel, exceto para acionistas legalmente isentos.
Lucro do Banco BMG cresce 25,7%
O desempenho do segundo trimestre reforçou o processo de recuperação da rentabilidade do BMG. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) alcançou 15,5%, ante 14,3% no segundo trimestre de 2025.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando o banco obteve lucro recorrente de R$ 147 milhões, o resultado cresceu 7,1%.
No acumulado do primeiro semestre, o lucro recorrente chegou a R$ 305 milhões, aumento de 26,8% sobre igual período do ano anterior. O ROAE semestral ficou em 15,2%.
| Indicador | Resultado |
| Lucro recorrente no 2T26 | R$ 157 milhões |
| Crescimento anual | 25,7% |
| Lucro recorrente no 1S26 | R$ 305 milhões |
| ROAE no trimestre | 15,5% |
| Carteira de crédito | R$ 24,1 bilhões |
| JCP aprovado | R$ 64,3 milhões |
| JCP bruto por ação | R$ 0,10 |
| Pagamento | 4 de setembro |
Margem financeira favorece resultado
A margem financeira líquida do Banco BMG alcançou aproximadamente R$ 1,5 bilhão no trimestre. A margem financeira após o custo do crédito somou R$ 1,76 bilhão no primeiro semestre, crescimento de 5,6% na comparação anual.
O NIM, indicador que mede a margem obtida pelo banco em suas operações financeiras, atingiu 19,1% no segundo trimestre. O desempenho está relacionado à mudança na composição da carteira, com maior participação de produtos que oferecem spreads mais elevados.
O índice de eficiência, que relaciona as despesas administrativas às receitas, melhorou para 52,4%, ante 53,9% um ano antes. Quanto menor esse indicador, maior tende a ser a eficiência operacional da instituição.
Carteira permanece próxima de R$ 24,1 bilhões
A carteira total de crédito encerrou junho em R$ 24,1 bilhões, praticamente estável na comparação anual. Apesar da estabilidade, houve uma transformação relevante na composição dos empréstimos.
A carteira de crédito pessoal avançou 30,6% em 12 meses, enquanto produtos tradicionais, como empréstimos e cartões consignados, perderam participação. O consignado privado também ganhou espaço na estratégia da instituição.
Essa mudança pode elevar a margem financeira, mas aumenta a necessidade de acompanhamento da qualidade dos empréstimos. Linhas de crédito pessoal costumam apresentar taxas superiores, porém carregam risco maior de inadimplência em comparação com operações descontadas diretamente de benefícios ou salários.
Inadimplência exige atenção
A inadimplência das operações com atrasos superiores a 90 dias subiu para aproximadamente 4,2% da carteira total, ante 3,8% no segundo trimestre de 2025.
O custo de crédito líquido chegou a 6,3%, ligeiramente abaixo dos 6,4% registrados no primeiro trimestre. A pequena redução trimestral indica estabilização, mas o indicador permanece acima dos níveis observados durante parte de 2025.
Para os investidores, esse é um dos principais pontos a acompanhar nos próximos balanços. O aumento do crédito pessoal e do consignado privado pode impulsionar receitas, mas os ganhos precisam compensar eventuais despesas adicionais com provisões para perdas.
Capital regulatório apresenta melhora
O índice de Basileia do Banco BMG encerrou o trimestre em 13,3%, enquanto o capital de nível 1 ficou em 10,1%.
O indicador de Basileia mostra a quantidade de capital disponível para absorver perdas diante dos riscos assumidos pela instituição. A evolução do capital de nível 1, que estava em 9,8% no trimestre anterior, representa uma melhora na estrutura financeira do banco.
Ainda assim, o nível de capital e o avanço dos ativos de maior risco precisam ser avaliados em conjunto. Uma expansão acelerada do crédito pode aumentar a necessidade de capital nos períodos seguintes.
Quanto o BMGB4 pagará em JCP?
O JCP referente ao segundo trimestre será pago de acordo com a posição acionária de 21 de agosto:
- Valor total: R$ 64,3 milhões;
- Valor bruto: R$ 0,10 por ação;
- Valor líquido: R$ 0,0825 por ação;
- Data de pagamento: 4 de setembro de 2026;
- Imposto retido na fonte: 17,5%, salvo casos de isenção.
Quem possuía 1.000 ações na data de corte terá direito a R$ 100 brutos, ou R$ 82,50 líquidos, considerando a retenção tributária padrão.
De acordo com o histórico disponibilizado pelo BMG, o banco distribuiu R$ 0,547 por ação em JCP referente ao exercício de 2025. Em 2026, já foram anunciados dois pagamentos trimestrais de R$ 0,10 bruto por ação cada.
Os valores futuros, entretanto, dependerão dos próximos resultados, das necessidades de capital e das deliberações do conselho de administração. O desempenho passado não assegura a manutenção do mesmo nível de distribuição.
BMGB4 está barata?
A transcrição utilizada como referência apresenta cálculos de preço justo e projeções de dividendos para BMGB4. Essas estimativas não representam valores oficialmente projetados pelo Banco BMG nem uma recomendação da A Revista.
Múltiplos como preço sobre lucro e preço sobre valor patrimonial podem indicar desconto em relação a outras instituições, mas não devem ser analisados isoladamente. O mercado também considera a liquidez reduzida das ações, o tamanho do banco, a qualidade da carteira, a inadimplência e a necessidade de capital.
A BB Investimentos classificou o resultado como positivo, mas destacou que a migração para produtos de maior retorno também envolve elevação do risco. Antes de investir, é necessário verificar se essa relação entre rentabilidade e risco está alinhada ao perfil e aos objetivos de cada investidor.
Os próximos balanços deverão mostrar se o BMG conseguirá manter o crescimento do lucro sem uma deterioração mais forte da carteira de crédito.
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