As ações do Banco do Brasil voltaram a chamar atenção ao serem negociadas próximas de R$ 20, depois de acumularem uma forte desvalorização em 2026. A cotação atual coloca o valor de mercado da instituição ao redor de R$ 116 bilhões.
O desconto parece expressivo quando comparado ao histórico de lucros do banco. Em seus melhores anos, o Banco do Brasil conseguiu superar R$ 30 bilhões de lucro anual. Caso recuperasse um resultado próximo de R$ 25 bilhões, por exemplo, a companhia estaria sendo negociada por menos de cinco vezes o lucro.
O problema é que essa recuperação ainda não aconteceu. O próximo balanço, referente ao segundo trimestre de 2026, será divulgado somente em 12 de agosto de 2026.
Principais números de BBAS3
| Indicador | Valor aproximado | Data de referência |
|---|---|---|
| Cotação de BBAS3 | R$ 20,00 | 21 de julho de 2026 |
| Valor de mercado | R$ 116 bilhões | Julho de 2026 |
| Lucro líquido contábil no 1º trimestre | Pouco mais de R$ 3 bilhões | 1T26 |
| Margem financeira bruta | Cerca de R$ 27 bilhões | 1T26 |
| Custo do crédito | Quase R$ 19 bilhões | 1T26 |
| Resultado de equivalência patrimonial | Aproximadamente R$ 3,8 bilhões | 1T26 |
| Próximo resultado trimestral | 12 de agosto de 2026 | 2T26 |
A cotação foi consultada no site de Relações com Investidores do Banco do Brasil. Os valores do primeiro trimestre foram arredondados para facilitar a leitura e correspondem aos dados apresentados no material-base e nas demonstrações do período.
Provisões derrubaram o lucro do Banco do Brasil
No primeiro trimestre de 2026, o lucro líquido contábil ficou pouco acima de R$ 3 bilhões, representando uma queda superior a 50% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A margem financeira bruta alcançou cerca de R$ 27 bilhões, mas o custo do crédito avançou para quase R$ 19 bilhões. Somadas às despesas administrativas, as provisões consumiram grande parte do resultado da operação bancária.
As provisões representam recursos separados pelo banco para cobrir possíveis perdas com empréstimos. Elas reduzem o lucro antes mesmo de a inadimplência se transformar em prejuízo definitivo.
Parte desses valores poderá ser recuperada por meio de renegociações, acordos e pagamentos atrasados. Nesse cenário, o Banco do Brasil poderia reverter provisões e reconhecer um resultado maior no futuro. Contudo, não existe garantia sobre quando ou em qual volume isso acontecerá.
BB Seguridade ajuda a proteger o resultado
Um dos principais pontos positivos está nas empresas controladas e coligadas. O Banco do Brasil possui 68,5% da BB Seguridade, além de participações no Banco BV, Banco Patagonia, cartões, consórcios e outros negócios.
O resultado de equivalência patrimonial ficou próximo de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre. Esse indicador representa a parcela do lucro das empresas investidas que pertence ao Banco do Brasil.
Somente determinadas coligadas e controladas em conjunto teriam contribuído com quase R$ 1,8 bilhão, equivalente a aproximadamente 58% do lucro trimestral. Ao considerar também a BB Seguridade, as participações produziram resultado superior ao lucro consolidado do banco.
Isso indica que os negócios de seguros, cartões, consórcios e investimentos estão compensando parcialmente as dificuldades da carteira de crédito.
BBAS3 está barata?
O preço próximo de R$ 20 pode representar uma oportunidade caso o Banco do Brasil reduza as provisões, recupere a rentabilidade e volte a apresentar lucros anuais acima de R$ 20 bilhões.
Por outro lado, o desconto também reflete riscos concretos. A inadimplência e a qualidade das carteiras de crédito seguem entre os principais pontos de atenção para os grandes bancos brasileiros em 2026.
A demora na recuperação também pesa. Com os juros brasileiros ainda elevados, o investidor precisa comparar o possível retorno de BBAS3 com o rendimento oferecido pela renda fixa.
Assim, as ações parecem baratas com base no potencial histórico do Banco do Brasil, mas continuam dependentes de uma melhora no crédito. Para o investidor de longo prazo, aportes graduais e diversificação podem reduzir o risco de entrar antes de uma recuperação mais consistente.
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